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Lenka da Silva: Um vestido sem costura – Colunistas

Que se vista como o tecido na medida das coxas. Que mostre o que a natureza lhe deu ou o que a cirurgia estética aperfeiçoou. Lenka da Silva, se quiser, até pode dispensar o uso do guarda-roupa. Não é obrigada a seguir a linha de uma costureira santa. Contudo, há perguntas que podem ser pertinentes ao assunto: o que é que fazem, num programa do tipo do ‘Preço Certo’, raparigas e senhoras com as pernas à fresca e tops e vestidos que mostram ou marcam o centro do olho guloso? Que relação existe entre acertar o preço de um microondas e de um frigorífico inteiro, e uma mulher trajada com bainha curta? Disse Lenka da Silva através do Instagram frases que parecem borras de café: “Temos a sorte de viver na Europa e poder vestir e mostrar tudo o que quisermos. E, acreditem, não tenho muito mais anos pela frente de poder vestir um vestido tão bonito”.

Bem, por partes, que, assim, provoca soluços. A questão não é vivermos na Europa ou, na cochinchina. A liberdade, a querida liberdade, que é sempre chamada, aqui entrega-nos lucidez suficiente para entender o que de facto se quer dizer com mostrarmos tudo o que queremos. A lógica existe para ser usada na cabeça. Procura-se a coerência de aparecer na televisão senhoras simpáticas com um vestidinho no meio do apresentador igualmente simpático. Os assistentes do sexo masculino, que se saiba, não se apresentam com calções acima do fémur. Não lhe sobram anos para se vestir como os pseudos vestidos do género.

Há idade para a roupa entrar no nosso corpo, é verdade, porque o ridículo é capaz de nos visitar. No entanto, mesmo que haja calendário para essa linha de vestuário, o absurdo pode rondar. Lenka da Silva, para sua defesa, usa palavras bonitas, mas, e com franqueza, fazem tanta falta como um casaco de vison nas Maldivas: “….Mulheres sem medos, mulheres se  guras, amadas, que se sabem defender quando é preciso mas também sabem que ser mulher é ser amiga das outras mulheres”. Ser mulher é ser amiga de todas as mulheres? Diga outra vez 33.