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Maconha sintética se torna a droga da vez nos presídios de Bauru e região

Entorpecente na pasta de dente

“A reinvenção da maconha”. Um entorpecente novo passou a fazer parte da rotina dos presídios de Bauru e região e está na mira das fiscalizações dos agentes. Trata-se do K4, a maconha sintética. Por ser mais fácil de ser ocultada em objetos, a droga, cujo formato é quase como um papel, tem sido cada vez mais presente em correspondências enviadas por familiares de presos a unidades. Para se ter uma ideia, foram 48 flagrantes do entorpecente de janeiro a setembro deste ano, enquanto, no mesmo período de 2019, houve apenas duas ocorrências. Trata-se de um aumento de 24 vezes.

A unidade “campeã” nas apreensões é o Centro de Progressão Penitenciária 2 (CPP-2) “Dr. Eduardo de Oliveira Vianna” de Bauru, com 32 flagrantes neste ano. “Devido ao período de pandemia, os presos não estão recebendo visitas presenciais e, com isso, aumentou muito o número de encomendas pelos Correios. Recentemente, nos deparamos com uma surpresa nada agradável: a reinvenção da maconha. Agora, na forma artificial e potencializada, chamada de K4”, detalha o diretor da unidade, Fernando Henrique de Melo Santana.

Ele explica que a nova droga é formada por substâncias que simulam ou têm uma reação muito parecida com o THC, que é o princípio ativo da maconha, porém, muito mais potente. “É um material sintético com aspecto e textura de uma folha de papel e deixa o usuário muito agitado e agressivo”, relata o diretor.

“E os criminosos tentam de tudo para ter acesso a esse entorpecente, até mesmo usar os próprios familiares como ‘pontes’, com o objetivo de burlar a segurança do presídio”, reitera.

CRIATIVIDADE

Santana aponta que presos e seus familiares não poupam a criatividade na hora de camuflar a droga sintética. “Já encontramos K4 dentro de filtro de cigarro, tubo de creme dental, sola de tênis e chinelo, fundo falso de margarina, costura de bermuda e calça e até nas fatias de um pão de forma”, elenca.

Para impedir a entrada de ilícitos em presídios, o diretor do CPP-2 de Bauru destaca que as unidades geridas pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) contam com escâner corporal, aparelhos de raio-X de menor e maior porte, além de detectores de metais de alta sensibilidade.

Entretanto, ainda segundo Fernando Santana, a perícia dos agentes faz toda diferença para o êxito dos flagrantes. “A atenção do servidor nunca foi tão necessária e tem sido responsável por 100% das apreensões, que aumentaram graças à perspicácia e o tirocínio dos funcionários, que possuem um olhar cirúrgico e minucioso”, completa.

LAUDOS

Somente em agosto deste ano, a Polícia Científica começou a emitir laudos para confirmar o tráfico de drogas sintéticas, incluindo o K4, no Estado de São Paulo. Antes disso, mesmo com a apreensão da droga, ninguém poderia ser preso porque os laboratórios policiais não tinham como comprovar cientificamente que o K4 é entorpecente.

Entretanto, com o novo equipamento utilizado pelos peritos, a Justiça passou a processar o fornecedor e indiciá-lo por tráfico de drogas. “Todo o material apreendido é encaminhado para autoridade policial realizar o laudo. Além disso, é instaurado procedimento administrativo em desfavor do sentenciado”, finaliza Fernando Henrique de Melo Santana, diretor do CPP-2.