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O fim da indústria têxtil no Rio

Se os desfiles da Tecelagem Bangu paralisavam a elite do país, não menos importantes eram os da Cia Nova América. Junto com a América Fabril e a Ferreira Guimarães, a indústria têxtil do Estado do Rio chegou a empregar, nos anos 60, cerca de 50 mil operários em suas fabricas.

Para o incipiente capitalismo brasileiro que se industrializava, o setor têxtil carioca era símbolo de poder para seus proprietários que, mesmo com o mercado fechado para importação, sucumbiram com o custo Brasil e com a legislação trabalhista que avançava e impunha regras cada vez mais engessadas. Assim, as fábricas foram se endividando, ficando obsoletas em tecnologias e se inviabilizando.

Em seguida, com a globalização e abertura para importação, os tecidos da Ásia, sobretudo chineses, invadiram o mercado brasileiro, tomaram conta do mercado, liquidando com as frágeis e descapitalizadas fábricas têxteis brasileiras.

Assim, todas, sem exceção, fecharam suas portas no Estado do Rio.

O CASO NOVA AMÉRICA
Última a fechar as portas, era controlada pela Cia Cataguases, comandada pelo empresário Ivan Botelho.
No início dos anos 2000, ele vendeu o controle para o empresário Franklin Vieira Walter e mais dois sócios.

Sofrendo com a concorrência externa, cujos produtos custavam 50% mais baratos que o similar nacional, Franklin Vieira Walter e seus sócios decidiram por paralisar a produção e fechar definitivamente as portas da fábrica em Pau Grande, Baixada Fluminense, onde trabalhou o seu mais ilustre operário: Mané Garrincha.

Cinco mil empregos foram eliminados.

DÍVIDAS E PATRIMÔNIO
Dona de um expressivo patrimônio imobiliário, a Nova América teve seus bens todos bloqueados para fazer frente às centenas de ações trabalhistas e fiscais.
O JB tentou contato com Franklin V . Walter e seu filho, Eduardo Walter, para saber das atuais condições dessas ações. Eles ficaram de nos retornar amanhã.