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Presidente do Sintex avalia perspectivas para o setor têxtil e de confecção

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15 de out de 2020

Diante das projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) – que apontam para uma queda de 5,8% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2020 e de 2,8% em 2021 –  e dos estudos sobre queda do poder de compra do brasileiro e aumento das taxas de desemprego este ano e ano que vem, o presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário (Sintex) José Altino Comper avalia que o setor têxtil e de confecção ainda passará por grande instabilidade. Ele lembra que o cenário apresentou breve melhora em função da demanda de fim de ano para Black Friday e Natal, mas ressalta que ainda é cedo para comemorar.

Produção do setor têxtil brasileiro apresentou breve melhora em função da demanda de fim de ano para Black Friday e Natal – Burgess Milner on Unsplash

“Essa demanda maior de produção registrada agora é positiva, sem dúvida, mas, para 2021, ainda está tudo muito incerto. Todos os indicadores dependem da evolução da pandemia e de que não seja preciso dar passos para trás”, afirma José Altino Comper.

O executivo explica que o setor têxtil tem reagido de forma surpreendente, mas que é preciso considerar que, somente no acumulado de 2020, houve uma redução de 65.236 vagas de emprego.

“Há três meses, as perspectivas apontavam para uma grande massa de empresas quebradas. No momento, vemos demanda acima da capacidade para algumas empresas. Mas, há muito riscos envolvidos no cenário atual, como o câmbio e uma possível alta na inflação. Todo o planejamento atual precisa levar em consideração dois tipos de cenários: um mais otimista, sem esquecer de uma possível evolução para um cenário de baixa demanda”, descreve Comper.

Para enfrentar os desafios, o presidente do Sintex orienta que as indústrias revejam estratégias, processos e custos: “É preciso planejar coleções mais assertivas, com uma produção sem desperdícios, com criatividade e qualidade para encantar o público. O consumidor fica mais exigente em períodos de crise, não só em termos de custos, mas também de qualidade, design, versatilidade. Além disso, buscam por peças menos datadas, atemporais.  

O executivo afirma também ser importante o investimento no comércio online, uma vez que a pandemia acelerou o processo de digitalização do consumo: “A internet é uma ferramenta importante para as marcas serem encontradas, desenvolverem seu branding, despertando o desejando do consumidor e auxiliando nas vendas, sejam elas online ou físicas”, destaca Comper.

Segundo dados do IEMI – Inteligência e Mercado, de janeiro a junho, o segmento de vestuário registrou, uma queda de 36% em volume de peças comercializadas, comparado o mesmo período de 2019. O saldo previsto para 2020 é de uma queda de 18,4%, no varejo de vestuário, o que representa uma perda de comercialização de 1 milhão e 100 mil peças.

Conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), no Brasil, em agosto, o setor têxtil e do vestuário abriu 6.871 vagas de emprego. No entanto, no acumulado do ano, o saldo é negativo, pois houve uma redução de 65.236 vagas de emprego.

 

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