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Elementum focada na sustentabilidade – Portugal Têxtil

[©Elementum]

Um vestido que é uma túnica mas também um poncho, um casaco ou um lenço, umas calças que podem ser usadas de formas diferentes ou uma camisola que pode ser também um colete ou um poncho são algumas das peças multifuncionais que fazem parte das propostas da Elementum.

A marca fundada por Daniela Pais em 2008 mantém a sustentabilidade – quer nos materiais, quer na durabilidade e intemporalidade das peças – no centro do seu conceito e, no ano passado, foi mais longe e abrandou o ritmo, optando por apresentar uma coleção por ano.

«Há muito que tínhamos esta ideia, pelas alterações climáticas», explica a designer e CEO da Elementum. «O clima em si já não justifica haver uma separação tão grande entre o inverno e o verão em termos de vestuário e, por outro lado, pelas exigências que se impõem a todos a nível de salvarmos o planeta, não faz sentido termos cada vez mais coisas, pelo contrário. Juntando esses dois fatores, já há muito que queríamos ter uma coleção por ano. Por questões comerciais vínhamos a evitá-lo, mas optámos em 2019 por fazer isso para a coleção 2020 e também para a de 2021. No fundo, é o segundo ano em que temos esta nova abordagem, sendo que fomos apanhados pela pandemia e, portanto, ainda não temos bem a noção dos resultados em termos comerciais», revela ao Portugal Têxtil.

Inicialmente focada nas malhas, onde consegue ter uma produção «totalmente desperdício zero», a designer adotou também os tecidos para as suas propostas, criadas com recurso a materiais com o menor impacto ambiental possível, incluindo linho, algodão orgânico e liocel, nos tecidos e malhas, e botões reciclados.

Daniela Pais [©Elementum]

A crescente atenção que está a ser dada à sustentabilidade gerou o aparecimento de diversas marcas no mercado, aumentando a concorrência. «Houve uma fase em que houve um grande boom, sobretudo no mercado alemão, que é aquele que trabalho mais. Se inicialmente havia um interesse e mais facilidade em encontrar distribuidores e lojas, depois passou a ser mais difícil o trabalho em termos comerciais», confessa Daniela Pais. «Com a pandemia, sinto que o nicho de mercado está a crescer, porque muita gente estava consciente destas questões mas não agia de acordo com aquilo que sabia. Acho que muitas pessoas levaram um choque e decidiram “a partir de agora quero começar a consumir de uma forma mais consciente e sustentável”. Isso veio ajudar muitas marcas, principalmente marcas mais pequenas e mais próximas das pessoas, porque também há essa questão do local», explica. Contudo, «acho que a crise ainda está para vir e as perspetivas são difíceis», assume a designer.

Maior transparência

Segundo indica Daniela Pais, há um interesse mais profundo nestas questões, «pessoas que querem saber como é que as peças foram produzidas, desde a planta até ao produto final», e isso tem aumentado o trabalho com a comunicação da marca. «Temos esse trabalho todo de educar, de explicar, de diferenciar, para além do design, que acho que é a mais-valia de uma marca», salienta.

Alemanha e Áustria são os principais mercados da Elementum, que tem igualmente presença em Espanha, Suíça e Canadá. «Somos uma marca pequena, temos poucas lojas, mas temos lojas que trabalhamos há muitos anos», revela. A durabilidade, que é um ponto de honra na Elementum, acaba também por influenciar as vendas. «A ideia era que as pessoas consumissem menos, mas nós queremos vender enquanto marca e as nossas lojas também. O que aconteceu, passados seis ou oito anos, foi os nossos clientes que venderam todas as estações dizerem que os clientes deles estavam muito satisfeitos com a marca, que já têm várias peças, mas que não precisam de mais porque as peças já cumprem o seu dever», esclarece Daniela Pais.

[©Elementum]

A expansão terá de vir, por isso, pela chegada a novos clientes, um objetivo que tem sido perseguido com a presença em feiras profissionais especializadas, como a Neonyt, e também, de forma menos vincada, por razões estratégicas, pela loja online da marca. «É um canal de distribuição que exige muito e eu, como comecei pelas lojas físicas e são elas que também têm, de certa forma, mantido a marca, tenho muito cuidado no tempo e na estratégica que dedico, porque acho que o futuro pertence às duas coisas», sublinha a CEO da Elementum.

No futuro imediato, contudo, a meta passa pela reestruturação da marca. «Era quase inevitável todos nós refletirmos sobre o que está a acontecer, o que nos levou até aqui. O que tenho estado a fazer, e estou a terminar, é, no fundo, reestruturar e comunicar toda a parte da sustentabilidade e de impacto da Elementum», aponta. «Já o fazemos desde o início, mas nunca o comunicamos muito. Uma vez que há este interesse da parte do público em saber mais, procurei trabalhar a informação e ir mais a fundo nalgumas questões e estou agora a terminar de colocar toda essa informação disponível online», acrescenta a designer.

Por outro lado, os olhos estão ainda postos na nova coleção. «Estamos a começar a desenhar a próxima coleção, que temos o objetivo de apresentar na Neonyt», adianta Daniela Pais. «Sinto que obviamente não é o momento de crescer, é um momento de refletir, restruturar e realmente ir ao essencial e definir muito bem o foco, que tem que ser cada vez mais a sustentabilidade», resume.

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