O que os eleitores esperam dos candidatos a Prefeituras e Câmaras na região – Cotidiano

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Reportagem: Priscila Carvalho, Matheus Beck, Shállon Teobaldo e Laura Gallas.

Promessas de uma nova política, resolução dos problemas atuais e de progresso inundam os cotidianos dos brasileiros às vésperas de eleições. Os candidatos recebem espaço, investem em divulgação e contam com a audiência de seus públicos para alcançarem a vitória. No dia 15 de novembro (exceto Canoas, que pode ter segundo turno, no dia 29 de novembro), os municípios da região definem prefeitos e vereadores para os próximos quatro anos. Aproveitando que os temas estão em pauta, a reportagem foi às comunidades ouvir as necessidades pela voz da população. Nos bairros mais populosos e centros comerciais de Novo Hamburgo, São Leopoldo, Canoas e Gramado, pessoas opinaram sobre as melhorias que devem estar alinhadas não somente nos discursos, mas na prática.

As eleições ficarão marcadas de maneira histórica. Os cuidados de higiene, por consequência da pandemia do novo coronavírus, deverão ser seguidos pelos brasileiros. Será necessário o uso obrigatório de máscara facial, que poderá ser baixada apenas se o mesário solicitar para a conferência da identificação. Nas filas, o respeito à distância mínima de um metro será exigida, assim como o uso de álcool gel antes e depois da utilização da urna eletrônica.

O que segue, de alguma maneira igual, é a forma de divulgação. De 9 de outubro a 12 de novembro – três dias antes das eleições – a propaganda eleitoral gratuita é liberada. Na televisão, rádio, folhetos e também campanhas pelas ruas, os candidatos distribuem propostas em meio a novos e conhecidos rostos dos eleitores.

O professor da Feevale e cientista político Everton Rodrigo Santos, docente do Programa de Pós-Graduação em Diversidade Cultural e Inclusão Social da instituição, traçou uma avaliação sobre as necessidades da região. “Entre os maiores problemas que temos visto em nossas pesquisas estão aqueles relacionados à saúde, à violência e ao emprego de uma forma geral. Principalmente neste cenário de pandemia.” Sobre os cuidados na hora de confirmar o voto, Santos citou a desconfiança como o principal detalhe a ser observado. “Assim, escolher um candidato implica em ver se os interesses dele coincidem ou pelo menos estão mais próximos dos teus interesses como cidadão. Para isto é necessário observá-lo atentamente para além do pleito eleitoral.”

Com o advento de redes sociais e facilidades nas buscas e pesquisas adentrando detalhes das vidas públicas e particulares dos concorrentes, o professor aconselhou esta tarefa importante para embasar a escolha. “Está tudo lá na Internet. Dê uma boa olhada na vida pregressa de seu candidato, olhe as redes sociais, as frases, imagens, seus vídeos. Olhe a declaração de renda e de bens dela, dele, seu salário (se é funcionário público), depois cruze os dados. Tem candidato a prefeito pelo Brasil afora, por exemplo, que é médico, funcionário público, mais de 70 anos, que não tem bens declarados. Ou ele é um incompetente, que não conseguiu administrar a sua própria vida patrimonial e quer administrar a nossa, ou ele acha que o cidadão é um idiota completo.”

Novo Hamburgo, segurança e oportunidades

Os colégios eleitorais dos municípios se ramificam. Os bairros possuem especificidades e estruturas distintas dos centros. Ao mesmo tempo, as relações se interligam à medida que os trabalhadores das áreas comerciais utilizam transporte público e circulam pelas mais variadas regiões.

No bairro Santo Afonso, Ronaldo Pereira, 23, que trabalha com obra e reside na Vila Marrocos, falou sobre as necessidades locais. “Tem que arrumar as ruas. Eles mexem no Centro e acabam esquecendo da gente nos bairros. A Vila Marrocos foi esquecida”, afirma. Segundo Ronaldo, é preciso também o auxílio aos que buscam se inserir no mercado de trabalho e não possuem privilégios e escolaridade. “Tem que ter mais emprego e ajuda para quem não tem estudo”, solicita. A contadora aposentada Carla Eliane Riegel Rosa, 53, reside no bairro Ouro Branco, apesar de frequentar a Santo Afonso para compras. “A segurança, área da saúde e educação são os três pilares. Já fizeram grandes trabalhos, mas há muito a melhorar ainda. Espero que os futuros vereadores também atendam essas necessidades”, afirma a hamburguense.

No Centro da cidade, a comerciária Fernanda Maria Eissmann, 36, retrata um pouco de outra necessidade do município. “O fomento dos governantes em trazer, movimentar o comércio local com alguns incentivos que a gente não tem. As feiras ficaram fechadas este ano e elas traziam pessoas de outras cidades. Se adaptar e buscar novos recursos para o município.” A segurança, ao mesmo tempo, tem de caminhar com este progresso para a comerciária. “Aqui no Centro, a gente preza muito pela questão de segurança que é fundamental. É a parte importante para exercermos nosso trabalho. É uma das coisas que a gente sempre precisou. Antes, durante a pandemia e também agora”, ponderou.

Complementando a pauta da tranquilidade à população que circula pela região, João Carlos da Silva, 60, que trabalha em óptica no Centro da cidade há 35 anos e reside no bairro Canudos, também opinou. “Tu podes ver o calçadão, por exemplo. Essa semana que colocaram a Guarda Municipal depois que deu uma briga nas bancas. Chega as 7 horas da noite isso aqui está abandonado. Já que reformaram, custava colocar umas câmeras para ver essa questão da pichação?”, sugeriu o hamburguense, que elogiou iniciativas de Gramado. “Lá proíbem a distribuição de folhetos. Ou seja, menos poluição.”

Gramado do turismo e também dos moradores

“Eu acho que Gramado precisa do turismo, mas o próximo governo não pode esquecer dos moradores. Até hoje as administrações foram voltadas para o turismo. Eu concordo que é essencial, é muito importante, mas não pode ser esquecido do povo”, afirma o corretor de imóveis Vitor Prass, 43, morador do bairro Dutra, que também aposta em melhorias na mobilidade. “É precária principalmente em altas temporadas. O novo líder da cidade tem que pensar também na nossa mobilidade urbana, isto com urgência, e planejamento de pessoas que entendam do negócio. É importante uma ligação entre bairros para facilitar o tráfego, além de pista para ciclistas para incentivar as práticas esportivas dos moradores.” Roque da Silva, 74, gerente financeiro, trata da infraestrutura. “Não tem mais como construir prédios, tem que dar condições a estes que já existem.” Roque ainda salientou a preocupação com turistas. “As pessoas precisam encontrar uma cidade limpa e com infraestrutura para recebê-las. Elas vão continuar vindo para Gramado e a gente, cada vez mais, vai ter problema com trânsito, por exemplo.” A professora Justine Prinstrop, 26 anos, moradora do bairro Várzea Grande, elogiou a autossuficiência do município, mas reivindicou olhar para toda a população. “Eu espero do próximo prefeito um maior comprometimento com políticas sociais que visem a qualificação dos jovens para o mercado de trabalho, o incentivo à educação através do esporte e de projetos culturais em turno integral, além da manutenção de necessidades básicas.”

Canoas, maior fiscalização e investimentos

Em Canoas, as necessidades variam. Ivani Maria Zandoná, vendedora ambulante no Centro há 25 anos, fala sobre a relação com a estrutura urbana pouco reformada. “As calçadas do Centro precisam de manutenção, muitas quebradas, com buracos. É perigoso. Além disso, acho essencial que façam uma abertura adequada no Calçadão para entrada de ambulâncias, pois às vezes acontecem emergências e os profissionais da saúde não conseguem chegar.”

Nádia Corrêa, taxista no Centro e moradora do bairro São José, pede pela atuação mais constante nas ruas. “Precisamos de mais fiscalização no trânsito. Pois, quando necessitamos, não tem ninguém para atender. Sem contar as vias esburacadas, falta de asfalto, sinalização precária, que para quem circula todos os dias no trânsito da cidade faz muita diferença.” Joel dos Santos, barbeiro, morador do bairro Mathias Velho, pede segurança. “Precisamos de mais policiamento nos bairros e investimento para que a população possa circular pela cidade sem medo.”

Marjorie Souza, costureira, moradora do bairro Mathias Velho, reclama da ausência de investimento na saúde. “Eu tive contato com um infectado por Covid-19 e não tinha teste suficiente no posto. Faltam médicos, a saúde está um caos”, desabafa, dizendo que perdeu o emprego na pandemia e teve que dar um jeito de abrir um brechó e um ateliê de costura para continuar sobrevivendo. “É preciso pensar na questão do desemprego também.”

São Leopoldo, a limpeza e a educação

Morador do bairro Padre Reus há 18 anos, o empresário Jorge Sehn, 67 anos, desloca-se diariamente até a sua cafeteria, localizada na Rua Independência, no Centro de São Leopoldo. Para os próximos quatro anos, ele espera melhorias no aspecto da área central. “Precisamos de mais cuidado desta região. Está muito feio atualmente. A poluição visual das nossas lojas está demais. Talvez precisasse de uma regra para todos seguirem”, comenta. Com relação à Segurança Pública, Sehn aponta que, durante o período da pandemia, o efetivo está reforçado, com apoio de um ônibus da Brigada Militar estacionado na via, além de carros da Guarda Civil Municipal circulando pela cidade. O aposentado da indústria do couro, Luiz Carlos Costa Silva, 65, que mora na Feitoria há cerca de 40 anos, pede maior atenção para a segurança local, necessária mesmo com a existência de posto da Brigada Militar, e também sugeriu outra temática para os políticos. “Eu acho que está faltando muita coisa. Mas eu ainda acho que a prioridade é a educação”, salienta. Proprietária de uma vidraçaria no mesmo bairro, Letícia Bueno, 31, valoriza o crescimento local. “Aqui todo mundo gosta, porque não precisamos sair para o Centro para fazer quase nada”, diz, por conta da área comercial do bairro. Mas, alguns pontos fazem falta, como mais agências bancárias e uma dos Correios, que facilitaria o acesso para muitos. Além disso, e também por estar numa área comercial, Letícia concorda com Silva em relação à segurança. “Acho que poderíamos ter mais rondas”, reforça.

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