Idosos se reinventam durante o isolamento

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Beto morais/AT e Leone iglesias/AT Cecilia passou a dar aulas virtuais de balé (Foto: Beto Morais/AT)

Mente vazia não tem vez com estes idosos. Com a pandemia e o tempo mais livre, eles decidiram aprender a costurar, bordar, utilizar a tecnologia e dar aulas de dança online. Eles relatam que as atividades têm feito bem para a saúde e a mente.

Aposentados, o casal Edgar Coelho Dias, 69 anos, e Maria Dejacy Grampinha Dias, 66 anos, decidiu fazer aulas de costura e bordado pelo YouTube e vender produtos de confecção própria em uma lojinha virtual nas redes sociais.

Edgar contou que a esposa já fazia panos de prato desde antes da pandemia, mas que precisava de alguém que fizesse a parte da costura. Foi aí que decidiu comprar uma máquina de costurar e acabou ganhando uma da irmã.

O casal tem feito toalha de prato, sousplat, capa de botijão de gás e de liquidificador e jogos de banheiro. “É um dinheirinho a mais que entra no nosso orçamento no fim do mês”, disse Edgar.

Ele contou que tem problemas de pressão alta, agravados devido à pandemia, e que a atividade contribuiu para melhor a saúde.

Já Maria, fica com a parte do enfeite: é ela quem faz os bordados dos produtos. Ela destacou que, na pandemia, resolveu aperfeiçoar o bordado, em especial o estilo patch aplique. “A gente estava muito estressado ficando em casa. Antes da pandemia, saíamos e viajávamos bastante e, de repente, tivemos que parar. No início, não foi legal”.

Quem também resolveu inovar foi a professora de balé clássico Cecilia Hermeto, de 69 anos, que passou a dar videoaulas pelo próprio celular na pandemia. Em 65 anos de experiência na área, foi a primeira vez que precisou ministrar aulas virtuais.

Ela contou que sente dificuldade em mexer nas plataformas de vídeo e em fazer os exercícios em casa, mas que tem se adaptado. “Estou satisfeita com o que estou conseguindo fazer, aprendi muito com essa pandemia”, disse.

“Tenho uma meta muito divertida: quero dar aula até os meus 94 anos. Se os professores russos fazem isso, porque eu não vou poder? Sou apaixonada, acho que é a melhor coisa como exercício físico e como terapia”, completou a professora.