Sem auxílio, imigrantes não conseguem atendimento na Polícia

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Desde o dia 30 de julho, a Polícia Federal, em São Paulo, voltou a agendar atendimentos para imigrantes que ainda não foram regularizados no país. O atendimento na sede da Lapa, Zona Oeste paulistana, porém, esbarra nas filas e em dificuldades para agendamento. 

“Não tem agendamento, o agendamento está bem difícil, aqui a Polícia Federal é só na Lapa. E tem muitos imigrantes em São Paulo. Sem contar Guarulhos, Carapicuíba, Osasco”, revela a jornalista congolesa Claudine Shindany, que atua no setor de regularização migratória do Centro de Acolhimento e Pastoral do Migrante (Cami) – que presta apoio a essa população no centro de São Paulo.

No Cami, desde a reabertura presencial da Polícia Federal, foram 500 atendimentos para regularização de documentos – tanto para migrantes, como para pessoas em situação de refúgio no Brasil.  Deste total, 52% ainda não conseguiu ser atendido na PF. 

Segundo a peruana Isabel Torres, também do setor de regularização migratória do Cami, a falta de documentos tem sido uma barreira para o acesso ao auxílio emergencial, por exemplo, que muitos não chegaram a receber nenhuma parcela.

“O imigrante é um trabalhador que tem direito a esse auxílio emergencial mas muitos imigrantes não conseguiram obter, ou foram aprovados. Devido à falta de uma regularização migratória ficou inviável eles terem acesso ao benefício”, relata Torres.

A informalidade e a falta de renda para estrangeiros na capital paulista têm levado o Cami a organizar ações de solidariedade desde o início da pandemia. 

“Muitas pessoas foram despejadas de seus lares, das oficinas de costura, estão passando fome, tanto que o Cami criou as ações solidárias, entregas de cestas básicas, produtos de higiene pessoal, de limpeza, entre outros, para poder atender a essa demanda. Mas a documentação, a regularização migratória, ainda está difícil, porque não depende de nós, depende de uma resposta ativa, humana, da Polícia Federal”, explica a liderança do Cami.

Desde o início da quarentena em março até julho, foram 4.515 cestas entregues pelo Cami para imigrantes e refugiados de diversas nacionalidades, que não vem conseguindo garantir uma renda mínima durante a pandemia. É o caso da boliviana Suzana Campos, que tem três filhos. 

“É com costura que a gente trabalha,  e a firma que dava serviço para nós parou tudo. Agora a gente tá fazendo bico, tá fazendo máscara, mas não é igual, porque estamos ganhando muito pouco, às vezes não alcança. Eu dou gracias que eu conheci o Cami, eu dou gracias porque esta cesta que nos dão serve para alimentar meus filhos”, relata Campos.

Outro lado 

O Brasil de Fato entrou em contato com a Polícia Federal, mas não obteve respostas até o fechamento da reportagem.

Em sua página, a PF explica que, por normas de segurança, só estão sendo recebidos os imigrantes que fizerem o agendamento prévio, sem mais a opção de atendimento por ordem de chegada. 

 

 

Edição: Rodrigo Durão Coelho