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Detentas produzem peas de Natal no Presdio de Lajeado

LAJEADO | Um trabalho contnuo e que ganha novos captulos a cada dia. O Presdio Estadual Feminino de Lajeado (PEFL) Miguel Alcides Feldens referncia no Estado, no s pelo seu modelo comunitrio, mas tambm pelo trabalho desenvolvido pelas apenadas que se dedicam ao artesanato.

Pioneiro na produo de mscaras por presas no Rio Grande do Sul, j foi responsvel pela confeco e doao de mais de 50 mil mscaras desde o incio da pandemia. Agora, com a chegada do final do ano, o foco tambm est na produo de guirlandas, bonecos de Papai Noel, duendes, e enfeites diversos com tema natalino.

A confeco de amigurumis, como so chamados os bonecos feitos de croch ou tric, j vinha chamando a ateno da comunidade. A produo j comercializada e as detentas optam ou por destinarem o dinheiro que recebem a membros da famlia ou guardarem em uma poupana para investirem quando progredirem de regime.

Incentivadora do trabalho, a diretora do PEFL, Rita de Cssia Donini, comenta que o retorno j visvel e tem sido positivo. Alm de vendas, alguns itens sero destinados para doao e outros para decorao do prprio presdio. “Sempre vamos trabalhar esse lado delas, elas sempre podem fazer alguma coisa para algum, elas no podem s esperar, tem que ser para os dois lados”, comenta Rita.

A diretora da casa prisional relata que, agora, praticamente todas apenadas esto envolvidas no trabalho de artesanato. “Uma foi incentivando a outra, uma ensinando para a outra”, diz. Atualmente, o PEFL possui 36 internas. Intitulada de Equipe Arte, o grupo pretende se regularizar e ter, cada uma, sua carteirinha de artes. Rita de Cssia tambm conta que deseja que os trabalhos sejam identificados com uma etiqueta com o nome da equipe.

Bonecos, guirlandas, conjuntos para banheiro so alguns dos itens da produo da Equipe Arte – Caroline Garske

Nova experincia

Para uma das integrantes da Equipe Arte, trabalhar com croch foi algo novo para ela. “nica coisa que eu sabia fazer era cozinhar. Nunca peguei numa agulha, peguei aqui. Aprendi a gostar”, conta a apenada de 40 anos. Ela relata que o dinheiro oriundo das vendas foi enviado para a filha de 19 anos. Outras peas foram dadas como presente. “Eu mandei um trabalho de croch para minha cunhada e uma boneca bailarina para minha sobrinha.”

Outra integrante da Equipe Arte uma detenta de 32 anos. Foi ela a responsvel por ensinar para a maioria das outras presas a tcnica da costura. Ela tambm no sabia fazer quando chegou no presdio, aprendeu com outra mulher e assim foi repassando o conhecimento. “Logo que entrei j iniciei, a guria que estava na minha cela comeou a me ensinar, comecei fazendo tapete.” J familiar da arte, pois trabalhava como tatuadora, ela est guardando o dinheiro que ganha com a comercializao das peas para investir e trabalhar quando entrar em liberdade.

Elas contam que aprenderam a realizar os trabalhos olhando revistas que chegavam e com troca de conhecimento entre elas. “Esse o objetivo, que uma v passando para a outra”, salienta a diretora Rita de Cssia.


Rita de Cssia Donini, diretora do PEFL – Caroline Garske

Saiba mais

Doaes de linhas de croch e retalhos de tecidos para continuidade dos trabalhos podem ser deixadas no Presdio Feminino de Lajeado, na Rua Ermundo F. Ely, Bairro Florestal.

Para saber sobre como adquirir os itens produzidos pelas apenadas, entre em contato com o presdio, pelo (51) 3707-0425.