Empresária quase desiste, mas apelo virtual salva negócio

Rio – O ano de 2020 era de muita expectativa para a historiadora e artesã Jaciana Melquiades. Em 2019, sua empresa, a Era Uma Vez o Mundo, que fabrica bonecos de pano negros e outros produtos de representatividade racial, estava em plena expansão. Ela abriu a sua primeira loja física, no Centro, e um quiosque na estação de metrô Siqueira Campos, em Copacabana, além de fazer parcerias com duas lojas colaborativas e planos para o mercado de São Paulo.

— Mais aí veio a pandemia, tivemos que fechar tudo, e o faturamento foi quase zero por três meses seguidos — lembra.

A saída foi o mundo digital, que até então funcionava mais como uma vitrine para os produtos.

Diante do caixa praticamente vazio, Jaciana fez um apelo nas redes sociais, falando sobre a história da marca e o que houve na pandemia. O texto viralizou e a ajudou a recomeçar.

— Reabrimos o quiosque em Copacabana no início deste mês — comemora.

Personagens têm loja exclusiva

O nome da empresa, Era Uma Vez o Mundo, lembra o início de histórias infantis, e foi assim mesmo que tudo começou. Jaciana é historiadora e costura desde pequena, ofício que aprendeu com a avó. Em 2013, ela começou a dar aulas em escolas públicas contando a História do Brasil sob o ponto de vista das questões raciais.

— A ideia era promover o resgate da autoestima das crianças. Eu mostrava o que era o período da escravidão, mas também que nossa história é muito maior do que isso. Eu contava sobre a cultura africana e mais sobre o passado — explica.

Na sala de aula, Jaciana desenhava com as crianças menores e aplicava atividades escritas para os maiores, mas faltava um recurso visual mais lúdico. Foi então que surgiu a ideia de fazer os bonecos negros, os quais depois viraram seu negócio, um dos únicos do ramo no Brasil.

— O boneco aproxima a criança porque é visual, porque ela se identifica. É uma ponte que funciona bem — comenta.

Veja:‘Racismo não é mimimi’, diz gari que usa a internet para combater o preconceito

O primeiro protótipo é bem diferente do atual. Foram várias mudanças até chegar aos modelos de hoje: a boneca Dandara e o boneco Zambi.

— Elas eram grandonas, e com o tempo fomos aprimorando. Hoje são completamente diferentes — diz Jaciana, que é sócia do ex-marido e hoje tem uma equipe de 11 colaboradores.

Durante esses anos, não foi só o boneco que mudou. O negócio também está diferente, muito mais digital e com novos produtos, como livros e roupinhas. Segundo ela, o desafio é justamente manter as pessoas comprando, já que os bonecos têm longa duração.

— Tentamos fazer bonecos personalizados, mas não deu certo. Temos dois modelos que têm a mesma base de corpo e variamos. Acabamos de lançar a Dandara com roupa de sereia, por exemplo. Outra frente é vender as roupinhas separadas — diz.

Com as unidades fechadas parte do ano e a visibilidade após seu post contando sobre a história e a importância da marca, ela passou a investir mais no comércio digital, tanto no WhatsApp quanto no Instagram.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)