Mulheres criam pequenos negócios na Bahia em meio à pandemia e fazem sucesso com ajuda da internet | Bahia

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As medidas de isolamento social necessárias para o combate ao coronavírus geraram impacto econômico para milhares de pessoas. Para se adaptar, trabalhadores de diversas áreas estão investindo em pequenos negócios, garantindo renda e se mantendo ativos no mercado. Alguns estão fazendo sucesso, mesmo se lançando em novos desafios em um momento preocupante.

Algumas empresas do ramo de alimentação conseguem apresentar bom desempenho durante a pandemia, especialmente com o auxílio das plataformas digitais, ainda que funcionem com restrições. O G1 conta a história de empreendedoras baianas que estão obtendo resultados positivos no setor nos últimos meses, com a ajuda da internet.

Laís Lima é nutricionista e professora de uma faculdade particular da cidade de Feira de Santana, a cerca de 100 quilômetros de Salvador. Ela começou a vender cookies no dia 23 de março, pouco depois de encerrar as atividades no consultório, com a confirmação do primeiro caso da doença no estado.

Os doces feitos por ela sempre foram elogiados entre familiares e amigos, então, ela pensou em uma forma de ganhar dinheiro com eles. O negócio era planejado há alguns meses, porém, não saía do papel. “Faltava coragem de abdicar de algumas coisas para dedicar tempo a esse projeto”, afirma.

2 de 7 Aoós o sucesso dos cookies, Laís Lima começou a vender outros produtos — Foto: Foto: Arquivo Pessoal

Aoós o sucesso dos cookies, Laís Lima começou a vender outros produtos — Foto: Foto: Arquivo Pessoal

A partir das notícias sobre os efeitos da pandemia no Brasil e em outros países, Laís previu que passaria menos tempo na rua e aproveitou para iniciar o novo trabalho em casa, lançando a “Prefiro Cookie“. Desde então, viu a rotina mudar completamente. Ela continua atendendo pacientes e dando aulas, pela internet, de segunda a quarta-feira. De quinta a domingo, o trabalho é na cozinha.

Com o sucesso dos cookies, Laís decidiu ampliar o cardápio e agora também produz e vende bolo de banana, uva coberta e brigadeiros de diversos sabores, entre outros doces. Além disso, está desenvolvendo outras receitas.

“Nunca pensei que teria tanta demanda logo no início, foi uma surpresa. Todos os fins de semana preciso recusar encomendas, pois não tenho como dar conta”, comenta ela, que ainda administra as redes sociais da empresa, de onde vem a maior parte da clientela.

Laís prioriza os ingredientes orgânicos no preparo dos doces, por influência do conhecimento que tem como nutricionista. “Não uso nada artificial e assim quero continuar. Minha intenção é vender um produto com qualidade e acredito que esse seja o meu diferencial”, afirma. Ela detalha, por exemplo, que o quilo da farinha que usa custa R$ 15, cinco vezes mais do que a farinha de trigo comum.

Laís pensa em seguir com a confeitaria e fechar o consultório. “Tudo isso que estamos vivendo me fez pensar muito. Defini que vou dar mais atenção ao que me traz prazer, em equilíbrio com a renda. Até o momento, fazer comida tem fisgado meu coração e não quero mais deixar isso de lado”.

3 de 7 Laís Lima cria brigadeiros com sabores diferenciados, como queijo com goiabada e café — Foto: Foto: Arquivo Pessoal

Laís Lima cria brigadeiros com sabores diferenciados, como queijo com goiabada e café — Foto: Foto: Arquivo Pessoal

Até o mês de março, Maria de Fátima Carneiro Santos vendia roupas em Salvador. Como sempre demonstrou habilidade com culinária, enxergou aí um modo de garantir renda em meio à crise gerada pela pandemia. Ela criou a “Forno de Fátima”, e está produzindo e comercializando diversos bolos, doces, pães, empadas, entre outros.

“Com o início das restrições, fiquei muito preocupada com a questão financeira e uma sobrinha sugeriu que eu começasse a cozinhar, para honrar os compromissos financeiros. No início, tive um bloqueio, pois o novo assusta. Mas topei a ideia e foi uma luz no fim do túnel”.

4 de 7 Maria de Fátima começou a investir na culinária em março, com o surgimento das medidas restritivas por causa da pandemia — Foto: Foto: Arquivo Pessoal

Maria de Fátima começou a investir na culinária em março, com o surgimento das medidas restritivas por causa da pandemia — Foto: Foto: Arquivo Pessoal

Maria de Fátima jamais pensou que tivesse de se reinventar aos 50 anos de idade, contudo, está gostando da experiência e pensa em conciliar as duas atividades quando as medidas de isolamento estiverem mais flexíveis. “Tem sido gratificante demais. Fico feliz por cativar a clientela, por receber retornos positivos”, afirma.

Ela diz que as primeiras clientes eram as mesmas que antes compravam peças de vestuário, mas com o “boca a boca” e a divulgação nas redes sociais, os pedidos aumentaram. Agora, toda a família (marido, sobrinha e duas filhas) está envolvida no processo, seja na compra de mercadorias, nas entregas ou no preparo das encomendas.

“Eu comando a cozinha, mas todo mundo faz um pouco, até inspeção de qualidade. Estamos muito motivados e esperamos crescer ainda mais”.

5 de 7 Os produtos mais vendidos por Maria de Fátima são o pão de cebola, as empadas e o bolo de limão com calda — Foto: Foto: Arquivo Pessoal

Os produtos mais vendidos por Maria de Fátima são o pão de cebola, as empadas e o bolo de limão com calda — Foto: Foto: Arquivo Pessoal

Se muita gente quer comida gostosa e de qualidade em casa durante o isolamento, tem também quem faça questão de um toque especial para aproveitar ainda mais os prazeres à mesa. Graças a esse público, o “Ateliê Sweet Home”, em apenas dois meses, registrou um aumento de 400% na venda de itens como sousplat, porta-guardanapos e guardanapos de tecido, jogos americanos e trilhos.

A empresa foi criada pela designer de moda Patrícia Kelly Ferreira de Oliveira. Ela avalia que a procura pelos produtos cresceu porque as pessoas estão sendo obrigadas a passar mais tempo em casa, dando mais atenção ao momento das refeições, de um modo geral.

“Mesa posta sempre teve relação com receber bem as pessoas. Agora esse sentido se amplia. É uma maneira de demonstrar amor pela família, pelo próprio lar”, avalia. Além de embelezar casas, representar carinho e acolhimento, a atividade se tornou um hobby para gente que coleciona as peças.

A empresa surgiu há cinco anos, sendo uma das pioneiras no mercado de mesa posta na Bahia, mas nunca cresceu tanto em tão pouco tempo. Devido ao grande volume de vendas, atualmente, conta com quatro pessoas, duas delas na parte de costura. Antes, Patrícia cuidava de absolutamente todas as etapas do processo sozinha.

6 de 7 Patrícia Kelly mostra peças da coleção lançada exclusivamente para o mês de junho — Foto: Foto: Arquivo Pessoal

Patrícia Kelly mostra peças da coleção lançada exclusivamente para o mês de junho — Foto: Foto: Arquivo Pessoal

Para se diferenciar da concorrência, ela aposta em estampas e fornecedores exclusivos. Além disso, lança coleções especiais, sobretudo em datas comemorativas, como Páscoa, Dia das Mães e São João. Patrícia, que é natural do município de Mairi, tem clientes em todo o Brasil. As vendas são feitas exclusivamente pela internet, através de site próprio e das redes sociais.

A empresária, que também atua em uma agência de publicidade, alerta para quem quer abrir um negócio em meio à pandemia: o dinheiro pode não surgir da noite para o dia.

“Demora um pouco para você lucrar de verdade e até que esse momento chegue não se pode parar de investir, de buscar melhorias, de se atualizar. Todo negócio requer muito trabalho e dedicação”.

Além disso, lembra que não basta fazer o que se gosta, é preciso ampliar os horizontes. Patrícia, por exemplo, tem diversos cursos nas áreas de e-commerce e rede sociais.

Apesar do bom momento, ela não pensa em ampliar mais os negócios, por enquanto. “Estou tendo o movimento dos sonhos, mas sei que esse é um momento delicado para a nossa economia. Prefiro ter cautela, ver o comportamento dos clientes no futuro e ir me adaptando de acordo com a demanda”.

7 de 7 Patrícia Kelly vende para todo o Brasil através de site e redes sociais — Foto: Foto: Arquivo Pessoal

Patrícia Kelly vende para todo o Brasil através de site e redes sociais — Foto: Foto: Arquivo Pessoal

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