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Orfama digitaliza produção – Portugal Têxtil

António Cunha

«Como toda a gente sabe, 70% dos têxteis do futuro ainda não foram concebidos. As empresas vão ter que se preparar para essa grande mudança que vai existir», garante António Cunha, sales area manager da Orfama. O primeiro desafio, aponta, será criar uma indústria 4.0, «investir em tecnologia para poder baixar os custos de produção e, ao mesmo tempo, tornar a empresa mais competitiva no mercado».

Com esse objetivo, a Orfama apostou em teares wholegarment de última geração, assim como em sistemas de produção e tecnologias de informação. «Fizemos um investimento à volta de um milhão de euros entre 2018 e 2019 em maquinaria mais eficaz e mais rentável e estamos no desenvolvimento de gestão digital, para que possamos controlar de forma mais eficaz todo o processo produtivo e a gestão de produto», revela ao Jornal Têxtil.

Neste momento, a empresa está a implementar «programas mais eficazes para a produção» e é capaz de identificar «até à unidade» onde se encontram os produtos para «podermos organizar melhor a produção e dar uma resposta rápida ao cliente», justifica. Para conseguir isso, os teares estão ligados a um sistema que contabiliza cada peça. «Sabemos exatamente onde é que a peça se encontra, o que é que tem que ser feito, quanto tempo é que demora a sair e podemos dar essa informação precisa ao cliente», adianta o sales area manager.

Os novos equipamentos wholegarment permitem ainda trabalhar a sustentabilidade, uma área que é também cara à Orfama. «Estes teares evitam o desperdício e, ao mesmo tempo, tornam-nos mais competitivos. Quando estamos a trabalhar com fios de grande qualidade, muito caros, tem que haver um controlo muito preciso do sistema produtivo para que haja o mínimo de perdas possível. Estamos a falar de caxemira, que custa 200 euros o quilo, de seda, que custa 180 euros o quilo. Se não tivermos uma gestão integrada e um processo de controlo das matérias-primas, todo o benefício que possamos ter do produto é perdido», explica António Cunha.

Um controlo importante, sobretudo numa altura como esta, em que a incerteza domina o mercado e a recuperação está a arrancar lenta após o confinamento. «Sentimos uma quebra como todas as empresas sentiram. Nos meses de março, abril e maio estivemos a fazer máscaras para um segmento de mercado diferente, para ocupar parte da produção que perdemos de clientes, e agora estamos a fazer private label», indica o sales area manager. «O futuro ninguém sabe, estamos apreensivos, como toda a gente está, mas estamos na luta para tentar dar a volta à situação e esperar que o mercado reaja rapidamente para conseguirmos manter a atividade como estava previsto», acrescenta.

A Orfama antecipa uma queda «no mínimo à volta dos 20%», depois de em 2019 ter registado um volume de negócios a rondar os 6 milhões de euros. «Esta queda poderia ser eventualmente ocupada por clientes novos, mas demora tempo, o barco ainda está no meio da tempestade e temos que saber quanto tempo vai demorar até passar tudo isto. Há muitos países que estão com problemas graves de Covid-19, que neste momento se estão a agravar mais, e não sabemos quais são as consequências que vão advir daí», admite.

A empresa, que emprega 220 pessoas, produz vestuário em malha em private label e para a marca Montagut, do grupo epónimo do qual faz parte, e vende um pouco para todo o mundo. «A crise é global, afeta todos os países. Não temos um mercado que seja um escape e isso cria muita incerteza», reconhece António Cunha. «O desafio, por isso, vai ser maior. Até que voltemos àquilo que éramos antes da pandemia vai demorar alguns anos, no mínimo cinco anos», assegura. Mas nessa altura, assevera o sales area manager, «serão matérias-primas diferentes, a mentalidade das pessoas vai ser diferente. O mundo está a mudar muito rápido, muita coisa nova está a caminho e é isso que vai moldar as empresas». Por isso, a presença em feiras, que faz parte da estratégia da Orfama, é essencial. «As empresas têm que estar presentes nas feiras para sentir o mercado e saber quais são as orientações que têm que tomar para que, no futuro, sejam instituições rentáveis», sublinha.