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Escolas de samba de Rio Preto realizam projetos virtuais de formação artística

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A realização do desfile de rua no carnaval 2021 ainda é uma incógnita para as escolas de samba de Rio Preto (e do Brasil), mas nem por isso elas estão paradas esperando a vacina da covid-19 chegar. Quatro agremiações da cidade realizam, até o final do ano, uma série de atividades voltadas à formação artística e ao empreendedorismo, além de apresentações musicais: Imperatriz Rio-pretense, Império do Sol, Acadêmicos de Rio Preto e a estreante Girassóis de Rio Preto. Elas tiveram seus projetos contemplados na última edição do Prêmio Nelson Seixas, da Secretaria Municipal de Cultura.

Na Império do Sol, o projeto de formação artística é realizado pelo segundo ano consecutivo, visando, sobretudo, a qualificação de mão-de-obra especializada para atuar nas diferentes áreas ligadas a um desfile carnavalesco. “Há uma carência muito grande de artistas e profissionais especializados em carnaval na região de Rio Preto. Essas ações são importantes para garantir o futuro dessa manifestação popular”, comenta o presidente da escola de samba, Vicente Serroni.

Intitulada “Batuque e Cidadania”, a edição deste ano envolve cursos virtuais de fantasias e adereços, percussão e dança, todas com uma aula semanal, seguindo até o mês de novembro. Os cursos de percussão e dança são feitos em parceria com o Núcleo de Arte Flamenca Flavia Piquera, que iniciou a exibição das aulas na terça-feira, 9, em seu canal no Youtube. Já as aulas de fantasias e adereços, ministradas por Joana Evangelista, são abrigadas no Facebook e Youtube de Serroni. Também estão programados workshops com outros profissionais convidados.

“O curso de dança, por exemplo, é bastante variado, envolvendo até dança flamenca, pois, caso ocorra o desfile no próximo ano, vamos homenagear os imigrantes em nosso enredo. Também é uma forma de já ir se preparando para o desfile”, diz Serroni. “Nossa vontade é de que tenha desfile, mas tudo depende de uma vacina. E isso não apenas para o carnaval, mas para a vida de todo mundo poder voltar ao normal. Vamos acompanhar o que ocorrerá com os desfiles dos grandes centros, o que acabará se refletindo também no interior”, acrescenta.

Sobre o impasse na realização do desfile carnavalesco gerado pela pandemia, Sérgio Parada, presidente da Imperatriz Rio-pretense, é um pouco mais otimista. “As escolas do Rio e de São Paulo já estão cogitando a possibilidade de realizar o desfile após a Páscoa, depois da quaresma. Pode ser uma alternativa caso a vacina demore para ser descoberta”, comenta ele, que realiza a segunda edição do projeto de formação Sambadania.

Neste ano, além dos cursos e oficinas, exibidos e abrigados no canal da Imperatriz Rio-pretense no Youtube, estão programadas uma série de lives musicais – a primeira dela será neste domingo, 13, ao meio-dia, com participação de nomes como Regina Benedetti, Romualdo Simas, Marquinho Art, Eleandro e Iza. Será feita campanha para ajudar o Hospital de Base durante a apresentação online.

Até o final do ano, a Imperatriz Rio-pretense realizará uma live musical por mês. A de outubro, programada para o dia 15, será uma grande roda de samba virtual, intitulada “Antes samba do que mal acompanhado”. Na ocasião, será celebrado o aniversário de oito anos da agremiação.

Sem clima

Para a presidente da Acadêmicos de Rio Preto, Wanderlídia da Silva Araújo, não há energia nem clima para um desfile de carnaval nesse momento, em que o Brasil testemunha mortes diárias por covid-19. “Perdemos muita gente querida e até pessoas que faziam parte do carnaval de Rio Preto. O que temos que fazer agora é cuidar da gente, esperar uma vacina ser descoberta e otimizar o nosso tempo”, opina ela, que encara o desafio de realizar a segunda edição do projeto de formação “Carnaval Empreendedor” de forma totalmente virtual.

Para dar sequência aos cursos e oficinas que buscam despertar não só o espírito carnavalesco, mas empreendedor na comunidade do Santa Clara, a Acadêmicos criou um canal no Youtube. “A vantagem é que as aulas ficam lá salvas e podem ser acessadas em qualquer horário. Mas a desvantagem é que estamos inseridos em um bairro pobre, sem estrutura básica de saneamento, com uma população socialmente vulnerável que não tem acesso à internet. Nesse sentido, é um desafio e tanto. Estamos tentando sensibilizá-los de alguma forma, pois nesse momento, consideramos importante colaborar com para o empreendedorismo dessas pessoas”, explica Wanderlídia.

A programação do “Carnaval Empreendedor” envolve cursos virtuais com aulas semanais de percussão, costura e danças brasileiras. Há ainda oficinas pontuais de adereços de cabeça, bijuterias, artesanato e adereços para carros alegóricos, que serão realizadas até dezembro.

Segundo ela, o mais importante nesse momento é garantir a continuidade do projeto de formação, para oportunizar alternativas de geração de renda à comunidade do Santa Clara e a outras pessoas da cidade.