Maranhense supera depressão e se forma em gastronomia aos 69 anos

  • por

Assista à entrevista completa de Dona Conceição no programa Daqui, da TV Mirante

Conceição de Maria passou cinco anos lutando contra a depressão, que a deixou sem sair de casa, sem vontade nem de se alimentar. “Entrei em desespero, perdi o gosto de viver, não queria saber mais de nada. Passei a ter crises de asma e sempre precisava ficar internada. Foram cinco anos assim até que um médico me falou que minhas crises eram emocionais e eu percebi que precisava reagir”, conta a aposentada.

Para a ajudar a superar a depressão, em decorrência do luto, Conceição de Maria fez acompanhamento com psicólogos e psiquiatras e tomou antidepressivos. Além de ter iniciado a praticar atividades, como costura e crochê, para preencher o tempo vazio e superar a dor.

Mas foi cursando gastronomia na faculdade que Conceição de Maria encontrou uma maneira de deixar o quadro de depressão e realizar seu sonho da juventude. Em setembro deste ano, a idosa se formou, e a família comemorou junto com ela. Uma publicação de sua neta, no Facebook, transformou a maranhense em sucesso nas redes sociais e ganhou mais de 102 mil curtidas.

Conceição de Maria, natural do município Pio XII, no Maranhão, foi acompanhar um dos seus filhos até uma faculdade particular de São Luís para fazer a inscrição na segunda graduação dele. Lá, o diretor convidou ela para estudar na instituição e integrar a segunda turma de gastronomia na entidade. Se formar numa faculdade parecia um sonho distante, principalmente depois do casamento e do nascimento dos quatro filhos, mas acabou se tornando realidade.

Conceição de Maria revela que não aceitou o convite, porque acreditava estar com a idade avançada demais para fazer faculdade. Mas seu filho caçula, sem que ela soubesse, a inscreveu para o vestibular.

“Meus filhos e netos passaram a me incentivar a estudar. Fui fazer a prova do vestibular achando que eu não ia passar, mas fui aprovada”, conta.

Com o incentivo da família, Conceição de Maria ingressou no curso gastronomia em 2018, onde fez amizades e conquistou amigos e professores. “Fui muito bem recebida, os outros alunos vinham me abraçar, dar as boas-vindas. Eu ficava pensando: ‘o que eu estou fazendo na faculdade?’. Mas foi lá que encontrei uma verdadeira terapia porque amada e respeitada por todos.”

Ao se deparar com diversas matérias, Conceição de Maria ficou apreensiva e muitas vezes pensou que não iria conseguir concluir o curso. Mas a idosa contou com o apoio dos colegas de classe e até de alunos de outros cursos da faculdade. E, no final, deu tudo certo.

“Eu nunca tinha estudado química na minha vida, mas, com paciência, os professores iam me explicando e meus colegas ajudando. Isso foi fundamental”, lembra.

Durante a pandemia da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, as aulas presenciais tiveram que ser substituídas pelas virtuais. Conceição de Maria diz que pensou em desistir dos estudos, por não tem familiaridade com computador e celular.

“Pensei que eu não daria conta de acompanhar porque é mais difícil de entender a explicação à distância. Mas, mais uma vez, meus amigos de sala e minha família me ajudaram a ir lidando com a tecnologia até terminar o curso”, explica.

Após dois anos de dedicação, no início de setembro, aconteceu a tão sonhada formatura. Devido ao distanciamento social imposto pela pandemia, a colação de grau precisou ser on-line.

Em frente ao computador, de beca e maquiagem, Conceição Maria recebeu o tão sonhado diploma. O momento foi acompanhado de perto pelos filhos e netos que fizeram questão de montar uma decoração em casa para comemorar a conquista.

“Às vezes, a gente pensa em desistir e acha que não somos capazes de fazer algo. Mas, com determinação, tudo é possível. É o que eu falo para os idosos, e também para os jovens.”

Formada, a aposentada deixou a máquina de costura e as agulhas de crochê de lado e, agora, dedica pelo menos cinco horas de seu dia para preparar cafés e receber pessoas.

“Meu filho montou um café e eu estou trabalhando com ele. Recebo as pessoas, faço cafés e acompanhamentos. Quem diria que depois de aposentada eu estaria realizando meu sonho?”, expressa.

*Com informações do UOL