Tribuna do Norte – Retomada do desenvolvimento

Garibaldi Filho

Ex-senador da República 

Além de narrar “causos” da nossa história política, o programa de rádio “Politicando na Cidade” tem feito cobranças — insistentes, mas oportunas — de ações para reverter a situação de atraso no desenvolvimento do nosso Estado. Lideranças dos mais diversos segmentos econômicos, sociais e políticos dão testemunho de como a situação do Rio Grande do Norte está preocupante em relação aos estados vizinhos. E citam Ceará, Paraíba e Pernambuco. Houve quem se lembrasse que o Piauí foi o chamado “patinho feio” no passado. A “política de atração dos investimentos” privados é a grande vilã por ter sido esquecida ao longo dos anos mais recentes. Afirmam que é preciso adotar medidas para mudar essa circunstância.

Isso nos remete aos anos 90, quando, no exercício do nosso primeiro governo, encontramos a nossa economia bastante fragilizada, merecendo destaque o setor industrial, que sofria com o envelhecimento do modelo de desenvolvimento implantado e administrado pela SUDENE.  Os empresários sentiam-se desestimulados e descrentes do apoio do governo e com poucas condições de competir com empresas capitalizadas do Centro-Sul.

Buscando gerar emprego e renda para a nossa população, decidimos, já no início de 1995, desenvolver não apenas ações de revitalização de programas pré-existentes, como também criar ações inovadoras e de forte impacto na economia, que pudessem agitar e mudar rapidamente o estado de espírito dos empreendedores. Foi assim que lançamos, entre outros, o Polo Gás Sal, oferecendo gás subsidiado para as empresas existentes que aceitassem se modernizar, e para as novas que viessem a se instalar no Estado. O Polo Químico, o Polo Têxtil, o Polo Alimentício, o Polo Salineiro, e tantos outros setores aderiram a esse programa e ainda hoje muitas das empresas ali instaladas se beneficiam desse revolucionário apoio. 

Buscando experiências exitosas no Brasil e no exterior, lançamos à margem da BR-101, entre Parnamirim e Macaíba, o Polo Industrial e Tecnológico do Estado, reunindo, hoje, inúmeras empresas, que oferecem produtos finais de elevada qualidade, não apenas para o mercado local, mas também, para o Sul e até para o exterior. 

Com a revitalização do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial – PROADI — concedendo subsídio de redução ou até devolução do ICMS, para empresas credenciadas, incentivamos empreendimentos nos Distritos Industriais de Natal e Mossoró, no Polo Cerâmico de Assu, no Polo de Mineração do Seridó, e para muitas outras empresas da Região Metropolitana de Natal, que compreende inúmeros municípios e cerca de 50% de toda a população do Rio Grande do Norte. 

Em convênios com o Governo Federal e com instituições como a FIERN/SENAI, o SEBRAE e outras, promovemos a capacitação e reciclagem de mão de obra especializada para o desenvolvimento industrial, enquanto realizávamos obras de infraestrutura, garantindo comunicações, estradas, abastecimento de água e saneamento básico e energia elétrica, facilitando toda a logística desses empreendimentos.

Os convênios e gestões junto à CODERN, para ampliação do Porto de Natal e a inauguração pelo então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, do novo terminal de passageiros do Aeroporto Augusto Severo, em convênio com a Infraero, foram, sem sombra de dúvidas, obras que mostraram ao investidor um novo estado disposto a receber de braços abertos os parceiros do setor privado, criando-se um novo clima de confiança, de segurança jurídica, e de incentivos aos novos empreendimentos.

O Rio Grande do Norte precisa, neste momento, de programas com características semelhantes. Não defenderia, claro, simplesmente replicar os mesmos projetos, até porque a conjuntura é diversa, com novas demandas do setor produtivo. As atividades econômicas passaram por inovações tecnológicas que transformaram os cenários e as exigências atuais devem ser consideradas para atrair e estimular os investimentos.

Mas a essência da revitalização feita, a partir de 1995 até o início dos anos 2000, para a retomada da atividade industrial e desenvolvimento do turismo no Rio Grande do Norte, naquele período, foi algo marcante e deixou referências, que não podem ser negadas. Tais referências são úteis no necessário e inadiável esforço que, hoje, o Estado precisa fazer para voltarmos a ter o crescimento do nosso parque industrial e demais segmentos produtivos. Isso só será possível, a exemplo do que foi feito na segunda metade dos anos 90, com uma mobilização liderada pelo Governo, em uma parceria com as instituições representativas dos setores empresariais e participação das demais instituições da sociedade que possam colaborar.

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