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Quadro com bordado que reproduz música no Spotify é nova tendência no décor

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Linhas, agulhas e códigos do Spotify. A mistura inusitada ganhou um novo significado nos últimos meses: o bordado interativo. Os códigos costurados ou pintados permitem que uma música ou playlist seja reproduzida no celular, bastando apenas apontar a câmera. Esse artesanato hightech ficou popular nas redes sociais recentemente.

Segundo dados do Google Trends, a procura por termos relacionados a bordado cresceu cerca de 80% nos últimos três meses. A assessora jurídica e bordadeira Carine Oliveira, do interior de Alagoas, teve a ideia de unir tecnologia e artesanato no início deste ano. Ela viu a aplicação do código em colares e pulseiras, nas redes sociais, feitas por uma artesã argentina. Inspirada, Carine começou a testar no bordado. Após muitas tentativas, a iniciativa deu certo.

“Fiquei animada em poder proporcionar experiências diferentes aos meus clientes. Porém, antes, decidi investigar na internet se alguém já havia feito isso. Para minha surpresa, não encontrei nenhum registro. Acredito que eu seja a primeira pessoa no mundo a aplicar o código do Spotify em um bordado”, conta Carine.

Ela lançou os modelos em seu perfil no Instagram, Bastidor do Amor, em maio, como opção de presente para o Dia dos Namorados. Segundo a bordadeira, o item personalizado ganhou diversos elogios e logo se popularizou.

O bordado interativo tornou o artesanato uma das principais atividades de Carine, que vende os produtos por encomenda por meio das redes sociais, assim como outras artesãs.

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Popularização

As fotos dos bordados de Carine impactaram muitas outras bordadeiras, como a jornalista Bruna Marques e a bióloga Savanna Carneiro. Para Bruna, bordar foi uma forma de ocupar a cabeça durante a quarentena, logo após enfrentar uma depressão profunda no ano passado.

“Fiz o primeiro quadro para a minha filha mais velha. Foi lindo ver a emoção estampada no rosto dela ao recebê-lo”, relembra.

O artesanato passou a ser uma ferramenta para alegrar pessoas queridas e conseguir uma renda extra por meio de vendas on-line em seu perfil no Instagram, o Bordados da Boo. Bruna garante que há interesse pelo produto em Brasília. “As pessoas se encantam com a possibilidade de unir o artesanato com a tecnologia, e acaba virando uma lembrança para a vida toda”, defende.

Atividade terapêutica

Embora não seja cientificamente reconhecido como terapia, bordar acalma e ocupa a mente dos praticantes. A bióloga Savanna Carneiro, por exemplo, começou a bordar quando estava passando por um período conturbado e estressante em sua vida profissional, no início do ano passado. Desde então, a maranhense segue bordando tudo o que der na telha, inclusive os códigos interativos do Spotify.

“Precisava de algo para relaxar a mente. Amei tanto que postava o que eu andava produzindo nas redes sociais. As pessoas gostaram e passaram a encomendar. O hobby virou renda extra. O engraçado é que, na mesma semana, várias bordadeiras tiveram a mesma ideia e foi um boom de bordado interativo na internet. Achei o máximo, porque é a arte e suas diferentes linguagens alcançando mais pessoas”, conta Savanna. Ela vende seus artesanatos em um perfil no Instagram, o Bordado Refúgio.

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Além dos bordados, o código interativo do Spotify também pode ser aplicado em quadros, como os produzidos pela brasiliense Kailanny Victória. “Sempre fui apaixonada por música e decoração. Certo dia, resolvi dedicar uma playlist para o meu namorado e vi a oportunidade de juntar duas paixões. Assim, veio a ideia dos quadros interativos personalizados”, conta Kailanny. Ela também comercializa os produtos pelo Instagram.

A estudante do Gama, no Distrito Federal, trabalha desde maio com artigos de decoração personalizados, como os quadros interativos, objetos em acrílico, adesivos, frases em MDF, entre outros. “Procuro sempre inovar e trazer novidades por meio de pesquisas de mercado”, relata Kaillanny, que sonha em pagar a própria faculdade com a venda dos produtos.

 

Como fazer

 

De acordo com Silvia Fernanda Araújo, bordadeira há mais de 24 anos, o bordado é indicado para qualquer pessoa, sem nenhum tipo de restrição. “Aos iniciantes, a dica é sempre: se tem vontade, vá atrás”, diz. Segundo ela, vídeos no YouTube ou, até mesmo, revistas sobre costura ensinam os tópicos iniciais do bordado.

 

Para Carine, a precursora do bordado interativo, criar o bordado interativo é mais fácil do que se imagina. “Muita gente acha que fazer é muito complicado, mas não é. A ideia é simples: entrar no Spotify, pegar o código, passar para o tecido e bordar, depois é só testar no aplicativo e pronto”, assegura.

 

Além disso, a artesã sugeriu duas dicas para iniciantes no bordado interativo. Confira:

 

  • Bordar o Círculo: “O círculo que existe no lado esquerdo também faz parte do código, ou seja, sem ele não funciona. Mas atenção: o item obrigatório é apenas a circunferência, ou seja, dentro do círculo pode ser reproduzido qualquer desenho”, ensina.
  • Linhas do código: O aplicativo precisa identificar as linhas do código para reproduzir a música ou lista de reprodução. Ou seja, não é recomendado costurar as linhas muito juntas, mas nem tão distantes, porque pode dificultar a leitura do aplicativo. “Dependendo da qualidade da câmera do seu celular, o aplicativo não irá conseguir identificar com precisão, então o correto é tentar fazer as linhas separadas e harmônicas”, diz.

 

Autoria

O sucesso da ideia de bordar códigos do Spotify trouxe muitos frutos à Carine, mas também algumas dores de cabeça. Antes de publicar o primeiro modelo no Instagram, a alagoana pensou na maioria dos detalhes referentes ao lançamento, porém, ela não tinha ideia da proporção que ia tomar, e nem que outras pessoas iriam criar semelhantes ao redor do mundo.

 

“Logo no dia seguinte, começaram as reproduções não-autorizadas. Meu direct estava lotado de mensagens de pessoas pedindo autorização para reproduzir, e eu não sabia o que falar. Eu realmente fiquei muito perdida e sem saber o que fazer”, relata Carine.

 

A solução encontrada foi liberar a reprodução com os devidos créditos e procurar apoio de uma advogada especialista em direitos autorais.  “Diariamente recebo mensagens de estrangeiros pedindo autorização para bordar a técnica e isso tem me deixado bem feliz. Hoje em dia, a tristeza que senti no início já não existe. Passei a levar as cópias e reproduções para um outro lado, o da inspiração. Vejo essas pessoas como admiradores do meu trabalho e tento explicar o quanto é importante reconhecer o artista criador, até mesmo para fortalecer classe de bordadeiras”, explica.