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ITV romena sofre com Covid-19

[©Tricotton Junior]

As empresas de têxteis e vestuário da Roménia acreditam que vai demorar muito tempo até recuperarem da pandemia, depois de oito meses de negócios difíceis e queda de rendimentos. A indústria estava já em queda e em seis anos, segundo o just-style.com, perdeu 400 milhões de euros na produção de moda, que passou de 3,9 mil milhões de euros em 2014 para 3,5 mil milhões de euros em 2019.

A federação patronal FEPAIUS – Federatia Patronala din Industria Usoara afirma que com partes significativas da produção paradas durante o confinamento inicial da Roménia desde o início de março a meados de maio de 2020, a indústria está a debater-se para recuperar a capacidade.

Atualmente, um terço da produção orientada para a exportação ainda não reabriu, de acordo com uma nota da FEPAIUS. Uma parte significativa dos trabalhadores na indústria de vestuário romena está apenas a trabalhar a 20% e 40% foram mesmo despedidos, dá conta a federação, citada pelo just-style.com.

O presidente da FEPAIUS, Mihai Pasculescu, adianta que 40% das encomendas foram perdidas no ano passado, com uma queda estimada de 80% em termos anuais no volume de negócios das empresas. As encomendas do importante mercado italiano foram especialmente fracas, sobretudo no início de 2020, quando Itália foi gravemente atingida pela pandemia.

Isso também afetou o trabalho na Roménia, cujas empresas de têxteis e vestuário aprovisionam parte significativa de matérias-primas de fornecedores italianos. Com os envios de materiais da China também suspensos ou atrasados, os tempos de entrega para produtos acabados por parte dos produtores romenos subiu de 30 para 45 a 50 dias ou mais, aumentando o risco de cancelamento de encomendas.

Mercado doméstico fraco

«As nossas lojas estiveram fechadas dois meses durante a primavera, quando era suposto termos o maior volume de vendas no início da estação», indica Dobra László, diretor-geral da Secuiana, uma grande produtora de vestuário da região da Transilvânia. «Quando reabrimos em meados de junho, as nossas vendas caíram 40% a 50% em comparação com o ano anterior. Os nossos clientes estrangeiros reduziram as encomendas até 50%, o que nos forçou a despedir 80 pessoas», conta.

[©Tricotton Junior]

A sua empresa e outras beneficiaram de apoios para pagar as indemnizações aos funcionários despedidos e cobrir 41,5% dos impostos pagos pela entidade empregadora sobre os salários dos funcionários, revela. Mas não houve «qualquer ajuda especial para a indústria têxtil» em termos de subsídios diretos.

Como resultado, várias fábricas focadas na exportação na região de Vrancea, a norte de Bucareste, um dos centros têxteis da Roménia, tiveram de fechar temporariamente, uma vez que as encomendas reduziram drasticamente, segundo as notícias publicadas no Dialog Textil, uma publicação profissional romena dedicada à indústria.

A salvação dos EPIs

Muitas empresas mudaram ou redirecionaram parte da sua produção para fabricar equipamentos de proteção individual (EPI) e máscaras, para sobreviver. A Secuiana foi uma delas. «Há anos que não tínhamos a oportunidade de efetuar novos investimentos. A nossa única hipótese era aproveitar a produção de máscaras e EPI, com base na procura», admite Dobra László.

Os clientes que mudaram as suas encomendas de vestuário para EPI também ajudaram a Tricotton Junior, uma produtora de malha de Vrancea, a manter a produção ao longo da pandemia, refere a proprietária Elena Stoica. O mesmo aconteceu com a Tanex, que tem unidades em Bucareste e Prahiva e regularmente fornece marcas de moda francesas.

[©Tricotton Junior]

Quem também beneficiou foi a maior produtora de não-tecidos da Roménia, a Minet, em Vâlcea. A empresa criou uma rede de 52 pequenas produtoras romenas de têxteis e vestuário capazes de fabricar vestuário e equipamentos para profissionais de saúde, envolvendo cerca de 10 mil trabalhadores na produção de EPI.

«A única coisa boa desta pandemia é que as marcas de moda, e outras, estão a acelerar a digitalização, que é muito necessária para o comércio eletrónico romeno», destaca Corina Cimpoca, fundadora da empresa de pesquisa de mercado MKOR.

Contudo, adverte Dobra László, «vai ser um caminho longo até conseguirmos recuperar. Todos os nossos clientes têm muito produto das estações passadas, por isso tem de passar algum tempo até a rotação de stocks voltar ao normal».