Empresas têxteis de Blumenau enfrentam dificuldade para comprar tecidos devido alta do dólar e pandemia

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Blumenau é um polo têxtil. São muitas as empresas que atuam no ramo e são protagonistas do setor na cidade e região. Não é novidade para ninguém que 2020 tem sido um ano difícil, muito destacado pelo período que algumas empresas passaram fechadas ou com menos profissionais atuando, devido à pandemia de Covid-19.

Porém, mesmo após o fim das paralisações, a retomada dos trabalhos com força total ainda está prejudicada. Um dos principais problemas é a compra de matéria prima – principalmente tecidos – que está deficitária nos últimos meses.

Há empresas, por exemplo, que antes possuíam de três a quatro clientes para este tipo de comércio, mas que atualmente só estão conseguindo negociar com uma, ou em quantidade muito menor, devido à demanda de oferta e procura.

Para o Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem e do Vestuário de Blumenau (Sintex), a pandemia, somada à alta do dólar são os principais causadores da atual situação.

José Altino Comper, presidente do Sintex, afirma que tudo iniciou lá nos primeiros momentos de maior preocupação com o coronavírus.

“A produção parada naquele período está fazendo falta agora neste princípio de retomada de alguns setores. Estão sendo registradas dificuldades de fornecimento principalmente de fios e outros insumos, como caixas de papelão. O algodão também registrou uma alta de preço”, explica Comper.

“Materiais que costumavam ser importados foram impactados pela alta do dólar, e geraram uma demanda maior no mercado interno, que em alguns casos não estava preparado para esse aumento no consumo”, completou.

Essa “crise” não é vista apenas em Blumenau. Em Brusque, por exemplo, as indústrias vem enfrentando o mesmo problema. De acordo com o coordenador do Núcleo de Fabricantes de Toalhas (NFTex) da Associação Empresarial de Brusque (Acibr), Taciano Petermann, 2020 tem sido um dos mais desafiadores.

Após o período de paralisação devido a pandemia, veio a volta da produção, mas novos desafios começaram a surgir, sendo o primeiro deles a elevação dos preços das matérias-primas como o algodão e dos fios.

Petermann explica que o fator câmbio influencia muito nisso. “O algodão é uma commoditie cujo preço é estabelecido em dólar. Lá atrás o produtor vendeu o algodão a 60 centavos de libra-peso de dólar. Quando o dólar estava R$ 4, ele recebia R$ 2,4, hoje está recebendo R$ 3,3, com o dólar R$ 5,5. Então o produtor vai exportar tudo o que puder”.

Equilíbrio e retomada

Segundo o presidente do Sintex, a situação deve melhorar e ser normalizada aos poucos. Para ele, é necessário reencontrar o “equilíbrio na cadeia produtiva do setor têxtil” para “atender a demanda e ajustar os estoques a nível local e mundial”.

A expectativa é que os custos que subiram muito atualmente só voltem a níveis anteriores em meados de 2021.


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