Evite a dependência do incentivo fiscal – Egídio Serpa

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Incentivos fiscais são uma ajuda, mas nunca devem tornar-se uma dependência. Assinado, economista Alcântara Macedo, outro demandado consultor empresarial ouvido por esta coluna, que deseja saber até quando esse benefício – que é uma renúncia fiscal – deve perdurar, mesmo em regiões carentes como o Nordeste – o Ceará no meio – que já o têm desde quando se criou a Sudene, em 1959. Para Macedo, “é salutar manter uma política de incentivos equilibrada para ajudar na competitividade; mas para criar uma dependência, será um desastre”. Ele expõe: “A pandemia é freio de arrumação que colocou a economia em choque e, consequentemente, desarticulou a produção e criou um déficit de capital de giro, que comprometerá o funcionamento pleno do setor. Neste momento, para as empresas industriais, a necessidade básica é: capital de trabalho para atender à sua demanda”.

Alcântara Macedo toma fôlego e prossegue: “A gestão é dinâmica sempre. Mas considerando a ocorrência, o industrial cearense está num bom nível de competência. Temos alguns setores de excelência, com vantagens comparativas claras, além do Complexo do Pecém: energias renováveis (solar e eólica), setor siderúrgico (CSP, Silat-Gerdau), calçados, têxtil, químico, indústria da pesca, farmacêutico, construção civil, metalúrgico e a única ZPE em funcionamento no País”. Inovar ou morrer? Ele responde: “A inovação é, hoje, um fator de produção permanente. É um elemento dinâmico. Todos os setores devem ter uma política de inovação”. Amanhã, a opinião do economista Célio Fernando, outro muito requisitado consultor empresarial.

Vida em livro

Em janeiro, será lançado o livro que contará a história de sucesso do empresário Cristiano Maia, cearense do Vale do Jaguaribe, engenheiro, controlador do Grupo Samaria, que atua na construção rodoviária e de edifícios residenciais, na fabricação de rações para animais, na carcinicultura (ele é o maior produtor de camarão do País e, ainda, presidente da Camarão BR, entidade que reúne os maiores do setor), na pecuária leiteira e na criação de cavalos (seu haras localiza-se em SP). Sua vida é como a dos nordestinos: de família humilde, estudou, trabalhou muito e colhe o fruto desse sacrifício.

Superstição

Hoje é sexta-feira, 13. Para quem gosta de superstição, esta é a data para, por exemplo, não passar por baixo de escada. Até o fim do próximo dezembro, deverá reunir-se pela 3ª vez neste ano o Cedin – Conselho Estadual do Desenvolvimento Econômico, em cuja carteira há 146 projetos aguardando aprovação. Todos eles pedem os incentivos fiscais oferecidos pelo Governo do Estado às empresas que optam por se instalar no CE.

Titular da secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Maia Júnior reconhece: o turismo é o mais prejudicado pela pandemia no Ceará. “O setor está sofrendo, e muito”, disse ele à coluna. Maia, porém, aposta que – passada a pandemia – será esse setor o que mais rapidamente retomará a atividade.