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Nova Friburgo vai ganhar Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em EPIs

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Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, vai ganhar um Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, que será financiado pela Faperj e Secretaria de Estado de Saúde (SES). O município é considerado um polo têxtil do estado e responsável por 25% da produção nacional de moda íntima.

Segundo os organizadores, o projeto foi um dos contemplados pelo edital Ação Emergencial Projetos para Combater os Efeitos da Covid-19 e integrará diversas universidades do Rio de Janeiro, com indústrias que desejarem realizar uma adaptação para produção de Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs) utilizados por equipes de saúde.

Ivan Leão Bastos, professor do departamento de Materiais do Instituto Politécnico do Rio de Janeiro da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IPRJ/Uerj) será o coordenador da rede formada para desenvolver o projeto multidisciplinar. Além disso, as empresas Quipo e Media Glass, especializadas em inteligência artificial, bigdata e telemedicina e a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), com o projeto da Rede de Empresas Fluminenses contra Efeitos da Covid-19, também fazem parte do projeto.

Cláudio Fernandes é professor do departamento de Odontologia e coordenador do escritório da Agência de Inovação do Instituto de Saúde de Nova Friburgo da Universidade Federal Fluminense (UFF). Ele explicou que a segurança dos EPIs depende do tipo de tecido e design utilizados:

Enquanto as máscaras de algodão que utilizamos no cotidiano têm uma proteção de 50 a 70%, quem atua na linha de frente precisa de materiais que elevem essa proteção a mais de 90%.

No projeto estão os designs que oferecem maior proteção e que possuem filtros tipo meltblow, com produção em poucos locais no mundo. É com esse tipo de tecido que se produz as máscaras N95. A capacidade de filtração chega a 98%, de acordo com Fernandes.

Além disso, outra adaptação será a substituição da costura nas máscaras, pois há a necessidade de eliminar os furos, por exemplo em um processo de termo-selagem. Os primeiros passos do novo Centro será um estudo situacional para diagnóstico.

“Como se trata de um projeto emergencial, montamos um grupo de trabalho com o poder público e empresários da indústria têxtil com a intenção de fazer um estudo sobre o cenário da produção local e quais as necessidades de desenvolvimento em tecnologias, maquinário e recursos humanos na percepção na produção local para que o centro de pesquisa atue conjuntamente”, disse Cláudio.

O Centro irá ainda aproveitar o maquinário das indústrias, os trabalhadores capacitados para atuar nessa área e a estrutura para o processo de adaptação da produção. No entanto, o pesquisador explica que também será necessário investir em novos equipamentos, materiais e capacitação de recursos humanos.

“Não é algo que se possa fazer trivialmente, mas a adesão do Sindvest, o Sindicato das Indústrias do Vestuário de Nova Friburgo, ao grupo de trabalho e de empresas do setor mostra essa conversão como tangível”, comentou.

São 180 indústrias de Nova Friburgo que já estão produzindo máscaras de tecido, com capacidade que já supera a marca de 11 milhões de itens mensais.

No grupo, são 23 pesquisadores de vários segmentos. Eles têm o apoio do projeto social Face-Shield Nova Friburgo, que, junto ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e indústrias locais, já produziram e doaram mais de 40 mil unidades para profissionais na linha de frente.

Fernandes ainda enfatizou a importância do desenvolvimento de novas tecnologias dentro do segmento e a necessidade de produção com qualidade de padrão internacional, além da capacidade do Centro de Pesquisa funcionar como um certificador na vigilância da qualidade dos produtos no mercado. Ele também destaca que se trata de um projeto de longo prazo, para além da pandemia.

“A Covid-19 causou uma crise de produção e distribuição desses produtos e evidenciou a vulnerabilidade dos sistemas de saúde pela falta de equipamentos de proteção diante da alta mortalidade e afastamento de profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate à doença. E mesmo quando a pandemia passar, a memória em relação à necessidade de qualidade de proteção permanecerá, por isso, não se trata de um investimento emergencial, mas uma possibilidade de longo prazo para atender a uma nova demanda”, avaliou o pesquisador.