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Especialistas falam sobre a criatividade no empreendedorismo

E quando o assunto é a tal criatividade? Para muitos, essa menina admirada é virtude que tem origem no dom natural de algumas pessoas. Mas há os que acreditam que a criatividade pode, sim, ser desenvolvida por qualquer pessoa, principalmente por empreendedores. Segundo o professor universitário e consultor empresarial, Manuel Barreiros, a ideia de que a capacidade de criar está associada a um dom especial que somente algumas pessoas têm está superada.

Manuel Barreiros destaca também que outra ideia descartada por pesquisas é que a criatividade está limitada às artes, como um monopólio de artistas das mais diversas áreas. “A criatividade é um potencial que pode ser explorado pelo ser humano dentro dele e olhando à sua volta”, afirma o consultor empresarial.

De acordo com Manuel Barreiros, a criatividade não é um luxo ou uma mera ginástica mental, mas uma parte essencial do pensamento que pode ser treinada e desenvolvida através de estímulos, contribuindo não só para a solução de problemas, mas também para a criação de produtos e serviços.

“Infelizmente uma situação frequente é as pessoas lamentarem não ser criativas aceitando essa percepção como normal, o que na realidade é uma posição de comodismo, falta de autoconfiança e desmotivação”, avalia.

A psicóloga Cristiane Nalin observa que não é possível analisar a criatividade sem a compreensão dos fatores que influenciam o surgimento desse comportamento como, por exemplo, o contexto social. “Como toda habilidade, a criatividade pode ser treinada e desenvolvida”, considera.

Cristiane Nalin frisa que a criatividade é uma ferramenta importantíssima para a obtenção de bons resultados. “Ser criativo é um diferencial, principalmente em tempos de empreendedorismo revolucionário. “Daniel Goleman, aponta quatro etapas no processo de criatividade: preparação, incubação, devaneio e iluminação. Tais etapas compreendem desde a reunião das ideias até a transformação destas em ações”, explica.

Diante da explanação, entende-se que o empreendedor que se considera pouco criativo não está propenso ao fracasso. Segundo Nalin, o empreendedor que se considera pouco criativo pode desenvolver esse potencial. De que forma a pessoa pode ser tornar mais criativa? Uma boa dica é construir uma mentalidade de crescimento a partir de planejamento, networking, concentração, autoconhecimento e busca por conhecimentos ecléticos”, destaca.

A empreendedora Rosana Serelo, do atelier Costurinha Andradas, que atua no segmento de costura criativa, acredita que a criatividade é desenvolvida ao longo da vida e se desenvolve com mais intensidade em pessoas que tiveram ao seu redor um ambiente de incentivo. “A criatividade no meu empreendimento é a essência e a cereja do bolo dos nossos produtos. É o que atrai o cliente, fideliza e faz com que ele deseje ter um produto diferente que não se encontra por aí em quantidade”, frisa Serelo.

Serelo comenta que é possível dentro de um segmento já saturado entregar um produto de uma forma diferente. “Sempre falo isso, transformar coisas simples em algo extraordinário, seja na diferenciação do produto ou na entrega. O cliente quando compra conosco sendo ou não para presente ele recebe em uma embalagem bonita personalizada”, conta.

Ela destaca ainda a criatividade nas bonecas produzidas no atelier Costurinha Andradas. “Nossas bonecas poderiam ser comuns, mas o diferencial é que são confeccionadas manualmente e retratam as características das pessoas. Unimos utilidade com emoção. E assim que trabalho a criatividade em meu trabalho”, comenta.

Barreiros acredita que todo ser humano tem potencial criativo que não se ensina, mas que tem que ser despertado, vencendo certos bloqueios inibidores como sejam o excesso de racionalidade, o medo do risco e do ridículo, e o conformismo que esmagam a criatividade.

O consultor empresarial não tem dúvida de que a criatividade não é uma questão de técnica, nem exclusiva de alguns privilegiados com inteligência acima da média, mas fundamentalmente uma questão de atitude mental em relação a si próprio e à solução de problemas.

 

Para Barreiros, numa economia baseada no conhecimento em que a competição entre empresas pela conquista do mercado é acirrada, a criatividade na criação de novos produtos e serviços que atendam às necessidades dos consumidores é a grande arma dos negócios. “Por isso, o empreendedor precisa desbloquear sua mente e processar seus conhecimentos diferentemente do habitual, não aceitando tudo o que vê como definitivo como uma verdade indiscutível que não possa ser substituída ou melhorada”, destaca.

Se a empresa quer se manter competitiva, Barreiros diz que o empreendedor precisa entender que o mundo está permanentemente em mudança. “Diante desse cenário em constante evolução, é importante uma constante atualização. Nenhuma ideia é boa para sempre, e consequentemente, em algum momento se tornará obsoleta exigindo de um empreendedor uma atitude proativa, na busca de novas oportunidades e na solução de problemas”, finaliza.