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Isolamento na pandemia faz santistas descobrirem novos talentos

Durante a quarentena, muita gente começou a revisitar atividades que não conciliavam mais com a rotina do dia a dia. Houve, ainda, aqueles que descobriram talentos ou prazeres que nem imaginavam. A pintura é um desses exemplos. 

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A aposentada Helenice Garcia Pajaro, de 68 anos, que mora no Marapé, em Santos, descobriu em atividades manuais uma paixão, além de um jeito de ajudar quem precisa.

É que ela faz parte de um grupo de costura do Centro Espírita Luís Monteiro de Barros, que fica no Bairro Vila Nova. As peças são feitas de maneira voluntária para o bazar da entidade, que ajuda, principalmente, pessoas em situação vulnerável na região do Mercado Municipal de Santos. 

Harmonia interior

Devido à pandemia, ela e as amigas do grupo deixaram de expor o trabalho em feiras. Mas resolveram não ficar de braços cruzados e intensificaram o trabalho com a pintura. 

Fazer os quadros a ajudou a não ficar estressada devido à ansiedade que a pandemia causa.

“Eles restauram nossa harmonia interior, dando o equilíbrio de que a gente precisa para enfrentar essa agitação causada pelo distanciamento que estamos vivendo”, diz. “O trabalho, principalmente voltado ao próximo, é a melhor forma de nos fortalecer para passarmos por esse momento difícil sem perder a nossa fé. E é essa esperança que nos faz acreditar em dias melhores”, emenda.

Para começar

Segundo a designer gráfica Thais Haydee Pedroso, de 51 anos, uma boa forma de começar é com os desenhos em papel. Ela está há 26 anos no Sesc Santos e mantém também um ateliê de pintura, arte que faz desde que se “conhece por gente”.

“Pode usar o lápis de cor, objeto com que temos muita familiaridade. A internet tem muitos desenhos nos quais você pode se inspirar, com traços simples e retos que dá para copiar”, recomenda Thais.

Outra dica que ela dá é usar papel vegetal para copiar algum traço. Depois, passar para uma folha simples e fazer a pintura a lápis. “Talvez seja um começo mais fácil”, sugere.

A designer lembra, também, que desenho é treino. Caso a pessoa goste do que está fazendo e queira se aperfeiçoar, é preciso treinar e avaliar possibilidades de melhorar na arte.

“E, para a pintura é a mesma coisa. É preciso ir treinando, vendo as cores, misturando. Dá para passar horas assim, diversificando as possibilidades.”

No começo, lápis giz e observação

A professora de Educação Artística Edilamar Marconi recomenda fazer desenhos de observação de objetos e paisagens usando um lápis 6B para começar, pois os materiais de pintura a óleo são mais caros.

“O mais importante é prestar bastante atenção à luz clara ou à escura, tanto para o desenho em preto e branco quanto para pintura à tinta. A observação é essencial”, diz.

Edilamar afirma que pode ser usado tanto o lápis quanto um giz de cera para se começar a perceber cores e suas nuances. “Um bom papel é o canson. Depois, pode passar para a tinta guache (em tubo). Sempre ter pincéis de vários tamanhos, com pontas arredondadas e achatadas. Não recomendo materiais caros. Um bom começo podem ser as revistas de mandalas, animais, que se encontram em bancas de jornais”, propõe a professora.

Dicas

>>Se for mexer com guache, comece misturando as cores e compre as quatro principais: magenta, ciano, preta e branca. Faça brincadeiras para misturá-las e ver as cores que vão se formando. 

>>Se quiser pintar, no começo, é bom que seja algo mais sólido, como quadros ou folhas. Panos de prato talvez não sejam tão práticos, porque a superfície é mole: erros causam muitos borrões. 

>>Pintar quadros pequenos dá a chance de experimentar técnicas e cores sem investir muito tempo ou material no processo. Você pode comprar pequenas telas de 20 x 30 cm.

>>Você não precisa usar todas as cores da sua paleta de uma só vez. Comece com uma pintura monocromática, uma pintura de apenas um matiz, além de seus tons (misturando preto ou branco).

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