Maracanã estuda até gramado híbrido, mas queixas do Flamengo motivam reforma emergencial

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Melhor visitante do Brasileiro, com nove dos 11 pontos conquistados fora de casa, o Flamengo volta a jogar no Maracanã amanhã, contra o Fortaleza. Será o reencontro com um dos seus adversários na tentativa de apresentar um futebol ainda mais bonito do que contra o Bahia: o gramado do seu estádio.

Segundo relatos de jogadores e da comissão técnica apurados pelo GLOBO, o fato de não ter vencido em casa, onde conseguiu apenas dois empates e uma derrota, passa pela má qualidade do piso. Para ser exato, o sentimento no vestiário rubro-negro é de inconformismo pelo palco não proporcionar a velocidade de jogo requerida pela equipe.

“Pior gramado do Brasil, disparado. Jogo fica mais lento, não é desculpa”, contou uma fonte do clube à reportagem.

Não à toa a empresa que gerencia o Maracanã, representando tanto Flamengo como Fluminense, vai colocar em prática um novo cronograma de manutenção ao longo de 11 dias sem jogos no mês de setembro, entre 16 e 27. É a única brecha possível este ano.

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— Existe um estudo para mais uma troca. A gente já trocou a área norte, pegando a grande área. E vamos aproveitar a janela de 11 dias para avançar mais um pouco — explicou o CEO do Maracanã, Severiano Braga.

No longo prazo, há estudos para que o gramado do Maracanã seja híbrido, com grama natural e sintética. Mas o processo de troca pode levar até 50 dias, e está descartado neste momento.

— É uma possibilidade para frente — confirma Braga.

No período de duas rodadas em que o Flamengo esteve ausente do Maracanã, desde o clássico com o Botafogo, no último dia 23, o Fluminense atuou no palco. Houve relatos do clube à empresa que gere o estádio de melhorias depois da troca realizada após o Estadual.

O próximo passo será trocar parte do setor sul, que normalmente recebe mais sol. A avaliação na hora da reforma vai definir se haverá reposição até o meio-campo.

Clima prejudica

A empresa que faz a manutenção é a Greenleaf, que não explicou os motivos para tanta reclamação. Internamente, as justificativas para o Maracanã ter voltado depois de meses sem utilização com o gramado ruim é o clima. Na área norte, de março a setembro não pega sol. Já na parte sul, quase o tempo todo, o que leva a reação mais rápida à manutenção. Os especialistas precisam analisar a raiz da grama, se a folha está abrindo, se o gramado como um todo está acolchoado ou duro. Mesmo que aparentemente esteja regular, o que vale é como a bola rola para os jogadores.

No caso da grama híbrida, primeiro é preciso plantar a natural por placas, sem o rolo maior. Depois que fica maduro e compacto, a máquina costura o gramado sintético todo por cima. Para o CEO Severiano Braga, a qualidade do palco poderia estar melhor, mas a tendência é que a menor diferença de temperatura afete menos a grama daqui em diante.

— A área que fizemos o plantio há um mês está excelente, reagindo muito bem. Quando vamos medir os dois lados, vemos que está dando resultado, e a próxima troca, se repetir o procedimento, vai dar certo — acredita o executivo.

Nos últimos 20 dias, o Maracanã recebeu sete partidas. Menos de três dias de intervalo para o próximo jogo. A data prevista para que a nova troca da grama aconteça está inserida entre a participação do Fluminense pela Copa do Brasil, prevista para dia 16, contra o Atlético-GO, e o próximo jogo do clube pelo Brasileiro, dia 27, contra o Coritiba.

A última partida do Flamengo antes desse período é pela nona rodada do Brasileiro, justamente no clássico contra o Fluminense, dia 9. O Tricolor ainda terá o compromisso diante do Corinthians no estádio, pela mesma competição, na rodada seguinte, dia 13. Além disso, o jogo pela décima primeira rodada, entre Flamengo e Goiás, foi adiado de 20 de setembro para 13 de outubro. No mês de outubro, haverá jogos todas as quartas e domingos.