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Produtora assistida pela Emater se torna agente de transformação em prol da comunidade

Margarida Sousa, artesã e empreendedora assistida pela EmaterPara celebrar o Dia Internacional da Mulher, neste 8 de março, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) publica, a partir desta segunda-feira, uma série de reportagens especiais que retratam o cotidiano feminino no contexto de atuação no meio rural, sejam agricultoras, produtoras ou extensionistas, sob diversos aspectos.

A primeira reportagem conta a história de vida e superação de Margarida Sousa, artesã e empreendedora assistida pela Emater há mais de quatro anos. Ela expõe e comercializa bonecas, bijuterias e artesanato dentro do projeto Feira Vitrine Artesanal da Emater.

Moradora do bairro Almir Gabriel, periferia do município de Marituba, na região metropolitana de Belém, Margarida viu sua história mudar a partir de uma grande dificuldade, em 2014, quando ficou desempregada. 

“Foi quando descobri que tinha habilidades para trabalhos manuais, como costura, artesanato, bijuterias. Tive que me reinventar, e foi neste período que conheci o trabalho da Emater. A partir disso, comercializo tudo o que produzo nas feiras itinerantes promovidas pela empresa. Isso mudou a minha vida”, conta.

Feiras – O Projeto Vitrine Artesanal envolve diretamente 87 famílias produtoras do Estado, a maioria lideradas por mulheres. A Emater firma parcerias com as iniciativas públicas e privadas, para que as assistidas comercializem seus produtos nas feiras itinerantes, promovendo a sustentabilidade ambiental, multiplicando técnicas artesanais e empreendedoras.

De acordo com Alda dos Remédios, engenheira agrônoma e chefe local da Emater em Marituba, o projeto Vitrine Artesanal tem como objetivo ser alternativa viável à comercialização direta de produtos e à melhoria na renda das famílias envolvidas, grande parte chefiadas por mulheres.

“A Margarida, por exemplo, vem sendo orientada pelos técnicos da área social da Emater, no segmento socioeconômico, assim como na melhoria dos seus artigos em artesanato – as bonecas de pano, as quais tem uma inspiração afrodescendente, além de marcas de personalidade de uma mulher forte e batalhadora”, diz.
Neste contexto, Alda reforça a importância do papel da mulher extensionista, que realiza um trabalho social importante junto às mulheres que são assistidas pela Emater, seja em apoio técnico ou em projetos de extensão.

Alda dos Remédios, engenheira agrônoma e chefe local da Emater em Marituba“Em um setor com constantes mudanças e evoluções, as mulheres exercem uma função fundamental na sociedade. No meio rural não é diferente: temos técnicas sociais que realizam um belo trabalho junto ao nosso público atendido”, afirma.

“A Margarida é orientada pelos técnicos da área social da Emater, no segmento socioeconômico, assim como na melhoria dos seus artigos em artesanato, principalmente com as bonecas de pano, as quais tem uma inspiração afrodescendente, além de marcas de personalidade de uma mulher forte e batalhadora”, pontua. 

MOCAMBO

Há nove anos, a artesã Margarida Sousa faz parte do Movimento Afrodescendente do Pará – Mocambo, organização que combate o racismo e todas as formas de violência contra pessoas negras. O movimento surgiu em 1988, e Margarida passou a integrar o grupo em 2012. Atualmente, é coordenadora estadual do Mocambo, que possui conselheiros de cultura, saúde, habitação, segurança pública, entre outros.

“Sou realizada por participar de um movimento tão importante para a sociedade. Eu me encontrei no Mocambo e tenho orgulho em ser uma agente de transformação. É um movimento que agrega e integra as pessoas”, analisa. Margarida desenvolve suas atividades no Núcleo Marituba, onde também é coordenadora desde 2015.

“Dentre as nossas atividades está a realização de rodas de conversas, oficinas, capacitações, além de proporcionar atendimento acolhedor e humanizado para mulheres que, por ventura, sofrerem qualquer tipo de violência”, comenta.

Bonecas de pano produzidas por MargaridaSOCIAL

Margarida tem no artesanato sua principal fonte de renda. Em 2015, ela criou a Rede de Empreendedores Negros que está presente em 14 municípios do Estado do Pará, desenvolvendo trabalhos relacionados a artesanato, pesca e agricultura. O objetivo é incentivar as pessoas a trabalharem seus “dons”, a partir de atividades que gerem retorno financeiro complementar. 

“Há cursos e oficinas de corte e costura, por exemplo. Em Tomé-Açu, nosso foco é na educação quilombola. Em Marituba, o artesanato e as práticas de reciclagem. Em Belém, temos um polo de cursinho para estudantes, em parceria com o Governo do Pará. Em 2020, 60 jovens foram aprovados em universidades. Isso é motivo de orgulho”, finaliza.