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Monumento ao fundador da Coelima inspira gerações

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A vila de Pevidém, em Guimarães, inaugurou um monumento inspirador de várias gerações de famílias vimaranenses ligadas à Coelima. A partir deste sábado de manhã, está à vista de todos o busto de Albano Martins Coelho Lima, fundador da Coelima, um dia depois da mais emblemática fábrica têxtil do país ter sobrevivido a um processo de insolvência.

Mais do que ter criado a Coelima, Albano Martins Coelho Lima continua a ser a referência de várias gerações de trabalhadores, familiares, amigos e vimaranenses. O grande industrial, filantropo e criador de uma imensa obra social, desportiva e cultural no Vale do Ave, foi objeto de todos os elogios na cerimónia de inauguração.

O monumento e o busto de Albano Coelho Lima foram pagos pelos trabalhadores da Coelima em 1989, dez anos após o falecimento do fundador, mas estava no interior da empresa, escondido de todos aqueles que foram inspirados por ele. Agora, a Junta de Freguesia conseguiu colocar o monumento no Largo do Pelourinho, que foi renovado também graças ao projeto oferecido pelo arquiteto Alexandre Coelho Lima, neto do fundador.

Numa cerimónia enriquecida pelo Orfeão do Centro Cultural e Desportivo da Coelima e pelos versos de Perpétua Campos, antiga assessora do fundador, Pevidém saiu à rua para ver a homenagem ao seu maior benemérito.

Adelino Coelho Lima, 88 anos, o mais novo e o único vivo dos seis filhos do fundador da Coelima, lembrou histórias com mais de 30 anos, ligadas à família e à empresa, mas não deixou de criticar a anterior administração da Coelima “pela trapalhada, diga-se despesa, que fez à Junta de Freguesia por causa deste terreno”.

Numa lição de humildade, Adelino Coelho Lima fez um ato de contrição que emocionou muitos dos que o ouviram: “Como me é dada a oportunidade de falar pela primeira vez em público após o ano de 1991, quero pedir desculpas a quem trabalhou e ainda trabalha na Coelima por não termos conseguido a boa continuidade da empresa e unicamente termos lutado com as armas que possuíamos para não deixarmos cair a Coelima”.

No final da cerimónia, Adelino Coelho Lima acabaria confortado por trabalhadoras e ex-trabalhadoras da Coelima, que fizeram questão de lhe dar vários abraços, entre cânticos e sorrisos. Cantaram, à frente dele, o hino feito pelas trabalhadoras no tempo do seu pai. Foi a prova de que o esforço da família para salvar a empresa, conseguido graças à intervenção de Cavaco Silva em 1991, ainda hoje é reconhecido. Mesmo que isso tenha implicado que os Coelho Lima abandonassem a gestão da fábrica.

A família abdicou da gestão de forma definitiva naquele ano, mas permaneceu até hoje a inspiração e o exemplo de Albano Coelho Lima sobre as quatro gerações que lhe sucederam. José Manuel Coelho Lima, 14 anos, trineto do fundador e filho do atual vice-presidente do PSD, André Coelho Lima, resumiu bem o sentimento: “Para nós, para a nossa geração, já tão longe do seu tempo de vida, é uma grande responsabilidade tentarmos ser capazes de seguir o seu exemplo”.

A resiliência que tantas vezes caracterizou o esforço do fundador e da família também se estendeu a Angelino Salazar, presidente da Junta de Pevidém. O autarca conseguiu o terreno em frente à fábrica para lá colocar o busto que até hoje estava acessível a poucos, num processo que “foi muito complicado, com providências cautelares, questões judiciais, notificações e com uma série de peripécias”, lembrou Angelino Salazar, enaltecendo o papel do Executivo da Junta, da empresa que transladou o monumento e de André Coelho Lima, bisneto do fundador.

Já o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Domingos Bragança, anunciou que a praça onde foi este sábado instalado o monumento passará “a designar-se Comendador Albano Martins Coelho Lima”. A antiga fábrica do Alto, recentemente adquirida pela Câmara para instalar a academia de transformação digital, também terá o nome do industrial, anunciou o presidente do Município, sob forte ovação dos presentes. “Foi um ícone da indústria, não só de Guimarães, mas nacional e internacional, e um visionário”, justificou Domingos Bragança.

A cerimónia aconteceu na ressaca de um dos momentos mais decisivos na história da emblemática fábrica têxtil. A Coelima sobreviveu esta semana à terceira grande crise (depois de 1991 e 2011), por via de um processo de insolvência que ainda não está terminado, mas que terá como desfecho a compra da fábrica por parte da têxtil Mabera, de Vila Nova de Famalicão. José Dâmaso Lobo, filho e sobrinho de ex-trabalhadores da Coelima, é o dono da Mabera e o patrão que se segue na difícil tarefa de acordar um dos maiores gigantes do setor têxtil do Vale do Ave.