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filme nacional com protagonista trans é uma fábula de “Alice no país das maravilhas” – TodaTeen

Kaique Oliveira é um designer de moda e stylist. Conhecido por vestir nomes como Anitta, IZA, Luísa Sonza , Kaique começou a costurar por influência da família. Desde pequeno já sabia qual caminho trilhar e saiu de uma pequena cidade no interior do estado de Sergipe para ganhar o Brasil. Hoje, suas peças podem ser vistas em diversas celebridades e nas participantes do reality show A Fazenda.

A todateen bateu um papo com o estilista para conhecer um pouco mais sobre o universo da moda e descobrir os segredos por trás das inspirações dessa mente criativa

Qual o seu estilo? E qual o estilo da sua marca?

Menos é sempre mais, é a frase mais clichê, porém a mais real que eu poderia usar para descrever meu estilo, monocromático e básico. Amo as cores, mas não as vejo em mim, o meu vestir pessoal é muito discreto. A Kaoli não foi criada com um intuito de ditar regras, seguir padrões, ou ser limitada, eu gosto de dizer que a Kaoli é uma marca livre. Ela faz roupas não para ser apenas uma tendência, mas para a mulher ser linda sendo quem ela é, desde a mulher mais clássica, até a mais conceitual e extravagante. 

É difícil criar roupas extravagantes para a sua marca quando se tem um estilo pessoal completamente diferente?

Nunca foi uma tarefa complicada, porque eu consigo entender o que minha cliente precisa e deseja, baseado no comportamento dela, na fala, e no que ela transmite. Acho que para todo estilista não é apenas uma questão de gosto e estilo, e mais de entender a essência do seu público. 

Em que momento você percebeu que a moda era o caminho que você queria seguir?

A moda sempre foi muito presente na minha vida, cresci entre fios, cortes de costura e tecidos, venho de uma família de costureiras. E, para ser sincero, acredito que a moda nasceu em mim, e desde sempre eu tive muito claro qual o caminho profissional que eu queria trilhar. 

Qual foi a primeira peça que você criou? Para quem foi?

A minha primeira peça criada foi um vestido do qual eu tenho extremo orgulho e que para mim tem um grande valor sentimental. Foi um vestido de pérola, bordado manualmente, e que levou quase 1 mês para ficar pronto. Ele foi criado para minha irmã de coração, e eu guardo ele em um quadro no meu ateliê. Ela me disse ter se sentido a mulher mais linda do planeta nele, e guardo isso como uma inspiração, pois é assim que eu quero que todas as mulheres se sintam vestindo Kaoli. 

Quais dificuldades e preconceitos você enfrentou sendo um homem vindo de uma cidade pequena e atuando em uma profissão ainda tão associada com o mundo feminino?

Acho que todos sofremos preconceitos de alguma forma, em algum momento. Eu passei por muitas experiências, talvez não explícitas, mas uma espécie de preconceito velado. E nesta questão o meu posicionamento foi o que ditou muito o peso das coisas Eu acredito muito que meu foco fez com que eu não desse ouvidos e não absorvesse absolutamente nada de ruim que pode ter sido passado ou que tenha sido feito ou dito para me atingir de alguma forma. 

O mundo da moda é visto como um meio que perpetua muitos estereótipos ultrapassados de corpo e beleza, que medidas você toma para quebrar esses padrões?

Para mim não existe um padrão de beleza, cada mulher é única e linda exatamente do jeito que ela é, com todos os seus detalhes. Eu admiro demais a essência feminina e ela é muito plural, ela não é apenas aquilo que as pessoas ditam ser belo, vai muito além disso. Eu definitivamente não me prendo a estereótipos, mulher é linda por ser mulher. 

Qual celebridade você sonha em vestir? 

Eu sou extremamente fã da cantora Dua Lipa, por sua simplicidade, por seu jeito, por seu talento. Ela consegue ser sensualidade e conforto, ela tem um lifestyle que particularmente me encanta, gosto da forma como ela se posiciona como pessoa. Então certamente a minha resposta seria Dua Lipa. 

Alguma celebridade já te surpreendeu e usou um de seus looks sem ter conversado com você antes?

Pensar nisso é muito surreal, minha intenção nunca foi criar uma marca para grandes nomes, para celebridades, eu sempre quis viver das minhas criações e só. Curiosamente a primeira pessoa a vestir uma roupa minha foi a Anitta e, depois que ela apareceu vestindo algo meu, todo o mercado se abriu e as coisas mudaram radicalmente. E é sempre uma surpresa para mim, muitas vezes me deparo nas redes sociais com pessoas vestindo minhas roupas sem saber exatamente que são minhas, e é sempre um grande privilégio. Mas muito além disso, eu faço moda para todas as mulheres independente de quem sejam. 

Alguns de seus looks estão nas festas do reality show A Fazenda, como funciona o processo para que suas criações cheguem até a televisão?

Sendo bem sincero, eu tenho uma pessoa muito próxima que fez as malas comigo. A produção de A Fazenda questionou as peças e disseram não poderiam entrar. Depois eles visitaram o perfil da marca, conheceram meu trabalho e mudaram o conceito, e inclusive, além de aceitar as peças propostas, disseram que queriam muito usar outras peças dentro do reality.  

Você já está planejando sua próxima coleção? O que podemos esperar dela?

Sim, já tenho uma nova coleção para ser lançada. E essa coleção ela é muito especial para mim, ela já era uma coleção que eu tinha em mente, mas ainda estava amadurecendo a ideia de como ela de fato iria nascer, eu sentia que faltava algo para me conectar a essa ideia. E um dia em uma viagem eu olhei para uma pessoa e senti que ela em si era exatamente o que eu queria transmitir. Então propus a essa pessoa que fizesse a coleção comigo. Porque a minha coleção vai tratar da simplicidade das cores, do movimento, do conforto, da beleza da mulher em qualquer situação. A minha nova coleção é isso, é ser bela de uma forma simples e leve, do dia a dia, a ocasiões especiais, é para a mulher real. 

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