Letícia Lima fala sobre altos e baixos na quarentena: ‘É normal não estar bem também’

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O fato de ser famosa não faz com que a quarentena de Letícia Lima seja muito diferente de tantos outros anônimos que podem ficar em casa durante a pandemia do novo coronavírus. A atriz, que já falou abertamente sobre ter enfrentado depressão e ansiedade em outros momentos da vida, vive uma “montanha-russa de sentimentos”, enquanto cumpre o isolamento em seu apartamento, na companhia de seus três cães. “Nem sempre acordamos bem, dispostos, felizes. Há dias de angústia e tristeza. E tento estar atenta quando isso acontece para identificar o meu gatilho e respeitar meu tempo para que isso passe”, diz.

Com projetos adiados, ela tem três filmes já rodados para serem lançados e aproveita o momento para fazer algumas reflexões sobre a importância da coletividade. Recentemente, postou uma foto seminua no Instagram para chamar atenção para os protocolos indicados no combate à Covid-19. Além de falar sobre a doença, o ato também serviu de deixa para debater a maneira como parte do público lida com a nudez.  “Confesso que não entendo esse tipo de controle que as pessoas querem ter do corpo dos outros”, comenta Letícia, na entrevista a seguir.   

O GLOBO – Como tem sido a sua rotina na quarentena? Onde tem passado os dias?

LETÍCIA LIMA – Estou passando a quarentena no meu apartamento. Tento manter uma pequena rotina, como, por exemplo, tomar sol de manhã na varanda com meus cachorros. Estou lendo bastante, assistindo a muitas séries e filmes e fazendo uns cursos online de coisas que sempre quis fazer, mas não encontrava tempo, como corte e costura e cerâmica.

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Está sozinha ou tem a companhia de alguém?

Tenho a companhia dos meus cachorros: Bruno, Juju e Bibi. Eles estão muito felizes que eu estou em casa sempre. E que sorte que eu tenho essas companhias. Eles estão sendo fundamentais para a minha saúde emocional nessa quarentena.

O que tem sido mais difícil nesse período?

Acho que o mais difícil é a gente aprender a viver no hoje. Porque não adianta planejar muito. Isso é um pouco contra quase o nosso ritmo de vida. Estamos no trabalho já pensando no que vem depois. E agora não adianta muito porque ainda não temos ideia de quando isso vai passar e de como vai ser depois. Então, temos que aprender a viver o hoje. É um dia de cada vez. E aprender a acolher tudo que vem nesse dia. A sensação de tempo é muito diferente, porque podemos sentir que estamos vivendo o mesmo dia inúmeras vezes. E aí aparece a angústia desse sentimento, do momento em si, das incertezas. É uma montanha-russa de emoções. Estou aprendendo a lidar com elas um dia de cada vez.

Atriz tem três filmes rodados Foto: Divulgação/Pino Gomes

Você já falou sobre ter depressão e ansiedade. Precisou lidar com isso nesses dias?

Sim, lidei com momentos mais delicados. Tive algumas crises. Como falei, é uma montanha-russa de sentimentos. Nem sempre acordamos bem, dispostos, felizes. Há dias de angústia e tristeza. E tento estar atenta quando isso acontece para identificar o meu gatilho e respeitar meu tempo para que isso passe, entendendo que é normal não estar bem também. E que é fundamental buscar ajuda para melhorar. Não diminua ou desmereça o que você sente. Acolha tudo o que sentir, seja bom ou ruim.

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Por outro lado, acha que sairá modificada desse contexto?

Sem dúvida. Sempre que vai acabando um trabalho costumo me recolher um pouco, ficar só comigo mesma, já que passei muito tempo sendo alguma personagem. E aproveito para pensar nos próximos passos. Quando começou a pandemia, já estava nesse processo. Ele acabou sendo intensificado. É um momento de rever tudo. Acho que saio pensando ainda mais no coletivo, no próximo, tendo a certeza de que cada vez mais precisamos exercitar a empatia e a solidariedade.

Letícia está no elenco de "Amor de mãe" Foto: Divulgação/Pino Gomes
Letícia está no elenco de “Amor de mãe” Foto: Divulgação/Pino Gomes

Você já tem previsão para voltar ao set? Quais desafios espera encontrar?

Para o set de “Amor de Mãe” não volto mais porque já deixei gravado tudo da Estela. Mas fico pensando em como será a volta ao trabalho, porque o esquema de gravação vai mudar. Lá fora, onde isso já está sendo retomado, estou vendo que estão fazendo adaptações, restringindo o contato entre os personagens. Estou acompanhando para ver como será aqui. Atenta a essa nova forma de interagir.

Quais são os seus projetos para depois da novela? Alguma novidade para nos adiantar?

O que eu tinha planejado era um curso de imersão na Broadway, mas, com a pandemia, teve que ser adiado. Tenho quatro longas já rodados e agora estamos aguardando o lançamento. Projetos futuros também estão em adaptação.

Você postou uma foto de topless para chamar atenção para o não cumprimento do isolamento social. Como teve essa ideia?

Minha ideia foi usar minha imagem para que as pessoas lessem a legenda. Já que fotos do tipo estão sempre entre as mais curtidas, comentadas e compartilhadas. Então, resolvi usar esse recurso para uma causa importante. Quando começaram a anunciar as regras de flexibilização, grande parte da população começou a pensar que tudo estava liberado, que poderíamos voltar a ter a mesma rotina de antes. Mas não é bem assim. São mais de 80 mil mortos no país e os números ainda sobem. Ainda não há vacina nem medicação para os sintomas da doença. O contágio continua. Então, para quem puder, ainda é fundamental permanecer em casa. E se precisar sair, é necessário respeitar todos os protocolos de segurança: evitar aglomerações, usar máscara e higienizar as mãos com álcool.

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Aliás, como você lida com o corpo em com a nudez? As pessoas ainda criticam esse tipo de exposição…

Eu percebo essa crítica até mesmo quando estou interpretando uma personagem. Alguns comentários na internet apontavam sobre as cenas da Estela de lingerie e se mostravam incomodados com isso. Confesso que não entendo esse tipo de controle que as pessoas querem ter do corpo dos outros. No caso de “Amor de Mãe”, achava totalmente pertinente as cenas e as características daquela mulher naquele contexto. E, se comparadas com o total de cenas que foram exibidas, tinha muito mais cenas em que ela não aparecia lingerie do que o contrário. Mas eram só essas que chamavam mais a atenção. Fala muito sobre como a sociedade ainda vê a mulher. Tivemos cenas com atuações incríveis com e sem estar de lingerie. É que o corpo ainda chama mais atenção do que a palavra e o conteúdo.