Marcelino Freire, Sidney Rocha, Renata Santana e mais sete autores participam da coletânea de contos Abrigo

  • por

Quando realizaram os convites aos autores participantes da coletânea Abrigo, Thiago Corrêa e Cristhiano Aguiar – co-organizadores – escolheram por nem delimitar um tema nem exigir ineditismo para os contos que seriam enviados. Assim sendo, Marcelino Freire, Sidney Rocha, Renata Santana, Camilla Inojosa, Oscar Nestarez, Débora Ferraz, Diogo Monteiro, Carol Rodrigues e Joana Rozowykwiat ficaram livres para contribuir com o textos que desejassem.

Mas, como uma agradável surpresa, não é bem essa a impressão ao ler o livro, recém-lançado pela editora Vacatussa e que chega para completar a Coleção Solidária, em que todos royalties das vendas (R$ 9,90 o e-book, pela Amazon) são revertidos em doações para a ONG Samaritanos Recife.

Há uma linha temática que costura os 10 contos – além dos nove autores citados, um texto do falecido escritor pernambucano Gilvan Lemos também compõe a coletânea – e que, de maneira muito natural, sem sobressair-se à individualidade de cada narrativa, dialoga com o espírito do nosso tempo. Aliás, é justamente ele, o tempo e reflexões acerca de sua passagem, de questões relativas à memória, às relações familiares e à morte, que predominam em todo o livro.

Sidney entrega um comovente relato de uma despedida indesejada, refletida pelo narrador protagonista em uma viagem de avião. Marcelino e sua prosa envolvente a respeito da fraternidade e dos desencontros da vida. Débora, Joana e Gilvan geolocalizam seus enredos no interior e, com ele, falam da força de sua gente. Diogo e Oscar mergulham no realismo fantástico e no terror, respectivamente. Carol provoca questões pertinentes sobre envelhecimento. Camilla olha para a infância e adolescência roubada pela violência familiar. E Renata joga luz, com muita sensibilidade, sobre as consequências da pandemia para os nossos mais velhos.

“A ideia é que a antologia fosse plural no perfil dos autores, temos alguns nomes mais consagrados já nacionalmente, outros que vêm de uma cena mais independente. E, consequentemente, essa pluralidade se reflete também nos temas dos contos, sabíamos que o resultado seria muito interessante”, afirma Cristhiano Aguiar. “É interessante que depois, quando juntamos tudo num arquivo e entramos nas etapas de edição e revisão, conseguimos perceber alguns diálogos entre os contos”, ressalta Thiago.

A coletânea Abrigo é um instigante recorte do que vem sendo produzindo na literatura contemporânea brasileira, sobretudo nordestina. Dos 10 autores, apenas Carol Rodrigues e Oscar Nestarez são de outros estados – respectivamente Rio de Janeiro e São Paulo. É um livro que trata de temas atemporais, mas com alguns panos de fundo bastante atuais. É possível também não interpretar diversos dos relatos pela lente da recente experiência do confinamento e dos tantos anseios, provocados individual e coletivamente pela pandemia.

“É interessante pois eu não tinha pensando na coletânea articulando-a com a minha pesquisa covid”, analisa Cristhiano que também vem se debruçando nos últimos meses em mapear a produção literária brasileira produzida a partir e sobre a pandemia. “Mas como o momento que estamos vivendo é muito intenso e pontua toda nossa vida – a gente acorda pensando, sonha com isso, tem que elaborar alguns lutos -, é natural que provoque uma nuvem interpretativa através da qual a gente lê, por exemplo, esse livro. É difícil não fazer a conexão com o que estamos vivendo”, conclui.

 

LIVRO Cristhiano Aguiar e Thiago Correa e são curadores – DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO

Oscar Nestarez, escritor – DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO

Carol Rodrigues, escritora – DIVULGAÇÃO

ANNY STONE/ DIVULGAÇÃO

Sidney Rocha, escritor – ANNY STONE/ DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO

Diogo Monteiro, escritor – DIVULGAÇÃO

DIEGO GALBA/DIVULGAÇÃO

INTERIOR Joana Rozowykwiat fala da força do povo – DIEGO GALBA/DIVULGAÇÃO