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Desfiles virtuais e apresentação no rio Sena marcam a temporada de alta-costura

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Segunda-feira, 9h30, a sessão estava para começar. Do conforto da minha casa, me posicionei em frente ao computador para conferir a estreia do filme “Le Mythe Dior”, do cineasta italiano Matteo Garrone — o mesmo que dirigiu recentemente uma nova versão do clássico “Pinóquio”. Em tempos conturbados, a Christian Dior lançou mão da fantasia e da tecnologia para apresentar sua coleção de alta-costura outono-inverno 2020/2021, em que ninfas e até uma sereia vestiam as preciosidades criadas por Maria Grazia Chiuri. Ainda sem uma vacina para conter a Covid-19, a estilista resgatou o Théâtre de la Mode — na verdade, uma exposição itinerante com looks em miniatura de costureiros franceses que viaja entre a Europa e a América.

“Imagens surrealistas conseguem tornar visível o que é invisível. Estou interessada em mistério e mágica, que também são uma forma de exorcizar a incerteza sobre o futuro”, explicou Maria Grazia, que colocou em pauta a obra de artistas mulheres do surrealismo. Nesse universo fantasioso, há plissados, drapeados e a rigorosa alfaiataria da maison.

Dolce & Gabbana sem aglomeração Foto: Divulgação

Mas Dior não foi a única. Chanel, Balmain, Dolce & Gabbana e tantas outras se reinventaram na pandemia. Seguindo as normas de distanciamento social, a Chanel deu continuidade ao show e produziu, num estúdio, um filme e fotos, assinados por Mikael Jansson, com as propostas de Virginie Viard para a temporada. A estilista olhou para a história de seus antecessores para desenhar o presente da maison. Dessa vez, mirou o alemão Karl Lagerfeld (morto em fevereiro de 2019), com quem colaborou intimamente. “Eu estava pensando em uma princesa punk saindo de ‘Le Palace’ ao amanhecer”, começou a designer. “Com um vestido de tafetá, cabelos grandes, penas e muitas joias. Esta coleção é mais inspirada em Lagerfeld do que Gabrielle Chanel.” A proposta foi opulenta e com ar maximalista, completamente diferente da anterior. “Gosto de trabalhar assim, indo na direção oposta do que fiz da última vez. Eu queria complexidade, sofisticação”, disse Virginie. Vestidos curtos com cintura marcada, modelos longos preciosos e o tradicional tweed construíram o clima romântico e rocker da estação. “A alta-costura é romântica por sua própria essência.”

Chanel Foto: Divulgação
Chanel Foto: Divulgação

Reforçando esta ideia, a apresentação da Balmain foi uma ode à couture — e, consequentemente, a Paris. Olivier Rousteing trouxe à tona peças icônicas dos arquivos da maison para celebrar os 75 anos da grife. Cumprindo as regras sanitárias, montou sua passarela num barco que navegava pelo Rio Sena. “Assim como Pierre Balmain (fundador da marca), sabemos que nunca poderíamos separar esta casa desta cidade, que é verdadeiramente a capital mundial da moda”, escreveu Rousteing numa carta aberta.

Fora do calendário francês, a italiana Dolce & Gabbana exibiu on-line as coleções de Alta Moda, Alta Gioielleria e Alta Sartoria. Como de costume, vimos estampas de suspirar, joias cheias de personalidades e um homem que não tem medo de ousar. E de sonhar com dias melhores.

Balmain no Sena Foto: Divulgação
Balmain no Sena Foto: Divulgação