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PIB mineiro registra crescimento de 8,1%

A produção da indústria têxtil aumentou 42,3% no terceiro trimestre em relação aos três meses anteriores em Minas | Crédito: Gilson Abreu

Após um período de intensos desafios com os reflexos da pandemia da Covid-19, o Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais avançou 8,1% no terceiro trimestre deste ano em comparação com os três meses anteriores. O dado foi divulgado na sexta-feira (11) pela Fundação João Pinheiro (FJP).

Segundo a entidade, a alta do índice de volume do PIB do Estado no período analisado foi a maior da série histórica com ajuste sazonal das Contas Trimestrais de Minas Gerais, que teve início no ano de 2002.

Embora os números sejam de crescimento, porém, o pesquisador e coordenador de Contas Regionais da FJP, Raimundo Leal, ressaltou, em evento on-line, que eles não foram capazes de repor as retrações vistas no primeiro e segundo trimestre deste ano no Estado. Para se ter uma ideia, ainda há recuo de 5,2% no acumulado do ano e de 2,7% quando se compara o terceiro trimestre deste ano com igual período de 2019.

“É importante perceber que essa recuperação no terceiro trimestre foi vigorosa, sem dúvida, mas ela não conseguiu ainda repor todas as perdas do primeiro e depois do segundo trimestre de 2020”, disse ele.

Setores – Os dados da FJP também revelam quais foram os segmentos que mais impulsionaram o resultado positivo do PIB mineiro no terceiro trimestre deste ano. Nesse cenário, o mais representativo foi a indústria da transformação (21,1%), seguida pelo comércio (16,1%).

“A indústria da transformação é um setor que representa 14% da economia. Se tudo mais tivesse permanecido constante, apenas a indústria de transformação tivesse apresentado crescimento, o PIB de Minas já teria tido um crescimento de 3% em relação ao trimestre imediatamente anterior”, pontuou Leal.

O estudo da entidade também mostra que, nesse segmento, o destaque do terceiro trimestre foi a fabricação de bebidas e a retomada de setores que foram prejudicados com paralisações no segundo trimestre deste ano.

Segundo a pesquisa, com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção física de bebidas, com ajuste sazonal, avançou 28,9% no Estado no terceiro trimestre em comparação ao trimestre anterior.

Na mesma base de comparação, a produção do setor têxtil apresentou um incremento de 42,3% em Minas Gerais. Outros avanços representativos no Estado foram registrados em máquinas e equipamentos (45,2%) e veículos (190,5%).

Já no que diz respeito ao comércio, destaca o estudo da entidade, “a expansão de 16,1% no volume de Valor Adicionado Bruto (VAB) em Minas Gerais no terceiro trimestre de 2020 pode ser creditada à ampliação no volume de vendas em segmentos correlatos aos que tiveram recuperação na indústria de transformação (como nas vendas de veículos, peças e acessórios, e de tecidos, vestuário e calçados), além do resultado favorável no comércio varejista de uso pessoal e doméstico”.

O segmento de construção civil também apresentou alta no terceiro trimestre em relação ao segundo, de 6,5%. “Esse resultado é corroborado por dois acontecimentos. Primeiro, a recuperação, em igual período, do pessoal ocupado na construção civil no Estado conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua); segundo, o crescimento do estoque de empregos formais captado pelo Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) nesse setor”, aponta o estudo da FJP.

Durante o evento on-line realizado, na sexta-feira (11), pela FJP, o coordenador de Contas Regionais da entidade, Raimundo Leal, falou acerca da importância do auxílio emergencial e de como o cenário poderá ficar na hipótese de a medida realmente acabar.

“Não há dúvida de que esses resultados (PIB do terceiro trimestre) são reflexos, em primeiro lugar, do efeito sobre a demanda desse grande volume de renda que 60 milhões de brasileiros ou mais puderam apropriar”, salientou.

Dessa forma, a ausência do auxílio emergencial poderá refletir negativamente nos mais diferentes segmentos, pontuou ele.

“Vamos trabalhar com esse cenário: o auxílio não vai ser continuado a partir de janeiro. Nesse caso, boa parte desses segmentos que puxaram a nossa recuperação vão ser afetados negativamente”, disse.

Por outro lado, destacou Leal, deverá existir o chamado efeito vacina em 2021, trazendo uma recuperação da economia mundial com a vacinação em outros países e, com isso, também favorecendo o Brasil. Além disso, a vacinação por aqui também trará perspectivas melhores, avaliou.