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Noventa mil vivem da moda no Estado

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“Moda não é algo que existe apenas em roupas. Moda está no céu, nas ruas, tem a ver com ideias, com o modo como vivemos e com o que está acontecendo.” Foi dessa forma que a estilista Gabrielle “Coco” Chanel (1883-1971), cuja marca se tornou referência mundial, descreveu o segmento.

Com esse universo de possibilidades, no Espírito Santo, 90 mil profissionais vivem da moda, segundo estimativa da Câmara do Vestuário da Federação da Indústria (Findes) e da Federação do Comércio (Fecomércio) do Estado. Somente envolvendo a indústria, são 30 mil empregos.

Isso inclui estamparia, lavanderia, pesquisa, criação, produção, artesanato de sobras de tecido, serviço de estilistas, design, marketing e comunicação de moda, fotografia, modelos, influenciadores digitais, produtores de evento de moda e vitrinismo, conforme detalhou o presidente da Câmara do Vestuário, José Carlos Bergamin.

Já no comércio, são cerca de 60 mil trabalhadores envolvidos com a venda de roupas, calçados, acessórios, cosméticos e material para a confecção, segundo estimativa do presidente da Fecomércio, José Lino Sepulcri.

A moda é responsável por contar a história de um tempo. Segundo Bergamin, ela foi enraizada na cultura capixaba, por meio dos imigrantes italianos, que recebiam como dote uma vaca e uma máquina de costura.

Mas, viver de moda não é fácil. De acordo com o professor do curso de Design de Moda, da Faesa, Josué Vasconcelos, requer, principalmente para quem trabalha com o processo criativo, conseguir se estabelecer com uma identidade, um tipo de produto que faça a diferença e que fique referenciado ao nome da marca.

Ele detalhou que os consumidores hoje não buscam apenas um produto. Querem entender a história e os valores que estão por traz dele. “É preciso trazer para a sociedade produções relevantes, acolhedoras, empáticas, que mostram comprometimento com o mundo em que se vive, responsabilidade social e sustentabilidade”, destacou.

Para o professor da UVV Sérgio Michalovzkey o principal desafio da moda é entender as necessidades humanas. No Estado, instituições como a Faesa, a UVV e o Senac oferecem cursos para o segmento, trazendo profissionalização para a área. Soma-se a isso, as qualifcações fora do Estado.

Realização

O estudante Fabrício Gomes, de 34 anos (Foto: Kadidja Fernandes/AT)

O estudante Fabrício Gomes, de 34 anos, tem a própria marca de roupas e vive da moda. Ele trabalha com jeans e aposta em peças femininas, como saia, vestido e short, fazendo desde a modelagem até o acabamento. “Crio a partir da pesquisa. Amo o que faço, não me vejo fazendo outra coisa”, contou.

Aos 21 anos, ele iniciou sua trajetória com apenas R$ 100, dados por sua mãe. Com o dinheiro, comprou retalhos de roupas que sobravam na facção do tio e começou a produzir peças. “Eu ajudava o meu tio durante o expediente e usava as máquinas dele depois do horário para fazer as minhas peças”. Hoje é aluno de Design de Moda da Faesa.

Moda praia para mãe e filha

Juliana Sotele, de 21 anos, é outra que vive da moda (Foto: Divulgação/Valéria Sotele)

Juliana Sotele, de 21 anos, é outra que vive da moda (Foto: Divulgação/Valéria Sotele)

Juliana Sotele, de 21 anos, é outra que vive de moda. Ela criou uma marca de biquínis infantis e no estilo “mãe e filha” (o mesmo modelo para mãe e filha) e trabalha há quatro anos na área.

“Sempre gostei de transformar pedaços de tecido em algo”.

Ela explicou que o foco da sua marca é proporcionar conforto para as crianças.

“Aprendi a costurar mexendo na máquina, no começo era só uma brincadeira, depois fui fazendo cursos, me aperfeiçoando”, revelou.

Ela fez os cursos técnicos de Modelagem do Vestuário e de Design de Moda e agora está fazendo o curso superior de Design de Moda.

Segundo Juliana, viver da moda no Estado é difícil inicialmente, porque é preciso fazer um nome e conseguir visibilidade. Mas depois que as pessoas conhecem, fica mais fácil.

“Se você se esforça para ter um produto de qualidade, os clientes se multiplicam, porque um indica para o outro”. Ela acrescentou ainda que, mesmo por conta própria, acaba trabalhando muito.

40 anos no mercado

Samuel Martins da Silva, de 54 anos, vive da moda há 40 anos (Foto: Kadidja Fernandes/AT)

Samuel Martins da Silva, de 54 anos, vive da moda há 40 anos (Foto: Kadidja Fernandes/AT)

Samuel Martins da Silva, de 54 anos, vive da moda há 40 anos.

Dono de uma estamparia em Vila Velha, ele trabalha com prestação de serviço e possui uma marca própria de roupa masculina.

“Trabalhei muito tempo com uma designer e artista plástica e fui aprendendo. O tempo foi me ajudando a criar, a desenvolver”.


Saiba mais


Indústria

  • O setor, que engloba produtos têxteis, confecções e calçados, representa 11,2% do emprego industrial do Estado.
  • Presente em quase todos os municípios, cria 13.059 postos de empregos formais.
  • É majoritariamente dominado pela força da mulher, compondo 65% do mercado. Com 60,4% da mão de obra entre 18 e 39 anos, se consolida como opção de primeiro emprego.
  • Considerando a indústria, em um aspecto mais amplo, são 30 mil empregos. O que inclui estamparia, lavanderia, pesquisa, criação, produção, artesanato de sobras de tecido, serviço de estilistas, design, marketing e comunicação de moda, fotografia, modelos, influenciadores digitais, produtores de evento de moda e vitrinismo.

Comércio

  • De acordo com a Federação do Comércio do Estado (Fecomércio), ao todo, no Espírito Santo, são cerca de 60 mil trabalhadores envolvidos com a venda de roupas, calçados, acessórios, cosméticos e material para a confecção.

Sebrae

  • O Sebrae levantou os números de pequenos negócios ligados à moda no Estado. Ao todo são 28.084 pequenos comércios varejistas de artigos de vestuário e acessórios.
  • Calçados: 1.785 estabelecimentos.
  • Confecção de peças de vestuário, exceto roupas íntimas, e as confeccionadas sob medida: 3.528.
  • Aluguel de objetos do vestuário, joias e acessórios: 264 lojas.

Cursos

Senac

  • Em média, se formam cerca de 400 alunos por ano nos cursos ofertados no segmento de moda. De 2016 a 2019, cerca de dois mil alunos concluíram o curso e receberam a certificação. O curso de costureiro teve cerca de 800 formados no período.

  • Mais informações: ead.senac.br.