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Meia Pata sem travões – Portugal Têxtil

Diogo Marques

A situação pandémica não travou, em momento algum, o trabalho e nem mesmo os objetivos da Meia Pata. Já depois do confinamento, a marca participou em vários certames, como a Supreme Kids em Munique, o Modtissimo no Porto e a edição online da Playtime. «Estamos a ter muita procura, muito pedido de informação. Começámos recentemente e, portanto, acreditamos que o futuro próximo vá ser um bocadinho por aí. Pelo menos até a pandemia terminar, as plataformas digitais vão ser o forte do canal de vendas», afirma Diogo Marques, responsável pelo departamento de internacionalização da Meia Pata, que integrou ainda dois showrooms no Reino Unido e um na Colômbia.

A Meia Pata, que possui 120 modelos que primam pelo «design e qualidade» em 56 cores diferentes e oito tamanhos, conheceu meses sucessivos de vendas em alta. «Não parámos, abrimos mercados… No nosso caso foi de crescimento porque vamos nesse sentido, agora íamos crescer muito mais. Em 2020, segundo as nossas expectativas, íamos atingir um milhão de faturação. Devemos estar na ordem dos 700 mil euros e iriamos crescer um pouco mais, mas as vendas pararam em alguns países no final de fevereiro, outros no início de março», justifica.

Olhos postos no online

Com a pandemia em escalada e as deslocações entre países restringidas, o papel do

digital saiu reforçado, atuando, deste modo, como «um bom substituto» que levou a Meia Pata a reconhecer o «grande desafio» deste formato que, consequentemente, desencadeou um investimento para fazer face às lacunas identificadas. «Nos mercados onde temos agentes, estes continuam a visitar os clientes e vice-versa, mas nós, juntamente com os agentes, investimos em ferramentas digitais: câmaras, luzes e tudo mais para que, nos estudos dos agentes, eles consigam também fazer vendas online», explica ao Portugal Têxtil. «Estamos a adaptar-nos à nova realidade. Foram espaços físicos que permitiram a gravação com qualidade do produto, porque o cliente gosta de tocar, de ver o pormenor e nós, não podendo ir ao cliente, temos que ter as melhores condições possíveis para que ele quase que sinta o produto ao vê-lo. Esse foi o grande desafio, ou está a ser o grande desafio, das plataformas digitais», reconhece Diogo Marques. «Acho que está a resultar, pelo menos os clientes estão a gostar e as encomendas estão a realizar-se», admite.

Deste modo, o canal online é, cada vez mais, uma aposta a reforçar. «Nos planos a curto prazo desenvolvemos o B2B, a nossa plataforma online de vendas., para ter os nossos catálogos online, as pessoas poderem entrar no website e fazer compras. Vamos também continuar a apostar na Playtime no mercado virtual e com os agentes fazer o trabalho de campo em cada mercado», garante Diogo Marques.

Mercados novos e consolidados

Com uma quota de exportação de 70%, a especialista em meias para criança tem como maiores mercados a Inglaterra e a Itália, mas algumas mudanças suscitam preocupação. «Estamos a crescer muito em Inglaterra e todas estas alterações que estão a acontecer desde há um ano e meio – o Brexit primeiro, agora o Covid e todas as regras que se dizem que vão alterar no que diz respeito à exportação – podem criar-nos impactos negativos no comércio com um dos nossos maiores mercados», considera o responsável pelo departamento de internacionalização da Meia Pata. «Por outro lado, sendo Itália o epicentro do vírus na Europa, também poderá vir a criar alguns problemas porque os números estão novamente a aumentar. Depois temos os EUA e a Colômbia que foram sempre mercados muito bons para nós», revela.

A Meia Pata quer, no entanto, crescer mais nos EUA, a aposta mais recente da marca nos destinos de exportação. «Estamos a crescer e queremos continuar a apostar. Estamos inclusivamente, com o nosso importador dos EUA, a desenvolver uma coleção permanente. de forma a conseguirmos responder prontamente e todo o ano», adianta Diogo Marques.

Mesmo assim, ainda há espaço para ampliar o número de mercados da Meia Pata. «Neste momento queremos também começar com o México, vamos enviar agora amostras para o distribuidor, com o qual acabámos de fechar contrato. Estamos também a começar com a Noruega, que também nos interessa para meias com um design diferente, com outras cores, mais quentes», aponta o responsável pela internacionalização da marca, sublinhando ainda que o crescimento deve ser «sustentado e proporcional à capacidade de entrega».