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Projeto da UFG transforma resíduos em produtos de alto valor agregado

Converter resíduos e rejeitos em novos produtos e processos de alto valor agregado, transformar raspas e restos em dinheiro. Realizado no Laboratório de Métodos de Extração e Separação (LAMES-UFG), o projeto é coordenado pelo professor Nelson Roberto Antoniosi Filho, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais, e promove soluções sustentáveis voltadas ao desenvolvimento socioeconômico e ambiental do país.

“Já temos atendido empresas alimentícias, têxteis, empresas das mais diversas áreas inclusive de plásticos, que é uma das grandes atividades no país e no mundo, buscando soluções para reaproveitamento desses produtos que hoje são de baixo valor para a empresas”, esclarece Antoniosi, em entrevista ao Sagres em Tom Maior #152 desta segunda-feira (30).

Segundo a UFG, através de reações químicas e processos físicos, os pesquisadores reciclam materiais que seriam descartados pela sociedade ou pela indústria e os transformam em novos produtos úteis (coprodutos). A gestão de resíduos combate o desperdício e o acúmulo de detritos em aterros, lixões e na natureza. Além disso, as técnicas de reciclagem são uma opção econômica para a crescente demanda industrial por matéria-prima, diminuindo a necessidade de extração de recursos naturais para tal.

“Temos que minimizar os impactos nos nossos processos de produtos no meio ambiente. Acabar com lixões, acabar com aquela coisa convencional de ao início do dia pegar os lixos das nossas casas e das nossas empresas e dispor para que uma empresa venha coletar e dar um destino que muitas vezes a gente nem sabe qual é. A gente precisa entender que esses produtos são dinheiro e impactam o meio ambiente”, orienta Antoniosi.

Com o projeto, materiais como tecidos, óleo de cozinha, plásticos e alimentos podem ser processados e reutilizados.

TECIDO: Para moldar as peças de roupas, a indústria têxtil perde altas quantidades de tecido entre um corte e outro. Antigamente, esses retalhos eram vendidos e reaproveitados por costureiras na fabricação caseira de produtos como colchas e tapetes. Com a industrialização, os pequenos artesãos perderam espaço no mercado, tomado por uma produção desenfreada de bens. Hoje, existem empresas que terceirizam o descarte desse resíduo têxtil. “Isso é insustentável”, comenta Nelson Antoniosi. No projeto de conversão, esses retalhos são transformados em imitações de mármore, lubrificantes e base para tintas. Os pesquisadores também desenvolveram um tijolo balístico através da trituração do tecido com resíduos de barragem. Os tijolos para construções resistentes podem ser utilizados em áreas com alta movimentação militar e de armamentos como zonas de guerra.

ÓLEO DE COZINHA: Quando descartado no esgoto, o óleo é degradado por microrganismos formando sabão. A espuma polui aquíferos e rios. O grupo coordenado pelo professor desenvolveu três produtos a partir da reciclagem desse óleo usado: Biodiesel, Biograxas e Biolubrificantes. “Daqui a alguns anos não teremos mais combustíveis fósseis e consequentemente não faremos mais a prospecção do petróleo para produzir lubrificantes fósseis. A partir do óleo usado podemos produzir biolubrificantes, que são até melhores que os derivados do petróleo”, comenta Nelson.

PLÁSTICOS: Oceanos e rios estão abarrotados de plástico que causam a destruição da flora e da fauna marinha. Nelson explica que a água que bebemos também possui partículas de microplásticos, o que pode causar doenças como o câncer. Os cientistas do LAMES aquecem três tipos de plásticos (polietileno, polipropileno e poliestireno) em um sistema fechado auto sustentável e os convertem em uma mistura que corresponde a querosene de aviação.

TOMATE: Quando o tomate chega na indústria alimentícia ele é triturado e aquecido para virar molho. A indústria peneira o molho para retirar a pele e a semente do fruto. Para que o resíduo não contamine os afluentes, o grupo do LAMES os transforma em fibras utilizadas para substituição da aveia, óleos e suplementos. A patente da UFG já foi aplicada em empresas do ramo do tomate e atualmente desperta o interesse de uma grande empresa de atomatados, com a qual o professor Antoniosi negocia os direitos de uso. “A casca do tomate possui antioxidantes como o betacaroteno e o licopeno, o qual previne o câncer de próstata. Ao ser aquecido, o licopeno fica mais disponível para que seja metabolizado pelo organismo. Podemos encapsulá-lo para a venda em farmácias”, explica Nelson. Além disso, o professor destaca que, ao retirar o óleo da semente do tomate, sobra um pó com alto valor proteico, comercializado como suplemento alimentar.

Confira a entrevista na íntegra a seguir

Com informações da UFG