E-commerce pode alavancar a indústria nacional?

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Roberto Pansonato*

Após alguns meses de quase total estrangulamento da economia brasileira, mas ainda respirando por aparelhos, já podemos sentir uma levíssima recuperação.

Muitos aprenderam durante a pandemia uma nova forma para se comprar bens e serviços, e que se tornou essencial nesses dias de afastamento social: o e-commerce (comércio eletrônico, em português). Embora os números do comércio eletrônico já estivessem apresentando um vertiginoso crescimento antes da Covid-19, foi justamente durante a pandemia que essa modalidade de venda se mostrou eficaz.

O e-commerce possibilita ao vendedor expor suas marcas e seus produtos por meio de sites, blogs, redes sociais, e-mails e portais de compra. Contudo, uma coisa é certa: em se tratando de bens físicos, para o consumidor que opta pelo comércio eletrônico, de uma forma geral, não importa a origem da industrialização do produto. Mas se analisarmos do ponto de vista de oportunidades de negócios, quem sabe não seja uma grande chance para a indústria nacional se apresentar como uma alternativa competitiva?

Partindo do pressuposto de que o Brasil, conforme dados da Agência Brasil, possui 134 milhões de usuários da internet e que, segundo pesquisa do Ebit/Nielsen em parceria com a Elo, as vendas on-line subiram 47% nos primeiros meses de 2020, tem-se aí uma expressiva quantidade de consumidores à procura de produtos por meio da internet.

Se buscarmos nos grandes Market Places, é possível encontrar rankings que apresentam os produtos mais vendidos pelo comércio eletrônico. A lista vai desde os mais sofisticados, como smartphones e notebooks, por exemplo, até produtos industrializados com nível de sofisticação menor, como calçados e roupas.

Confederações, instituições de classe e empresários ligados à indústria devem ficar atentos a esses números e buscar se posicionar no mercado.

Outro dado interessante, e que pode eventualmente melhorar os números da indústria nacional, refere-se à pirataria. Dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria), veiculados em julho, dão conta que irregularidades no comércio representam 35% do faturamento do setor têxtil. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Fernando Pimentel, “a redução desse impacto no mercado eletrônico passa necessariamente pela curadoria das próprias plataformas de venda on-line”. Vamos imaginar que esse montante de 35% seja revertido para produtos legais fabricados pela indústria nacional. Essa porcentagem já seria um bom começo para acelerarmos as vendas.

Os dados e informações apresentados são apenas uma simples amostra das variáveis que atuam sobre o sistema e que merecem, tanto dos empresários do segmento industrial e das entidades que os representam quanto da comunidade acadêmica, um estudo mais aprofundado que apresente as diretrizes para a indústria nacional.

Para finalizar, além dos itens acima citados, tramita no Congresso Nacional a tão esperada reforma tributária que, quem sabe, possa dar um sopro de ânimo para a indústria nacional e aliado ao e-commerce sejam pontos de alavancagem nas vendas.

*Tutor do curso de Logística do Centro Universitário Internacional Uninter [email protected]