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Mulheres despertaram cedo para o empreendedorismo | SEGS

Lojistas iniciaram na profissão ainda na adolescência e seguem resilientes no comércio em Goiânia, contribuindo para destacar o empreendedorismo feminino no setor da moda mesmo durante a pandemia

Uma pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostra que no terceiro trimestre de 2020 havia cerca de 25,6 milhões de donos de negócio no Brasil. Desse universo, aproximadamente 8,6 milhões eram mulheres (33,6%) e 17 milhões, homens (66,4%).O Global Entrepreneurship Monitor (GEM), que é a principal pesquisa sobre empreendedorismo no mundo, com dados de 49 países, mostrou, em sua última edição (2018), que o Brasil ocupava o sétimo lugar no ranking de proporção de mulheres à frente de empreendimentos iniciais (menos de 42 meses de existência). Apesar de ainda serem minoria, elas sonham alto e suas histórias inspiram a não desistir nunca. Mesmo em tempos de Covid-19 e restrições do comércio.

Um exemplo de mulher empreendedora é Líbia Carvalho, que começou a vender roupas em feiras aos 15 anos para ter sua independência financeira. “Eu juntei o dinheiro que minha avó me mandava, comprei as roupas e montei a banca. Os outros feirantes me ajudaram e eu sempre fui de falar muito. Fiz feira na Vila União, Setor Novo Horizonte e no Cepal do Jardim América”, relembra ela sobre o início em Goiânia. Seu sonho de trabalhar no ramo de moda nasceu bem cedo e em família, mas a qualificação fez toda a diferença para que hoje ela tivesse uma carreira consolidada. A empresária conta que aprendeu a costurar e bordar com a bisavó, que foi sua inspiração. “No início comprava as blusas e as bordava para vender”, conta ela, que ao longo dos anos fez cursos de costura e desenho para se especializar.

“Quando fiz 18 anos minha mãe me deu R$ 17 mil para montar uma loja e a primeira abri num camelôdromo. Usei parte do dinheiro para o ponto e outra para comprar as roupas”, recorda ela, revelando ainda que no primeiro ano de funcionamento a loja de roupas femininas já foi bem e no quarto ano ela aumentou o espaço do lugar. “Ampliei com outras duas lojas laterais, minha loja se tornou a mais bonita do camelôdromo, tinha um bom espaço, lustre”, diz sobre o local, onde ficou durante 10 anos. Há oito anos a empreendedora instalou seu estabelecimento, que tem o seu nome, Líbia Carvalho, no Shopping Estação Goiânia e não parou de crescer.

Hoje, aos 36 anos, Líbia já tem uma segunda loja, chamada Lelilu, em sociedade com a irmã mais nova, na qual vende roupas femininas para o dia a dia, enquanto as peças da Líbia Carvalho são mais para festas, trabalhadas com bordados, pérolas e lantejoulas. “Eu amo o que faço! Estou bem financeiramente e não pretendo mudar de área”, afirma ela, que também já influenciou um primo a montar uma loja. Com o tempo, a lojista precisou se adaptar às vendas virtuais para sobressair na pandemia. “Não me identifico com venda online, até porque minhas clientes gostam de experimentar as peças, pois as roupas são coladas ao corpo, mas foi a saída na pandemia. Ousamos e deu certo”.

Com o sucesso do próprio negócio, Líbia já realizou alguns sonhos, como comprar um apartamento, um carro conversível e uma casa no interior, a qual aluga para ter uma renda a mais. “Comprei um lote em um condomínio fechado recentemente e agora meu desejo é construir uma casa lá, para poder criar o filho que estou esperando. Além disso, quero abrir outra loja”, conta sobre seus desejos. Além de seus sonhos, a empresária ajudou sua colaboradora a realizar um também. “Eu tenho uma funcionária que é minha amiga, como uma irmã, está comigo há seis anos, começou pouco tempo depois que vim para o Shopping Estação Goiânia. E eu dei a entrada da casa dela, pois sem ela não teria conseguido chegar até aqui”, destaca.

Nos passos dos pais

Outra empreendedora que iniciou cedo foi Rochany Max Silva. “Com 12 anos comecei a ajudar meus pais a vender calçados nas feiras, principalmente na Hippie e da Lua, e com 18 já montei uma banca para mim, mas contava ainda com a ajuda deles”, recorda ela. “Meus pais sempre me incentivaram, não me viam como concorrente”, fala sobre os genitores, que seguem no mesmo ramo. “Aos 19 anos eu vim para o Shopping Estação Goiânia, logo quando ele abriu, na época que ainda eram bancas”, relembra.

Hoje ela é proprietária da loja de calçados femininos Santa Rô, no Shopping Estação Goiânia, que também cresceu e já conta com produção própria. “Antigamente meus produtos eram produzidos em fábrica, hoje em dia a produção é terceirizada, temos costureiras. Eu defino as cores e o material com a modelista e depois repasso para a produção”, explica. Rochany ressalta que a juventude atrapalhou um pouco na gestão do negócio. “Quando somos novas gastamos muito fácil, não soube administrar muito bem no começo e não tive muita estabilidade financeira”, admite ela, que soube se reorganizar e realizar sonhos. “Eu comprei minha casa, carro e já fiz várias viagens”, ressalta.

Rochany afirma também que o setor onde atua passou por mudanças nos últimos anos. “Quando comecei o comércio era mais movimentado, a demanda dos clientes era maior. Agora a gente tem que ir atrás dos clientes, investir em estratégias de divulgação e relacionamento”, salienta ela sobre as redes sociais nas quais mostra os calçados que produz. “Porém, é disso que entendo, e me sinto muito realizada. Nunca pensei em mudar de área”, afirma sobre a profissão que aprendeu com os pais, contando ainda que a mãe também possui uma loja de calçados, também no Shopping Estação Goiânia. “O que desejo agora é ter uma tranquilidade financeira, que foi abalada com a pandemia. Fazer isso em uma época como essa é difícil, mas tenho fé que vou conquistar aos poucos”, salienta.