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‘É um trabalho de alta costura’, diz figurinista sobre série ‘Dickinson’ – Revista Marie Claire

STREAMING Serie Apple (Foto: divulgação)

A atriz indicada ao Oscar Hailee Steinfeld em cena de Dickinson (Foto: divulgação)

Nascida na rural Amherst, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos, Emily Dickinson (1832- 1886) é autora de 1.800 poemas, mas só foi descoberta e publicada após sua morte. Considerada avant-garde por suas ideias e modo de escrita, Emily pouco saiu da casa dos pais ao longo da vida e passou boa parte do fim de seus dias reclusa no próprio quarto, escrevendo textos que discutem questões de gênero, a paixão secreta pela melhor amiga e também cunhada, tabus da sociedade, relações familiares desgastadas e flerte com a morte.

Também criada em uma cidade pequena, no Hudson Valley, região ao norte do estado de Nova York, Alena Smith cursou a School of Drama de Yale, uma das “Ivy Leagues” norte-americanas. Morou no Brooklyn, montou peças off-Broadway, ganhou fama com uma conta de piadas no Twitter batizada de Tween Hobo, e acabou indo parar na Califórnia, onde escreveu roteiros para séries de sucesso, como “The News­room” (2014) e “The Affair” (2015-2017).

A história dessas duas mulheres se cruzou quando Alena decidiu fazer uma série inspirada na vida da poeta. A ideia surgiu em 2013, mas seu primeiro contato com a autora foi na adolescência, quando leu a biografia “My Ears Are Laid Away in Books: The
Life of Emily Dickinson” (“meus ouvidos estavam perdidos nos livros: a vida de Emily Dickinson”, sem tradução para o português), de Alfred Habegger.

“Me encantei pela habilidade de Emily de capturar o infinito no pequeno e o incrível paradoxo de uma mulher com uma vida restrita, mas com uma vida interior selvagem e riquíssima.”

Alena Smith

Baseada em seus textos, a roteirista reimaginou a vida dessa jovem na trama que estreou na Apple TV+ em 2019, com Hailee Steinfeld – nomeada ao Oscar de Melhor Atriz por “Bravura Indômita” – como protagonista e cada episódio tendo como ponto de partida uma poesia.

Em uma agradável tarde de maio passado, acompanhamos um dia de gravação da terceira e última temporada de “Dickinson”, que estreia em 5 de novembro no streaming. Parte das cenas foi rodada no museu Old Bethpage Village Restoration, em Long Island, a cerca de 70 km de Nova York.

Cercados por uma equipe formada por mais de 150 pessoas, Hailee e o rapper Wiz Khalifa (que personifica a Morte) contracenavam em um jardim florido. Bem-humorados, os atores brincavam e dançavam durante as filmagens. Tratava-se de um dia especial porque Alena fazia sua estreia na direção da série, da qual, além de autora, é também produtora executiva.

Para compor sua história, Alena se inspirou nos poemas, além de manuscritos e cartas que Emily enviou a familiares e amigos. Apesar do vasto material escrito, existe apenas um retrato oficial da autora na vida adulta. Por isso, um dos grandes desafios da equipe foi a criação dos figurinos. “A primeira parte foi uma pesquisa profunda da época e do que estava acontecendo politicamente e socialmente”, explica Jennifer Moeller, figurinista de “Dickinson”.

“Estudei também roupas, acessórios, botões e fechos do período para entender o estilo, as silhuetas e as proporções. A fotografia tinha acabado de se tornar popular e, aliado a isso, há o advento das publicações impressas. Uma grande fonte de inspiração foi Godey’s
Lady’s Book [1830-1878], uma das primeiras revistas femininas dos Estados Unidos. Dito isso, tomei certas liberdades, para ter um apelo aos olhos mais modernos, já que esse é o espírito do show, que tem um tom de comédia”, diz Jennifer.

A profissional também fez diversas visitas ao Museu Emily Dickinson, que tem como sede a casa em que a poeta viveu, e seus arredores para entender seu modo de vida e costumes.
Todas as roupas do elenco principal foram produzidas do zero por uma equipe de quatro estilistas e dez costureiras apenas para os looks femininos.

“É um trabalho de alta-costura mesmo. Fazemos desde lingerie, corsets, vestidos até casacos.”

Jennifer Moeller

“Pouco restou dos tecidos daquela época. Até existem, mas a qualidade não é boa. Estão muito secos ou quase se desfazendo. O que fiz foi usar aviamentos, como botões, e acessórios, especialmente joias, do período para compor parte do figurino. Os óculos que [Wiz] Khalifa usa em cena, por exemplo, parecem supermodernos, mas se trata de uma peça original do século 19”, detalha a figurinista. 

Serie Apple (Foto: divulgação)

A poeta estadunidense Emily Dickinson no único retrato conhecido de sua vida adulta (Foto: divulgação)

Outra fonte de inspiração para compor a era em que viveu a escritora foi o “Herbarium”, livro com flores e plantas colhidas e arquivadas minuciosamente por Emily ao longo de sua vida. “Tive a chance de olhar pessoalmente e manusear o material”, diz Jennifer. “As cores e os tecidos floridos que usamos ao longo da segunda temporada vieram de referências dessa espécie de diário.”

O contexto da terceira temporada é a Guerra Civil Americana (1861-1865). “As mortes e os enterros eram tantos que faltavam panos na cor preta, especialmente o algodão, para serem feitas as vestimentas e os véus. Novas rotas de tecidos surgem da Índia e a seda passa a ser mais comum nos Estados Unidos. Nessa época, as primeiras máquinas de costura são inventadas e temos o início da produção de roupas em massa”, contextualiza.

Mas, na visão de Jennifer, Emily nunca se importou com o que vestia tanto quanto os demais à sua volta. Sua real preocupação eram as poesias. “Tentamos contar a história de que ela estava à frente de seu tempo, fazendo o oposto do que todos faziam. A cada temporada da série, Emily amadurece e se torna mais confiante com relação à sua escrita”, explica ela.

“Os anos da Guerra Civil foram os mais prolíficos. Emily tenta encontrar um lugar para sua arte nessa névoa de dor e sofrimento. No final, descobre que suas palavras têm um lugar no mundo, um lugar de cura, força para difundir conhecimento e encontrar maneiras de se conectar com as outras pessoas”, acredita.

Fonte revistamarieclaire.globo.com

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