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Plataforma virtual pretende reunir registros da produção em dança no CearáPlataforma virtual pretende reunir registros da produção em dança no Ceará | Vida & Arte – O POVO

Espetáculo ‘O Tempo da Paixão’, da Cia. da Arte Andanças (Foto: Marilia Camelo / divulgação)

Com o objetivo de destacar os percursos históricos de grupos, coletivos, escolas e indivíduos que construíram e constroem a linguagem no Estado, será lançada virtualmente neste sábado, 19, às 20 horas, a Plataforma Dança no Ceará – Catálogo da Dança Cearense. O projeto é dos bailarinos e pesquisadores João Paulo Barros, Linhares Júnior e Victor Hugo Portela, em parceria com o Karthaz Studio e a Prodança. O lançamento ocorre na página do Instagram da plataforma.

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Conforme explica João Paulo, atual coordenador do Programa de Dança do Centro Cultural Bom Jardim, a plataforma terá caráter aberto e colaborativo e será possível que os próprios espaços e indivíduos cadastrem perfis e materiais no catálogo. “Pretendemos que o site seja esse canal onde os artistas locais possam organizar seus materiais e disponibilizá-los a quaisquer interessados, facilitando o fluxo de contato entre profissionais da dança, público e pesquisadores”, resume.

A ideia da plataforma surgiu a partir do encontro dele, do mestrando em Dança pela Universidade Federal da Bahia e integrante da Prodança – Associação de Bailarinos, Coreógrafos e Professores de Danças do Ceará, Victor Hugo Portela, e do bailarino e gestor do Karthaz Studio, Linhares Júnior, em uma comemoração virtual pelo dia da dança, no fim de abril.

Dança no Ceará irá reunir registros de pesquisas históricas, atuais e futuras na área, bem como também atuar enquanto espaço de divulgação de trabalhos e ações de artistas, companhias e escolas. “Ao mesmo tempo que gera registro, o Catálogo pretende auxiliar na visibilidade dos projetos nele veiculados, a fim de fortalecer o engajamento com a cena local”, afirma João Paulo.

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A costura entre tempos, defende o artista, é uma forma de ressaltar iniciativas por vezes esquecidas ou invisibilizadas. “Cometemos inúmeros erros enquanto sociedade ao não olhar para nossa própria história, ao não conseguir identificar falhas de percurso que poderiam ser evitadas. Para além dessa visão utilitarista da história, há também uma dimensão ética e até mesmo estética, ligada ao modo como construímos as relações humanas, sobre como olhamos para nossa ancestralidade e geramos novos sentidos e perspectivas de mundo. Nessa perspectiva, a gente olha o outro, olha o passado, para se reconhecer”, elabora.

Espetáculo 'Prelúdios para Danças Caboclas', da Cia Balé Baião (Itapipoca/CE)
Espetáculo ‘Prelúdios para Danças Caboclas’, da Cia Balé Baião (Itapipoca/CE) (Foto: Thiago Soares / divulgação)

Dança no Ceará busca, enfim, estimular tais processos de reconhecimentos de si e da História. “Precisamos encontrar os registros que nos comprovam as outras possibilidades de se experienciar, experimentar e fruir dança”, defende João Paulo. “São muitas histórias a serem contadas e ouvidas. Se desejamos ter ainda histórias para contar no futuro, precisamos não apenas tornar públicos os registros que ainda temos do passado, mas gerar os registros do presente também, ou continuaremos sem conseguir acessá-los no futuro, sem conhecimento de nossa própria história”, avança.

Lançamento de Dança no Ceará – Catálogo da Dança Cearense

Quando: sábado, 19, às 20 horas
Onde: Página do projeto no Instagram
Mais informações: www.dancanoceara.org e @dancanoceara