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Mãe e filha vendem cerca de 2 mil máscaras e realizam sonho da troca de eletrodomésticos | Petrolina e Região

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Com a paralisação das atividades econômicas durante a pandemia do novo coronavírus, muitas pessoas foram afetadas financeiramente. Desde então, famílias e pequenos negócios têm buscado algumas saídas para se manter neste momento. Em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, mãe e filha encontraram na venda de máscaras a possibilidade de realizar o sonho da troca dos eletrodomésticos, além da abertura de um ateliê de costura e artesanato.

Há três anos, a professora Regia Jacó fazia planos da aposentadoria, e para não ficar com muito tempo livre, criou uma página no Instagram para divulgar as peças de artesanato que começou a produzir. A partir da recomendação do uso de máscaras no Brasil, a professora e a filha, Vitória Jacó, iniciariam a produção do item. A rede social ajudou bastante na divulgação e sucesso do novo negócio.

“Logo no início da pandemia, minha filha precisou ir a uma consulta e me pediu para fazer uma máscara para ela. Fiz, fotografei e publiquei na página”, lembra a professora.

A artesã e a filha passaram horas da madrugada dedicadas ao trabalho para atender a demanda. — Foto: Arquivo Pessoal/Regia Jacó

Após a publicação, os pedidos começaram a chegar. A princípio foram dos amigos, familiares e vizinhos. Depois de alguns dias, as encomendas aumentaram bastante e Regia não tinha mais condições de atender os clientes e produzir as peças ao mesmo tempo. Então, Vitória decidiu que iria ajudar a mãe, mas, com uma condição, trocar o fogão.

“Não queria entrar nesse meio porque eu tinha minhas coisas. Aí eu disse a mainha: só te ajudo se o dinheiro que entrar, de lucro, a gente trocar o fogão. Não aguentava mais, era tão velho que demorava até para fazer um ovo”, conta a jovem.

Vitória, tem 27 anos, e se dedica aos estudos em busca da tão sonhada aprovação em um concurso público. Ela, que não sabia costurar, não entendia de tecidos, se dedicou no atendimento dos pedidos e gerenciamento das redes sociais. A ansiedade que a concurseira estava sentindo desde o início da pandemia, começou a diminuir.

Mãe e filha passaram horas dedicadas no trabalho para atender a demanda. Vitória, que no início não entendia nada sobre o universo da costura, aprendeu. Com o aumento dos pedidos, uma máquina não era mais suficiente, precisaram de outra para acelerar a produção.

“Ela não conhecia o nome de nenhum tecido, não tinha noção de nada. Ela abraçou a situação e aprendeu a costurar. Começou cortando as máscaras e depois a costurar. Quando eu vi um monte de gente pedindo, no sufoco, aí eu disse a ela: não, nós não vamos trocar só o fogão, vamos trocar a geladeira e a máquina de lavar roupas”, lembra Regia aos risos.

Mãe e filha conseguiram vender cerca de 2 mil máscaras de tecido. — Foto: Arquivo Pessoal/Vitória Jacó

Dois meses após as primeiras vendas, mãe e filha conseguiram vender cerca de 2 mil máscaras de tecido. Dinheiro suficiente para a tão sonhada troca dos eletrodomésticos. “Na medida que ia passando o tempo, a gente dizia: eita, o dinheiro que a gente juntou, já dá para comprar o fogão”, lembra a artesã das horas na madrugada costurando.

A produção que havia começado na área de serviço e passou para a cozinha, hoje ocupa um espaço reservado na sala onde se tornou o ateliê.

“Jamais imaginava que meu ateliê fosse montado em uma situação de uma pandemia como essa. Então, corra atrás do seu sonho que você consegue, não desista por mais obstáculos que você possa encontrar pela frente, não desista!”.

A filha garante que vai continuar a parceria com a mãe, pois ainda precisa trocar alguns móveis. — Foto: Arquivo Pessoal/Vitória Jacó

Atualmente, Regia ainda não conseguiu se aposentar, continua sendo professora em um turno e trabalhando no ateliê no outro. As encomendas de máscara diminuíram, mas as vendas continuam boas e todos os dias recebe pedidos de outras peças. A filha garante que vai continuar a parceria com a mãe, pois ainda precisa trocar alguns móveis.

“Quero trocar minha cama, meu guarda-roupa, então, preciso trabalhar! O sentimento é só de alegria, realizei meu sonho de trocar a geladeira, que eu vivia falando que era minha maior vontade. E poder conseguir assim, então pouco tempo, é bom demais”, destaca Vitória.

*Pedro Miranda, estagiário, com supervisão de Amanda Lima