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Têxtil e vestuário poderão vir a perder até 56 mil postos de trabalho e mais de três mil empresas esta década

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A indústria têxtil e do vestuário portuguesa poderá perder cerca de 56 mil postos de trabalho até 2030. A previsão consta no estudo “Visão Prospetiva e Estratégias ITV 2030′, apresentado, esta terça-feira, no Simpósio da Indústria Têxtil, realizado pela Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP). O estudo, consultado pelo “Diário de Notícias”, contempla três cenários distintos, o mais pessimista admite o desaparecimento de 3500 empresas e de mais de 56 mil empregos.

Já a previsão mais otimista, também apresentada no estudo, prevê o encerramento de cerca de mil empresas e de mais de 11 mil postos de trabalho. Há, ainda, a “perspetiva conservadora, sem ser demasiado pessimista”: uma indústria que, em 2030, será constituída por um universo superior a 3500 empresas (atualmente são seis mil) e que emprega mais de 80 mil trabalhadores diretos – o que corresponde a menos 51 mil funcionários.

Para já, a única certeza da ATP é que, na última década, a indústria fez um trajeto “notável” e, independentemente do cenário, “há futuro para a indústria têxtil e do vestuário (ITV)”. O presidente da ATP, Mário Jorge Machado, esclarece que o facto de todos os cenários perderem funcionários prende-se com a questão demográfica.

“Portugal, e o continente europeu, em geral, vai passar por problemas difíceis de substituição dos recursos humanos. Um problema que já hoje, em 2021, existe em muitas empresas e que se vai acentuar com o passar dos anos”, garante, sublinhando que 40% dos trabalhadores da fileira têxtil têm mais de 50 anos. Nos próximos 15 anos, o sector “vai precisar de 50 mil pessoas só para repor a mão de obra que se vai reformando. São valores muito significativos”, esclarece.

O sector conta, segundo o “Jornal de Negócios”, com um plano com sete “prioridades estratégicas” para esta indústria: capitalização, diferenciação, sustentabilidade, digitalização, cooperação, capacitação dos recursos humanos e internacionalização.