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Diário de Petrópolis

Edição:
segunda-feira, 22 de março de 2021

Edição: segunda-feira, 22 de março de 2021


  Colunistas

José Luiz Alquéres
COLUNISTA

 

 

INOVAÇÃO   EM   PETRÓPOLIS

Petrópolis foi fundada para que se aproveitasse a excepcional qualidade do seu clima, mais saudável do que o então altamente insalubre clima da cidade do Rio de Janeiro, implacavelmente atingido por surtos de febres que provocavam enorme mortalidade infantil, atingindo um deles o herdeiro da Coroa Imperial.

A cidade adquiriu por ser residência do Imperador, um status, de fato, de capital periódica do Brasil. nos longos verões de então quando para aqui se deslocavam, além do Imperador seus Ministros e sua entourage, classes média e alta.

A falta de ocupação da população permanente nos outros meses do ano, atraiu a indústria têxtil, também beneficiada pela umidade atmosférica e seus efeitos positivos na resistência dos filamentos durante o processo de fiação e tecelagem. Surgiram então as grandes fábricas como a São Pedro de Alcântara, a Petropolitana, a Santa Helena, as duas Cometa, a Santa Irene, a Werner e outras mais.

As atividades de ensino, colégios e internatos, faziam com que várias famílias, preocupadas com a exposição à febres no Rio de Janeiro, mandassem seus filhos estudar aqui. Algumas os acompanhavam, residindo aqui o ano inteiro.

De meados do século XX em diante observou-se outro fenômeno ligado à disseminação do uso do automóvel, aumentando a cada ano o número de “commuters”, aqueles que moram em Petrópolis e diariamente descem e sobem a serra de volta. Trabalham no Rio e moram em Petrópolis.  Decorrente disso, regiões e bairros foram se densificando, como Corrêas, Araras, Nogueira, Itaipava, Secretário e Pedro do Rio.  Um dinâmico comércio apoiou esta expansão. Mais recentemente a qualidade dos serviços públicos de Petrópolis criou outro tipo de habitante permanente e uns “commuters” ao inverso: moradores da Baixada que aqui procuram serviços médicos, estudantes que procuram melhores escolas etc.

Qual o futuro da cidade?

Os estudos melhores apontam que a nossa esperança está em sermos uma cidade que concentra instalações de pesquisa, na Universidade e fora dela, excelentes centros educacionais, empresas inovadoras etc. Uma população com um grau de preparo intelectual que estamos longe de ter, fora poucos exemplos.

Devemos então pensar em como migrar para esta cidade desejável e para isso alguns pontos são importantes.

O primeiro é a valorização de uma cultura de inovação em tudo, da administração pública à gestão do botequim, das escolas – onde o ensino da ciência merece uma grande redefinição com instalação de laboratórios e educação digital – aos supermercados. Devemos ser inovadores no bom sentido. Isso nasce nas famílias, nas escolas e nos movimentos comunitários. O novo não virá de esforços individuais, mas de uma cultura de avanço coletivo, apoiando, evidentemente, vocações de talentos jovens.

O segundo ponto é oferecer condições de qualidade de vida para os jovens inovadores, diplomados ou não, empreendedores que precisam no início de sua carreira sua moradia barata, suas garagens para seus escritórios improvisados e especialmente uma intensa vida cultural, hoje com os desafios adicionais que decorrem de uma certa tendência à recorrentes situações de isolamento social.

O terceiro ponto é que devemos eleger algumas vocações e incentivá-las, vocações ligadas aos objetivos mencionados. Ou seja, devemos ter foco. Nunca seremos bons em tudo. Mas poderemos ser ótimos, referência nacional em alguns campos. Destaco em particular dois ligados à nossa tradição: polo de serviços médicos e polo de educação, e um outro ligado ao futuro perfil demográfico da população brasileira, e em especial metropolitana, que seria sermos a cidade amigável para os idosos.

 São três segmentos que exigirão formação de pessoal altamente qualificado, os dois primeiros, e intenso trabalho com grande geração de empregos menos qualificados mas de alto treinamento, o terceiro.  

Todas estas coisas não ocorrerão por acaso e deverão ser objeto de uma redefinição de esforços  da área pública em conjunto com a iniciativa privada,  revendo formas de trabalhar no tocante à fiscalização de atividades, urbanismo, praças e calçadas, retirada de populações agressivas das ruas, incentivo a atividades culturais, desenvolvimento de um saudável espírito de pertencimento do morador em relação a seu bairro ( como ora está se assistindo em Corrêas, Nogueira e Vale das Videiras) e outros.

 Não devemos nos esquecer que uma cidade injusta não vai para frente. Paira sobre nós uma grande ameaça imediata: a enorme proporção da população que vive em locais expostos à inundações e deslizamentos, áreas de grande risco. Como resolver isso de forma rápida, socialmente justa é um desafio enorme que abordagens convencionais não tem conseguido alcançar. Campo para inovação em políticas públicas!

Que a inovação seja posta a serviço do bem comum o mais rapidamente possível. Que nasça o novo aqui em Petrópolis!

Edição:
segunda-feira, 22 de março de 2021

Edição: segunda-feira, 22 de março de 2021