Indicado do Brasil ao Oscar, filme sobre Babenco mostra delicadeza do fim da vida

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Há uma relação de morbidade, tristeza e de afastamento que precisa ser dissociada da morte. Um dos grandes desafios para sociedades ocidentais, esse processo natural tem sido trazido de forma delicada e particular em algumas das narrativas literárias e audiovisuais recentes. Este, talvez, seja um dos principais trunfos do documentário “Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou”, da diretora Bárbara Paz, que estreia nos cinemas brasileiros no dia 26 de novembro. O filme traz uma narrativa em torno da vida e obra do diretor Hector Babenco, que faleceu em 2016, em seus últimos momentos da vida.


O documentário é um relato dos mais íntimos do cineasta. Ele viveu os últimos momentos da vida ao lado de Bárbara Paz, que tem como objetivo fazer um “registro-missão” em torno do artista brasileiro, mas nascido em Mar Del Plata, na Argentina. “É um filme que eu tinha que fazer. É um filme que eu precisa registrar esse homem se eu não tivesse tempo. E é um registro além dos filmes dele, da forma como ele pensava. Eu falei que queria fazer um filme dele quando ele estava em um dos leitos de hospital e ele me perguntou: quando você quer começar? Ele queria que eu registrasse ele mais do que tudo”, conta Paz.

Ela, que vivia ao lado dele desde 2010, enfatiza que não seria qualquer pessoa que poderia registrar os últimos momentos da vida de Babenco. O cineasta descobriu o primeiro câncer aos 38 anos, curou-se, mas a doença voltou forte nos últimos anos de vida. “A gente sabia que ia ser um filme de despedida, mas mesmo assim não seria um filme triste. Por que a morte precisa ser triste numa vida bem vivida? É um filme sobre o amor à vida, mais do que morte. É um filme sobre um homem que amou a vida e, sobretudo, sobre um homem que amou o cinema acima de tudo”, explica a cineasta e atriz.

Hector nasceu em Mar Del Plata, na Argentina, em 1946, mas se considerava mais brasileiro que argentino. Em seu currículo, acumula a indicação ao Oscar de 1986 de melhor filme e melhor direção por “O Beijo da Mulher Aranha”. O longa-metragem é considerado pelos críticos um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos, consagrando-se nas premiações mais importantes da sétima arte na época. Ele foi diretor, ainda, de “Carandiru”, um dos clássicos do audiovisual brasileiro das últimas duas décadas, sobre o massacre no presídio paulista.

Prêmio 

A concepção de vida e arte estão tão entrelaçadas na vida do diretor que Bárbara Paz costura bem a história entre os últimos momentos da vida dele com as suas produções de cinema. Acabou se sagrando vencedor de Melhor Documentário do Festival de Veneza 2019. Apesar disso, a diretora lamenta pela falta de reconhecimento dos produtores na arte no País. “O olhar do cinema brasileiro alimenta o mundo. A gente só não é reconhecido pelas políticas brasileiras, pelos nossos governantes. Ninguém que recebeu prêmio lá fora, falo até de Kléber e o Kharin também, recebeu um parabéns dos governantes. Acho que em nenhum momento da nossa história aconteceu isso. Mas não vamos parar”, comenta.

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