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Desafio é bancar a floresta

João Maurício Kubitschek Prates decidiu intensificar a pecuária para garantir que ela cubra os custos de formação gradativa da floresta

Por Ariosto Mesquita

A Fazenda das Pedras existe há 150 anos. Foi originalmente da família “Mascarenhas”, famosa por seu feitos na indústria têxtil. São 5.960 hectares (ha) incrustados em pleno cerrado mineiro, no município de Curvelo, bem às margens da BR-040, no trecho da rodovia que liga Belo Horizonte a Brasília. Com áreas típicas de cerrado, a propriedade – hoje pertencente ao casal Maurício Sebastião Martins e Maria Ilka Kubitschek Prates – dedicou-se, por décadas, exclusivamente à pecuária de corte (mais especificamente à cria), mas sua localização estratégica, pareceres técnicos favoráveis e um incontido desejo de investimento em produção de madeira nobre levaram os proprietários a apostar na silvicultura.

O projeto, entretanto, enfrentava um desafio: o ciclo produtivo das espécies madeireiras é longo (10 a 20 anos), exigindo desembolsos elevados antes das árvores começarem a dar retorno financeiro. Como driblar essa situação? A saída encontrada foi manter a pecuária na propriedade. Coube a ela sustentar os custos da silvicultura. Inicialmente, o gado e a floresta foram mantidos em áreas específicas, sem integração. As primeiras árvores para produção de madeira começaram a ser plantadas em 2007/2008, mas os proprietários perceberam, sete anos atrás, que a pecuária tradicional não conseguiria pagar as contas do projeto.

Foi, então, que João Maurício Kubitschek Prates, filho do casal responsável pela gestão da fazenda, resolver intensificar o sistema. Trocou a cria pela recria/engorda e apostou na integração pecuária-floresta (IPF). Para adequar a infraestrutura da fazenda ao novo modelo, criar sinergia interna e garantir bons resultados financeiros, Prates contratou duas consultorias: uma para a atividade pecuária (Prodap, de MG) e outra para a produção florestal e silvipastoril (Projeta Agroflorestas, também de Minas).

Hoje, dos 1.474 ha de área em uso, o produtor destina 313 ha à integração pecuária-floresta (IPF), com 95% de eucalipto e 5% de paricá), 33 ha à floresta solteira (mogno e cedro, com irrigação por gotejamento), 37 ha ao cultivo de capim Mombaça (para produção de volumoso) e 1.091 ha ao pastejo rotacionado e à terminação em confinamento (instalação com capacidade estática para 550 cabeças).

Bois saídos do confinamento, que tem capacidade estática para engorda de 550 cabeças

A fazenda possui ainda uma área de 1.100 ha que foi plantada com eucalipto para produção de energia e colhida há quatro anos, mas ainda aguarda reutilização. De acordo com Prates, a primeira área de integração formada em 2013 tem corte de árvores previsto para 2023. Desde o início do projeto de IPF, o produtor tentou formar 100 ha de floresta comercial por ano, mas esse ritmo precisou ser desacelerado, visando ajustes entre faturamento e despesas.