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‘Trabalhei 16 horas por dia para sobreviver costurando máscaras’: o relato de uma imigrante boliviana na pandemia

  • Thais Carrança
  • Da BBC News Brasil em São Paulo

Legenda da foto,

Boliviana que mora em São Paulo há 15 anos relata trabalho exaustivo em meio à pandemia de covid-19

“Para nós que trabalhamos com costura, a pandemia chegou forte. Todas as oficinas ficaram sem serviço, tivemos que procurar outras coisas para poder ter uma renda, porque, para o boliviano, o aluguel é sempre mais pesado, é mais caro.”

“A entrada de pedidos de roupas diminuiu muito, praticamente foi a zero, porque não tinha lojas abertas. Tivemos que focar em máscaras e aventais, mas é um trabalho que requer mais esforço.”

“Eles estavam pagando 30, 20, até 10 centavos por máscara. Ficou bem complicado mesmo. Para ter um bom rendimento para sua casa, é preciso fazer muito. Trabalhamos umas 14 a 16 horas por dia para tirar algum dinheiro.”

O relato é de Aracely Merida, de 38 anos, boliviana e moradora de São Paulo há 15 anos. Mãe de três filhos, ela e o marido trabalham juntos com costura, numa oficina que é também a casa da família.