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Eva Barroso foi a convidada da Segunda Edição do “Desmitificar Têxtil”

A aplicação de têxteis biodegradáveis e a viabilidade de fibras reutilizáveis foram algumas das questões abordadas.

Esta quarta-feira, dia 18 de março, decorreu a segunda edição do “Desmistificar Têxtil”, evento promovido pelo Núcleo de Estudantes de Engenharia Têxtil da Universidade do Minho (NEETEXUM). A sessão contou com a participação da engenheira Eva Barroso, gerente técnica da empresa Endutex e ex-aluna da UMinho.

A conferência começou por abordar o tema do processamento de materiais biodegradáveis. “O tema dos biodegradáveis é algo aliciante hoje, mas na altura [da minha formação académica] parecia que iria solucionar os problemas do mundo”, referiu a engenheira ao revelar o seu interesse pela temática. Mencionou ainda que os materiais biodegradáveis eram uma indústria bastante restrita ao meio académico, mas que atualmente já existem bastantes aplicações práticas desta tipologia de tecido. Apresentou como exemplos as próteses, as suturas internas (ou pontos absorvíveis) e ainda a libertação controlada de fármacos no organismo, regulada por uma fibra biodegradável que reveste o medicamento.

Eva Barroso foi também questionada acerca da viabilidade das fibras reutilizáveis. Garantiu que é possível a aplicação deste género de fibras, especialmente nos EPI (equipamentos de proteção individual). Existem “alguns materiais como o poliéster, que mantém quase sempre as propriedades da fibra original”, sendo apenas necessária a higienização dos mesmos, de modo a assegurar as devidas condições de segurança.

No entanto, considera que proceder à reciclagem de materiais que não podem ser novamente higienizados é mais complicado. No que diz respeito ao meio hospitalar, referiu que não é possível reciclar determinados resíduos, os quais têm de ser muitas vezes incinerados por questões de saúde pública. Contudo, a engenheira afirmou que faria sentido reutilizar alguns materiais como batas de consultório ou EPI, que pudessem ser lavados e desinfetados. Disse ainda que “há uma grande reticência [em fazer esta transição] porque é muito aliciante e prático usar o descartável”.

Na segunda parte da sessão, forma abordadas algumas questões relativas ao funcionamento e à produção da Endutex. Eva Barroso apresentou as várias áreas de aplicação da empresa, desde a impressão digital de grande formato, a produção de proteções de bagageira para automóveis, vestuário de proteção técnico, produção de proteções de macas ambulatórios, entre outros. “É uma empresa que desde a sua origem sempre apostou em não fechar portas a nenhuma área”, garantiu a engenheira.