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Empresas portuguesas não conseguem implementar subida de preço de matérias-primas nos seus produtos

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São vários os setores que não estão a conseguir refletir o aumento transversal e acentuado dos custos das matérias-primas nos preços cobrados aos clientes. Entre eles, encontram-se a metalomecânica, o têxtil, o mobiliário, o papel e o plástico. Segundo o “Jornal de Negócios”, as pequenas e médias empresas já estão a sofrer os efeitos da escassez no abastecimento.

“É uma situação muito preocupante, até porque as empresas não conseguem refletir esta enorme escalada das matérias-primas nos preços dos produtos. Os clientes não compreenderiam”, relata o porta-voz da Associação dos Industriais Metalúrgicos Metalomecânicos e afins de Portugal (AIMMAP), Rafael Campos Pereira. Aço, aço inox, ferro, alumínio, níquel, cobre, estanho são alguns dos metais industriais que viram a cotação escalar desde o início deste ano, antevendo as empresas portuguesas que “no curto e médio prazo podem mesmo vir a ser obrigadas a parar a sua atividade”.

Rafael Campos Pereira relata que as empresas estão a “enfrentar problemas crescentes nas cadeias de abastecimento” e quando têm acesso aos materiais, “encontram preços demasiado inflacionados, com repercussões incontornáveis na competitividade”.

No setor têxtil, as empresas optaram, segundo o diretor da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), por adiar as compras na expectativa de que fosse um “problema temporário”. No entanto, não o era: os fios – base de qualquer peça – viram o seu preço subir entre 30% e 50% nos últimos meses. Algumas das matérias-primas estão “completamente indisponíveis nas qualidades habituais”. Contudo, os pedidos de clientes que compram “Made in Portugal” têm sido mais irregulares.

Já no mobiliário, o diretor executivo da Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins (APIMA), Gualter Morgado, explica que, apesar de alguns artigos terem ficado mais caros para o consumidor final, “o impacto desta subida dos preços está a ser absorvido sobretudo pelas empresas”. “Face aos efeitos da pandemia e à necessidade de segurarem a atual carteira de clientes, as empresas do setor estão a fazer um esforço adicional e a perderem margem de lucro. Mas este é um cenário que não poderá perdurar muitas semanas, sob pena de asfixiar as finanças de empresas que viveram, nos últimos 18 meses, um dos períodos mais desafiantes da sua história recente”.

O plástico também viu o seu preço subir: há quatro meses um quilo de polipropileno custava um euro, atualmente custa 2,2. Este é o material utilizado para o fabrico de copos, isqueiros ou garrafas e é proveniente da Ásia. A diretora comercial da maior produtora nacional de cabides, Mafalda Monteiro, teme o que pode vir a acontecer: “Ainda não tivemos de parar a produção porque tínhamos muito stock de matérias-primas, mas receamos que isso nos possa acontecer dentro de um mês. E não é por falta de trabalho. Temos imensas encomendas. Isso é o mais frustrante”. A produtora fornece lojas como a Zara, a Massimo Dutti, a Primark, a Zippy ou a SportZone.

Já a Ancor concentra-se no regresso às aulas e tenta “obter tudo o que é necessário para poder cumprir os compromissos assumidos com os clientes para a próxima campanha”. A fabricante tenta agora negociar com os clientes: alterar as tabelas de preços para “fazer refletir estas alterações violentas no custo de produção”.