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Idosa costura duas mil máscaras para doação durante a pandemia no Maranhão – 29/03/2021

Uma senhora de 88 anos já confeccionou duas mil máscaras para distribuir gratuitamente à população com ajuda da neta, em Santa Quitéria, uma cidade pequena no interior do Maranhão com cerca de 30 mil habitantes e a 350 quilômetros da capital São Luís.

A falta de máscaras nos mercados locais no início da pandemia foi o estopim para que dona Bernarda Costa, viúva, mãe de seis filhos e avó de 10 netos, resolvesse colocar a costura que aprendeu ainda na juventude para fazer o bem. Mas foi graças à neta Renata Costa, 27, engenheira civil, que a iniciativa ganhou escala.

Renata compartilhou nas redes sociais vídeos da avó costurando dezenas de máscaras para incentivar que mais gente fizesse o mesmo. O conteúdo comoveu seus seguidores no Instagram e alcançou mais de 12.000 pessoas.

Dona Bernarda e a neta Renata

Imagem: Arquivo pessoal

A engenheira conta que o início da pandemia de covid-19 foi bastante assustador, em Santa Quitéria. A cidade não possui leito de UTI e o município não possuía insumos para uso dos moradores, como álcool em gel e máscaras. Com o decreto do governo do Estado sobre o uso obrigatório de máscara, partiu de dona Bernarda a ideia de fazer o objeto para doação: “Minha avó, preocupada, teve a ideia: por que a gente não costura?”, diz Renata Costa, que foi atrás de materiais. Como a neta não costurava, ajudou cortando e impermeabilizando o tecido de TNT.

Depois de pronta, a máscara é embalada por Renata com ajuda de uma amiga que depois saem para distribuir aos vizinhos. Por dia, eram produzidas em média 50 máscaras, e elas estimam que tenham feito mais 2 mil.

A recepção dos moradores foi positiva e a demanda cresceu ao ponto de faltar verba para compra dos materiais. Foi aí que a neta começou a pedir doações para comércios e pessoas para que cedessem TNT e elásticos. Para acelerar a produção e suprir a necessidade da comunidade, foram convidadas oito costureiras para ajudar dona Bernarda.

Agora, um ano após o início da pandemia, a produção continua, mas num ritmo mais lento. Quando perguntada sobre o medo de um possível contágio a costureira diz que não tem medo, mas garante que toma todos os cuidados. O que ela sente saudades mesmo é de poder ir à roça plantar milho e feijão como fazia antes.