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Profissão de sapateiro resiste ao tempo e sobrevive em Nova Odessa

A profissão de sapateiro sobreviveu através dos séculos, sendo transmitida de geração à geração. Antigamente, os sapateiros, além de consertar sapatos, tinham também que fazê-los. Hoje em dia, ainda existe quem procure o artesão de mãos sábias, que faz renascer algo que para nós parece estar muito velho ou acabado.

Os sapatos possuem diversas cores, modelos e tamanhos. Alguns são altos e elegantes, outros baixos e confortáveis. Sempre acompanham as tendências e a moda. Para os homens, o conforto é o mais importante. Para as mulheres, são fundamentais para compor o figurino. Ambos sempre têm aquele par preferido que não pode faltar na sapateira. Nas vitrines dos shoppings, diversos modelos belos e aparentemente resistentes, com formas e materiais importados, seduzem o consumidor apressado que quer levar o produto de imediato. Raras são aquelas pessoas que ainda recorrem aos tradicionais e minuciosos artesãos, que misturam arte com técnica na fabricação de calçados.

Os sapateiros tradicionais tem até data comemorativa: dia 25 de outubro é o Dia do Sapateiro. No entanto, na era da produção em série, eles lutam para sobreviver. No dia em que é comemorado o dia do sapateiro, a reportagem foi procurar “sobreviventes” que batalham diariamente contra as grandes fábricas e a modernização.

Em Nova Odessa, quem passa pela rua Washington Luiz, no Centro, avista um pequeno estabelecimento, no número 133, uma porta onde exala aroma de couro e o tilintar de uma máquina de costura com mais de 40 anos de fabricação. Trata-se da Sapataria São Gabriel, onde Célio Borges Caramori, de 50 anos, conserta calçados, bolsas e utensílios de couro. Sapato social masculino, sapato de salto feminino, bolsa feminina, mochilas e bolsas são os principais objetos deixados para restauração na sapataria.

Célio é filho de Silvio Caramori, sapateiro novaodessense que faleceu em 2012, aos 73 anos e exerceu a profissão durante toda a sua vida. Seu estabelecimento ficava na esquina da rua Washington Luiz com a rua Rio Branco, era a Sapataria Dois Irmãos. “Aprendi a profissão trabalhando com meu pai desde os 10 anos. Acabei saindo do país por alguns anos e trabalhando ainda em diversos estabelecimentos comerciais na cidade quando voltei ao Brasil, mas descobri que a profissão de sapateiro está no meu sangue e agora dou continuidade ao que aprendi com meu pai. Tenho muita satisfação de trabalhar como sapateiro. A confiança da clientela no meu serviço é o fator principal para o prosseguimento nesta minha profissão”, enfatizou Célio.

Célio Borges Caramori disse que se preocupa com a possível extinção da profissão em decorrência da descartabilidade dos calçados atuais. Como um guerreiro que luta pela sua sobrevivência, Célio resiste à tendência de amortização de seu ofício que tanto gosta de exercer. A profissão de sapateiro como inúmeras outras passa por uma modernização. Em grandes centros comerciais e urbanos, existem redes de lojas que consertam calçados e artefatos em couro. Entretanto, estes estabelecimentos em sua grande maioria se encontram instalados em shoppings centers.

“O sapateiro dos bairros jamais vai deixar de existir, tenho convicção de que nosso serviço é de extrema importância para a população e nosso serviços são essenciais para algumas pessoas”, disse Célio. Ao que tudo indica, Célio continuará atrás do balcão, em seu estabelecimento ainda por muitos anos, a manter vivo o modo de vida do sapateiro. Com o altruísmo e a aptidão que lhe são característicos.

25 de outubro – Dia do Sapateiro

No dia 25 de outubro é comemorado o Dia do Sapateiro. A arte de fabricar sapatos surgiu a partir do momento em que o homem passou a sentir necessidade de proteger seus pés, seja do frio, seja dos obstáculos no solo. A função do sapateiro é manusear botas, calçados, chinelos e calçados em geral, fabricando-os ou mesmo consertando-os.

Quando surgiu a profissão de sapateiro, ela era bastante discriminada, sendo considerada menos relevante do que as profissões de curtidores e carniceiros, por exemplo. Porém, com o tempo, a profissão se tornou mais popular, o que despertou a necessidade de estabelecer um padrão na forma de fabricação de calçados entre os diversos sapateiros. Essa uniformização surgiu na Inglaterra, em 1305, quando o Rei Eduardo I decretou que a medida de uma polegada deveria equivaler a três grãos secos de cevada, estabelecendo uma medida padrão para a fabricação de calçados. A partir disso, os sapateiros passaram a fabricar calçados seguindo essa forma de medida.

Um sapato de criança, por exemplo, que medisse trezes grãos, recebia a medida padrão treze. Depois da uniformização inglesa, a padronização se tornou uma tendência mundial. Atualmente, a procura por sapatos sob medida faz parte de um passado distante, em virtude do crescimento das indústrias especializadas em produções em massa.

Hoje, a profissão do sapateiro limita-se, praticamente, a consertar sapatos, estando a fabricação artesanal quase completamente extinta. Porém, sempre há aqueles que procurem o artesão experiente em busca de um modelo único e especial, o que valoriza muito a peça e traz reconhecimento ao sábio trabalho do sapateiro profissional.