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Têxtil hospitalar testa a saúde nas grandes feiras internacionais

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Cinco têxteis portuguesas marcam presença, a partir desta segunda-feira, no Dubai World Trade Center, na Arab Health, a principal exposição de equipamentos médicos do Médio Oriente e a segunda mais importante feira do setor da saúde a nível mundial. É a primeira participação da comitiva portuguesa neste certame, em busca de novos mercados que ajudem a consolidar a recente aposta da indústria no segmento das máscaras e dos equipamentos de proteção individual.

Mais importante ainda, é a primeira feira presencial em muitos meses e o diretor da Associação Selectiva Moda, entidade responsável, em parceria com a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), pelo projeto de expansão internacional da indústria têxtil portuguesa, o From Portugal, admite que a expectativa é muito grande. “As empresas estão ansiosas por poderem regressar e apresentar os seus produtos. O Dubai é um país que tem a situação sanitária já muito controlada e confesso que tenho uma grande curiosidade em perceber como é que as pessoas se vão comportar neste regresso”, diz Manuel Serrão.

Sobre o número diminuto de empresas, Serrão garante que havia “mais interessados”, mas que foi o possível, já que ocuparão o “único stand disponível”, e que resultou de uma “desistência de última hora”. Dune Bleue, PT Mills, Skylab by Inarbel, Trim NW e Wise HS foram os primeiros a inscreverem-se e conseguiram assegurar o seu bilhete a caminho do Médio Oriente. São acompanhados pelo Citeve que irá apresentar as suas competências na conceção e no desenvolvimento de produtos e processos para a área da saúde, fortemente associadas à inovação, bem como a sua oferta em matéria de testes e ensaios na área da microbiologia têxtil e da citotoxicologia, “particularmente importantes para os produtos e dispositivos médicos ou para materiais têxteis destinados ao mercado da saúde e do bem-estar”.

Presente no mercado desde 2005, a Dune Bleue, de Vila Nova de Famalicão, dedica-se à criação, desenvolvimento e comercialização de peúgas para segmentos de mercado distintos, do trabalho às atividades ao ar livre, sem esquecer a procura para momentos mais casuais ou elegantes. E, claro, o segmento ecológico e a área medicinal. Leva à Arab Health algumas das suas inovações em termos de fibras e acabamentos funcionais, antibacterianos e antimicrobianos, para tratar questões como o pé de atleta ou as frieiras, entre outras. “Vamos com os nossos produtos de excelência para sentir o mercado. Sendo a primeira vez, não temos objetivos fixados, mas a expectativa é grande”, explicou, ao DN/Dinheiro Vivo, o CEO da empresa. A área medicinal não é nova na Dune Bleue, mas ganhou um “novo foco” com a pandemia e Ricardo Faria quer “aproveitar a onda em que Portugal está bem-visto nesta área dos produtos medicinais, para alavancar as exportações”.

Já a Inarbel, de Marco de Canaveses, vai ao Dubai fazer a primeira apresentação pública da Skylab, a sua marca de equipamentos de proteção individual criada em plena pandemia. José Armindo Ferraz, CEO da Inarbel, vai com confiança e apostado em “jogar para ganhar”. “Vamos tentar a nossa sorte, em casa é que não conseguimos ver ninguém. Não vou lá para vender a produção toda, mas quero conhecer o mercado”, diz. A Inarbel, que detém as marcas de moda infantil A&J e Dr. Kid, já vende para o Médio Oriente, mas está a dar os primeiros passos no segmento de saúde.

Criada em 2013, a famalicense Pt Mills tinha na metalomecânica o seu principal mercado, dedicando-se ao desenvolvimento de mecânica e automação para equipamentos industriais. Com a pandemia, apostou na produção de máscaras cirúrgicas e FFP2 e 3, e criou a marca MM4M. Tem três linhas e uma capacidade de produção máxima de 1,8 milhões de máscaras cirúrgicas ao mês e de 3,2 milhões dos modelos FFP (conhecidas por bico de pato). Um investimento de quase um milhão que está a ter dificuldade em rentabilizar, dada a “competição desleal” por parte da China. Miguel Malheiro explica que vai à Arab Health apostado em reforçar a sua oferta. A ideia é procurar estabelecer contactos com produtores de outro tipo de dispositivos médicos e que possam querer representar a MM4M e aceitar serem representados pela Pt Mills em Portugal.