O homem sonha, a obra nasce: a esperança na indústria da Moda

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No mundo da Moda, a esperança é um sonho que se cose fio a fio, pluma a pluma, lantejoula a lantejoula. No mundo da Moda, a esperança é um sonho que se reflete na cor, nos detalhes, no volume. No mundo da Moda, a esperança é um sonho que nos deixa sonhar.

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Future faith 

Diz-nos a definição que a esperança é uma “disposição do espírito que induz a esperar que uma coisa se há de realizar ou suceder”. Tradução: a esperança é sobre o futuro, e o futuro (pelo menos no que à indústria da Moda diz respeito) sempre foi sobre Paco Rabanne. Do uso de materiais pouco convencionais como alumínio, placas metálicas e plásticos moldados a criações igualmente inovadoras, o design avant-garde do criador ajudou a catapultar a Moda para uma nova era de entusiasmo, e a mulher para uma nova era de feminilidade independente. “Os meus vestidos são um sucesso porque são chocantes. É impossível para uma mulher usar um e não ser notada”, disse Rabanne sobre as suas criações. “Imaginei que uma mulher que trabalha o dia todo em sapatos rasos e fatos conservadores precisava de recapturar o seu mistério e feminilidade no final do dia. A minha responsabilidade era dar-lhe uma segunda pele – farfalhuda, iridescente, fosforescente, suave mas afiada, maleável mas rígida, transparente mas opaca.” Hoje, o sonho do criador continua sempre que uma malha metálica atravessa a passerelle como testemunho de um amanhã mais livre – e, nas palavras de Julien Dossena, diretor criativo da marca, “quando penso em Paco Rabanne, não penso em retro – penso em revolução, rebelião e renascimento”.  

Primeiro contacto

Ines de la Fressange at the Chanel Haute Couture Fall/Winter 1983 show ©Getty Images

Se é a imagem que nos vem à cabeça quando pensamos em Alta-Costura? Provavelmente não. Se é a imagem que nos vem à cabeça quando pensamos num coordenado dito de sonho? Provavelmente não. Se é a imagem que devíamos ver numa lista sobre momentos em que a Moda foi um sonho tornado realidade, um sonho que nos enche de esperança num amanhã um pouco mais rico? Sem dúvida nenhuma. Afinal de contas, esta imagem de Ines de la Fressange documenta aquele que foi o primeiro desfile de Karl Lagerfeld ao leme da Chanel – e aquilo que Karl Lagerfeld fez desde o primeiro ponto que deu para a Casa francesa foi, na falta de uma forma menos cliché de o descrever, um verdadeiro sonho. Das criações que moldaram uma nova era para a maison, transformando o nome Chanel num termo de culto, moderno e tentador, aos sets megalómanos dos seus desfiles (perdão, dos seus megaacontecimentos que não passavam ao lado de ninguém), Lagerfeld pôs o M em Moda. Deu-lhe momentum, alegria, significado. Fez dela um espetáculo que merecia ser visto da primeira fila, com a maior atenção ao detalhe possível. E tudo começou ali, naquele desfile Alta-Costura outono/inverno 1983. 

Quando a primavera chegar

Kate Moss at the Yves Saint Laurent Spring/Summer 1993 Couture show ©Getty Images

Não é segredo que os florais são um staple (groundbreaking ou não, são um staple na indústria da Moda. Interpretado e reinterpretado das mais diversas formas e nos mais diversos formatos, o padrão que associamos a um certo sentido de beleza, cor e feminilidade é, simultaneamente, distopia em Richard Quinn, kitsch em Moschino (case in point, aquela vez em que Gigi Hadid desfilou como um bouquet de flores, no sentido literal do objeto), feminilidade na Dior de Raf Simons, e Kate Moss na coleção couture primavera/verão 1993 de Yves Saint Laurent. Porque é que dizemos que as flores são sinónimo de Kate Moss em Yves Saint Laurent? Porque o momento em que Kate Moss surgiu no desfile Alta-Costura primavera/verão 1993 da Casa francesa, vestida num estonteante coordenado floral, permanece uma das mais imaculadas e inesquecíveis aparições do padrão na passerelle. Como escreveu Julia Hobbs, editora de Moda e tendências da Vogue International, esta interpretação de Yves Saint Laurent “foi nada menos do que intoxicante”. No bom sentido, claro.  

A star is born 

Kate Moss at the Atelier Versace Fall/Winter 1995 show ©Getty Images

Há uma linha que separa os desfiles de Alta-Costura dos anos 90 dos desfiles de Alta-Costura de Atelier Versace dos anos 90, e essa linha é Gianni Versace. A alta voltagem que definia as suas criações era a mesma alta voltagem que se sentia na passerelle da Casa italiana, o sítio onde a “experiência Versace” – ruidosa, extravagante e um tanto épica – acontecia em toda a sua plenitude e magnitude. Uma das provas mais sólidas desse sentimento foi o outono/inverno 1995 de Atelier Versace, um affair entre as musas supermodelos (Carla Bruni, Shalom Harlow, Naomi Campbell, Helena Christensen, Kristen McMenamy, you name them, they were there) de Gianni e os coordenados ultrabrilhantes por ele criados, sendo o mais notório o vestido usado por Kate Moss para encarnar o papel de “noiva” e fechar o desfile. O momento foi nada mais nada menos do que uma estrela cadente a cruzar os céus sem pedir licença. No fundo, os sonhos de Gianni Versace podiam não ser cor-de-rosa e inocentes, mas eram certamente resplandecentes – muito resplandecentes. E se esses sonhos não são aqueles que queremos ter quando deitamos a cabeça na almofada, não sabemos quais serão.

Fora deste mundo  

Thierry Mugler Haute Couture Spring/Summer 1997 ©Getty Images

É quase impossível falar de sonho na indústria da Moda sem referir o imaginário incontornável de Thierry Mugler, um dos mais importantes criadores da era moderna. Com ele, o exercício do design e da beleza não conhecia qualquer limite, e a esperança era depositada numa mulher emancipada, irreverente, extravagante e completamente “fora deste mundo”. Das figuras celestiais às mulheres tipo sereia(o mundo aquático sempre foi uma inspiração fértil para Thierry Mugler) que desceram à Terra e deram à costa nos seus desfiles dos anos 80, sem esquecer a experimentação que acompanhou a década seguinte, com coordenados transformados em construções automobilísticas e uma estreia que injetou modernidade e ousadia à Alta–Costura, o mundo de Mugler é um mundo de fantasia, no sentido mais literal da palavra, onde criaturas híbridas e figuras robóticas conviviam com mulheres sensuais e ultrapoderosas. Dito de outra forma, o mundo de Mugler é um sonho fantástico – daqueles que queremos reviver vezes e vezes sem conta. 

A Galliano kind of magic

Christian Dior Haute Couture Spring/Summer 1998 ©Getty Images

É considerado como um dos mais extraordinários desfiles de todos os tempos, e a honra não é dada ao acaso. Vamos por partes: o cenário foi a majestosa Opéra Garnier, em Paris; a inspiração foi Marchesa Casati, a extravagante e excêntrica herdeira italiana que no início do século XX ficou conhecida em toda a Europa devido ao seu estilo decadente; o cast incluiu modelos como Nadja Auermann, Eva Herzigova, Erin O’Connor e Carolyn Murphy; e os coordenados, das silhuetas esculturais e cintadas aos sumptuosos vestidos de noite com padrões Art Nouveau, foram pura poesia em movimento. Resumindo, foi exuberante, teatral, dramático, transcendente. Resumindo, foi John Galliano para a Dior. “Quando procuras ‘desfile de Moda’ no dicionário, este é o desfile que deveria lá estar”, defendeu Tim Blanks sobre a impressionante coleção Alta-Costura primavera/verão 1998 do criador britânico para a Casa francesa. “Já disse on the record que este é o meu desfile favorito de todos os tempos. A forma como tudo se interligou, o staging e as roupas e o setting, foi como se todas as experiências psicadélicas que todas as pessoas já tiveram nas suas vidas se tivessem concentrado num espaço de dez minutos. E depois isso vezes cem.”

Monumental McQueen

Erin O’Connor, Alexander McQueen Spring/Summer 2001 ©Getty Images

A Moda tem o poder de nos transportar para outros mundos, outras realidades, e outros tempos, e ninguém compreendia esse poder tão bem quanto Alexander McQueen. Pelo génio visionário do britânico, um coordenado era sempre mais do que um coordenado: era uma história, um enigma, um momento de reflexão. Pelo génio visionário do britânico, um desfile era sempre mais do que um desfile: era uma experiência, um acontecimento místico, um momento quase transcendente. E ainda que os seus temas fossem frequentemente controversos e um tanto sombrios, havia sempre uma qualidade de sonho (um sonho complexo, mas nem por isso menos belo) em tudo aquilo que Alexander McQueen fazia. Como escreveu Aria Darcella, num artigo publicado no CR Fashion Book aquando dos dez anos da morte do criador britânico, “o legado de McQueen enquanto designer é impulsionado pelo seu trabalho provocador. Mas, ao contrário de outros provocateurs (Jean Paul Gaultier, que era rebelde com um piscar de olho, Martin Margiela, que recusou envolver-se, e Vivienne Westwood, uma punk no sentido literal), McQueen desafiava o público ao explorar conceitos de forma pictórica, pegando em temas obscuros através do design sumptuoso e da beleza. Não queres ler sobre o pensamento que está por detrás do seu trabalho (ainda que as histórias sejam muitas vezes fascinantes). Só queres olhar para ele.” 

Say yes to the dress

Linda Evangelista at the Chanel Haute Couture Fall/Winter 2003 show ©Getty Images

Pergunte a qualquer pessoa qual é o ponto alto (ou um dos pontos altos, melhor dizendo) de qualquer desfile de Alta-Costura da Maison Chanel e é possível que a resposta seja “a noiva”, aquela que fecha o desfile e faz qualquer pessoa (até aquelas que não acreditam na instituição do casamento) sonhar com o chamado grande dia. “Ao longo dos anos, ele [Karl Lagerfeld] usou a noiva para fazer statements sobre casamento homossexual, identidade de género, austeridade, showmanship e, acima de qualquer outra coisa, beleza pura e não adulterada”, podia ler-se num artigo do Vogue Runway sobre as majestosas noivas de Lagerfeld na Chanel. “Vimos caudas com metros de comprimento, fatos sharp, appliqués de renda em cascata e uma série de minivestidos mod-ish que romperam com a tradição do bridalwear. E depois, claro, houve o fato de banho bridal que Vittoria Ceretti usou no seu [de Karl Lagerfeld] último desfile de Alta-Costura.” De Ines de la Fressange nos anos 80 às super dos anos 90 e musas do hoje como Kendall Jenner ou Lily-Rose Depp, foram várias as modelos que ao longo dos anos disseram yes to the dress, criando um rol de momentos memoráveis na passerelle da Casa francesa – mas é possível que o de Linda Evangelista, usado durante o desfile couture de outono/inverno 2003, seja um dos mais sonhadores de sempre.

Butterfly effect

Christian Dior Haute Couture Spring/Summer 2007 ©Getty Images

Segundo o vasto mundo da Internet, o efeito borboleta é uma situação na qual uma ação ou mudança que à primeira vista não parece importante acaba por ter um efeito monumental, especialmente noutros sítios ou à volta do mundo; como explicava Ian Malcolm no filme Jurassic Park (1993), “uma borboleta pode bater as suas asas em Pequim e em Central Park tens chuva em vez de sol”. Tudo isto é um pouco como aquilo que aconteceu quando John Galliano apresentou a coleção Alta-Costura primavera/verão 2007 da Dior – a borboleta bateu as asas em Paris e o mundo da Alta-Costura (e da Moda) mudou para sempre. Inspirado na ópera Madame Butterfly e no romance entre Cio-Cio-San e Pinkerton, Galliano fez aquilo que melhor sabe fazer: uma coleção fantasiosa e extravagante, rica em cores, detalhes, plissados, sedas e cetins. Essencialmente, Galliano fez aquilo que melhor sabe fazer: dar-nos espaço para sentir, para sonhar. E como escreveu Camilla Morton num report do desfile para a edição britânica da Vogue, “o fashion pack ficou sem palavras – uma espécie
de mudança. A única citação que me consigo lembrar para melhor descrever o momento é a de Evita: “That’s it – Christian Dior Me” –  ou aquilo que uma senhora disse enquanto apanhava as suas borboletas [no final do desfile, foram lançadas centenas de confettis na forma de borboletas brancas] e se preparava para sair, e que toda a gente estava a pensar:“Bom, é isso, mais vale fazer as malas e ir para casa agora – isto foi e é a couture week.” 

Regresso à esperança

Naomi Campbell at the Valentino Haute Couture Spring/Summer 2019 show ©ImaxTree

Adut Akech abriu o desfile num sumptuoso vestido rosa-choque de tirar o fôlego a qualquer pessoa que se cruzasse com ele. Houve movimento, cor e leveza. Houve romantismo, feminilidade e magia. Houve um cast incrivelmente diverso. Céline Dion chorou, declarando que a beleza tinha sido devolvida às mulheres. Naomi Campbell fez as honras e fechou o acontecimento, num momento emotivo que marcou o seu regresso à passerelle de Valentino, 14 anos depois de a ter pisado pela última vez. Parecia tudo too good to be true, mas a Alta-Costura primavera/verão 2019 da maison italiana, construída pelo génio criativo de Pierpaolo Piccioli, era palpável e em tudo verdadeira. “Terá existido algo mais fantástico e, ainda assim, simultaneamente real, do que os coordenados que Pierpaolo Piccioli mostrou na Valentino?”, questionou o jornalista e crítico Alexander Fury sobre o desfile, num artigo publicado no site da AnOther. “Muitas vezes, a Alta-Costura de Valentino deixa-te sem fôlego, histérico, zonzo. (…) Valentino é uma farra couture – a beleza deixa-te embriagado. Mais importante, faz-te sonhar.”  

Heart on my sleeve

Viktor & Rolf Haute Couture Spring/Summer 2019 ©ImaxTree

Quem nunca sonhou em dizer tudo o que sente sem ter de dizer uma única palavra? Exato, todos nós, todos os dias. E quem nunca sonhou dizer tudo o que sente com um vestido em tule colorido de Viktor & Rolf, com um volume estonteante e mensagens como a irónica “Sorry I’m late I didn’t want to come”, a esperançosa “I want a better world” ou a muito direta “NO” a substituírem a necessidade de mexer os lábios e usar a voz? Exato, todos nós, desde o momento em que a dupla de criativos Viktor Horsting e Rolf Snoeren apresentaram a sua coleção de Alta-Costura para a primavera/verão 2019, uma espécie de prova de que o sonho não só está aberto à interpretação, como pode também ter tanto de fantástico como de realista. “É o tipo de mensagem que encontras nas redes sociais, com o mesmo sentimento de instantaneidade”, explicou Rolf Snoeren ao WWD. “Todos estes statements que são tão óbvios ou fáceis – há muita banalidade no Instagram e nas redes sociais em geral – são contrabalançados com este sentimento over-the-top, cintilante e romântico.” 

Ilusão de ótica 

Iris van Herpen Haute Couture Fall/Winter 2019 ©Getty Images

“Ao escrever sobre Iris van Herpen, uma pessoa pode sentir-se mergulhada nas tecnicidades das suas criações”, defendeu Nicole Phelps, diretora do Vogue Runway, numa review sobre a coleção de Alta-Costura outono/inverno 2019 da designer holandesa. “Há programação e física e alquimia atrás de cada uma delas; são tão complicadas de fazer como de explicar. O melhor é pensar no trabalho [de Iris van Herpen] como peças de arte, cada vestido uma tela e cada modelo que o usa a moldura.” Verdadeiramente cativantes ao olhar, os coordenados esculturais de Iris van Herpen são uma prova do poder hipnótico da Moda, numa mistura entre a beleza da natureza, a promessa da tecnologia (a impressão em 3D é uma das suas assinaturas) e o uso de materiais não convencionais. “No meu mundo, não vejo a distinção entre natureza e tecnologia. Elas influenciam–se mutuamente e estão obviamente entrelaçadas nas nossas vidas, até nos nossos corpos. Penso que são expressões puras da dicotomia das nossas vidas”, explicou van Herpen numa entrevista à Vogue Arábia.
“As peças que crio vivem entre os mundos da Arte e da Moda; sou muito flexível sobre a perceção que as pessoas têm delas, visto que ambas são verdade.” E como tão bem resumiu a jornalista Jessica Michault nesse mesmo artigo, “se a Alta-Costura é uma fábrica de sonhos, Iris van Herpen é uma das suas mestres tecelãs”. 

Dream a little dream of me

Marc Jacobs Spring/Summer 2020 ©ImaxTree

Foi o tema escolhido para encher os ouvidos daqueles que assistiram ao desfile primavera/verão 2020 de Marc Jacobs, e não podia ter sido mais apropriado. “While I’m alone and blue as can be”, a linha de cores resplandecentes, brilhos, estampados florais e pormenores cheios de personalidade que emergiu no início da apresentação apagou qualquer réstia de infelicidade que pudesse existir. Mesmo à distância, era possível sentir a felicidade, a energia e o feeling daquele desfile. As modelos estavam a sorrir. Algumas piscavam o olho, outras davam um pequeno nod com o seu chapéu. Havia alegria e entusiasmo no ar. Era o sonho da Moda no seu estado mais puro. “Jacobs tem consciência de que as pessoas saem dos seus desfiles a sentir ‘alguma coisa’”, escreveu Aatish Taseer no artigo The Many Lives of Marc Jacobs, publicado no The New York Times em fevereiro deste ano. “Um mood, um estado de espírito: a sombra ameaçadora que um chapéu pode criar no rosto de uma modelo iluminada por um holofote; a majestosidade dominante e excitante de uma manga em tafetá vermelho, cheia de folhos e com volume; a solidão romântica de uma única pena a saltitar em cima de um gorro de malha, acompanhado por um vestido inteiramente feito de plumas num cinzento azulado.” A resposta de Jacobs? “Não sei como é que acontece. Não consigo bordar felicidade num tecido. Não consigo drapejar felicidade num casaco. Mas acho que há algo no processo onde a energia continua a crescer, e é de alguma forma amplificada e transferida para esses sete minutos.” E essa energia, como provou a primavera/verão 2020 do criador, é realmente contagiosa. 

Highest in the room

Valentino Haute Couture Fall 2020 ©ImaxTree

Quantas coisas são precisas para tornar um sonho realidade? Nós apostamos em 16. Mais precisamente em 16 vestidos de Of Grace and Light, a coleção Alta-Costura outono/inverno 2020 da Valentino. Numa altura em que a Moda se continua a debater com as consequências de uma pandemia devastadora, a questionar o seu papel no futuro e a procurar soluções para comunicar as emoções que por vezes ficam perdidas no ecrã, Pierpaolo Piccioli disse “let there be light and grace”. O resultado foi nada menos do que uma fantasia a desenrolar-se em frente dos nossos olhos: com Nick Knight e FKA Twigs a seu lado, Piccioli imaginou um mundo com modelos suspensas no ar, em pedestais ou trapézios, criando a ilusão de dois metros de altura, e looks onde o extremo é levado ao extremo através dos volumes exacerbados, dos folhos, das plumas e das franjas, “pintados” numa paleta de brancos e prateados. “Branco como uma folha de papel à espera de ser preenchida com linhas e ideias. Branco como um labirinto, um símbolo da obra e dedicação, o primeiro passo no processo de construção”, podia ler-se nas notas do desfile. E se é verdade que precisamos de reconstruir, também é verdade que precisamos da esperança – e do sonho – para lá chegar. “Não quis sentir as limitações. A Alta-Costura é feita de sonhos, emoções”, explicou Pierpaolo Piccioli, diretor criativo da maison, citado pela Vogue Runway. “Foi muito emotivo para todos nós estarmos aqui juntos para vencer este desafio. Nunca me vou esquecer deste momento