Blog

Private label na mira da Top Trends

Daniel Simões

A empresa não passou incólume ao turbilhão de altos e baixos registado no ano passado, mas nem tudo foi negativo nos últimos 12 meses. «Tivemos um grupo de clientes que se manteve e um novo que, por incrível que pareça, entra durante a pandemia e fez com que nos adaptássemos de uma forma rápida e não tivéssemos aquela preocupação de estar no desenrasque para fazer EPI’s e colmatar custos», revela Daniel Simões, CEO da empesa.

Depois do período inicial do impacto do confinamento, em que a Top Trends produziu máscaras e certificou batas e outros EPI’s, «a nossa preocupação foi imediatamente voltar ao nosso core business», sublinha o CEO. Com Espanha a representar pouco no negócio de private label e França parada «totalmente», tendo apenas retomado «há cerca de um mês», a Alemanha foi o pilar do negócio da empresa. «Foram clientes que, tirando um ou outro, suspenderam alguns meses as produções e desenvolvimentos mas retomaram e deram-nos esta ajuda de não pararmos totalmente e até reativarmos a 100% mais rapidamente», explica ao Portugal Têxtil

A empresa registou uma queda de 30% do volume de negócios, mas «apesar da faturação ter tido esta queda substancial, a nível de balanço da empresa não representou tanto», afirma Daniel Simões, «porque muitos dos clientes que estamos a trabalhar são clientes com produto de valor acrescentando e conseguimos ter margens diferentes que, em parte, compensaram esta quebra grande», aponta.

Atualmente, o private label representa cerca de 40% do volume de negócios da Top Trends, com o objetivo de equilibrar em 50%/50% com a marca própria. «Penso que em breve chegaremos lá, porque de ano para ano temos aumentado o private label, a reação dos clientes tem sido boa», admite.

Isso deve-se, por um lado, ao cuidado que a empresa coloca na relação com o cliente. «Tentámos sempre fazer o follow up, perceber se a mercadoria chegou de acordo com a expectativa, se o transporte funcionou bem, se todos os detalhes que englobam o produto em si estavam de acordo e se igualaram ou superaram as expectativas. É uma preocupação nossa, até porque, se houver algum erro e não soubermos, não vamos poder corrigir no futuro», assegura Daniel Simões. É com isso, de resto, que têm surgido novos clientes. «Por exemplo, um dos clientes novos que entrou na pandemia veio por recomendação de outro e isso, para nós, é excelente», salienta.

Por outro lado, a sustentabilidade tem sido também uma aposta. A Top Trends tem licenciamentos da Lenzing para utilização de Tencel e EcoVero. «É uma parte que tem também trazido clientes», reconhece o CEO, sobretudo em mercados como a Alemanha e o Norte da Europa, «onde se sente essa preocupação e não olham para o produto como uma mera questão de preço e lucro», acrescenta.

MDS em velocidade de cruzeiro

Esta preocupação com a sustentabilidade traduz-se igualmente na marca própria Mad Dragon Seeker (MDS), que na coleção para o outono-inverno apresenta propostas em Tencel e com fibras recicladas, como poliéster e algodão. «A parte mais difícil ainda continua a ser conseguir passar a mensagem e tentar fazer perceber que é um produto que tem que ser vendável, porque todas as empresas vivem de números, mas que é importante conseguirmos acrescentar valor, nem que seja esta questão ambiental», confessa Daniel Simões.

Para a próxima estação, a marca procurou também um posicionamento ligeiramente mais jovem. «Há sempre uma preocupação nossa da coleção ser o mais transversal possível. O trabalho que tentamos fazer é que as peças sejam versáteis ao ponto de darem para mais de uma situação e também para gerações diferentes», destaca.

Os objetivos para a MDS são, contudo, diferentes dos do private label. «As marcas são sempre um projeto bonito, desafiante e é algo que não fazemos intenção de abandonar, mas cada vez mais temos que fazer equilíbrios, porque os mercados são mais complicados, as coisas mudam de um momento para o outro – mesmo sem contar com a pandemia – e as marcas têm dificuldade em acompanhar», esclarece. «Então optamos por, durante algum tempo, não fazermos pesquisa de novos mercados para a marca. Neste momento fazemos Portugal, Espanha e França e não estamos em busca de mais um mercado – estamos a dar seguimento aos mercados que temos. Se pudermos crescer mais nesses mercados, obviamente que não vamos impedir esse crescimento, mas fazer investimento para ir para um mercado novo, neste momento, não o estamos a fazer», resume Daniel Simões, ressalvando, todavia, que «se o mercado vier ter connosco, não vamos fechar as portas».

Com produção a ser subcontratada a parceiros externos – a modelagem, corte, alguns acabamentos e as amostras são feitas internamente –, a flexibilidade é uma das características da Top Trends, que, neste início de ano, tem sentido uma certa normalidade. «Algumas encomendas passaram para 2021 porque não havia a possibilidade de as produzir em 2020», adianta o CEO, realçando, no entanto, que «neste momento, fazer uma previsão para 2021 é muito complicado». Até porque «habituamo-nos agora a trabalhar o dia a dia, a fazer planeamentos curtos». Não obstante, «se as coisas evoluírem como estão a evoluir, positivamente, acredito que possamos ter um ano de 2021 interessante. Mas é preciso que os mercados ganhem confiança e alguma segurança no sentido em que as coisas que não fiquem sanadas, fiquem pelo menos controladas», conclui.